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Dia Internacional da Mulher: faz sentido celebrá-lo?

Será um motivo para dar/receber prendas, ou para refletir sobre os Direitos Humanos? Só você pode decidir se festeja o Dia Internacional da Mulher.

Dia Internacional da Mulher: faz sentido celebrá-lo?
Desde quando se celebra o Dia Internacional da Mulher?

Desde quando se celebra o Dia Internacional da Mulher? Se esta é uma dúvida que já surgiu, aproveite o mote deste artigo para saber mais sobre a data e tente responder se este é, ou não é, um dia que deve permanecer na agenda.

Apesar de ser comemorado desde 1909, o Dia Internacional da Mulher apenas foi oficialmente proclamado pelas Nações Unidas em 1975. Celebrado no dia 8 de março, nem sempre é uma comemoração unânime, sendo contestada por muitos.

Curioso, não é? A data representa, na origem, a invocação da igualdade de direitos laborais entre homens e mulheres, e muitos acreditam que já não há espaço para mais questionamentos sobre o tema. Mas, então, fica a questão: fará sentido prolongar, em 2018, uma luta que se iniciou há 109 anos?

Dia Internacional da Mulher: uma data a marcar?


2018: a luta pela igualdade de direitos profissionais das mulheres nos dias de hoje

dia da mulher

Sabia que, em Portugal, os homens ganham mais 17,8% do que as mulheres? O apuramento desta diferença tem em conta pelo menos três fatores: o menor salário/hora, o facto de as mulheres trabalharem menos horas em empregos pagos e o facto de as taxas de emprego serem inferiores entre as mulheres.

A verdade é que, apesar de estarmos em pleno século XXI, continua na ordem do dia a desigualdade de direitos profissionais entre homens e mulheres. A título de exemplo, note-se que apenas no dia 1 de janeiro de 2018 foi implementada na Islândia a proibição às empresas de pagarem menos às mulheres do que aos homens, em igualdade de funções.

Representação das mulheres em instituições do ensino superior

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Como se sabe, o acesso à educação ainda é negado às mulheres em muitos países do mundo – ao contrário do que aconteceu no contexto português. Em Portugal, verifica-se que as mulheres estão mais representadas do que os homens no Ensino Superior. Em 2017, 194.024 mulheres estavam matriculadas no Ensino Superior, contra 167.919 homens.

Representação em cargos de direção

Apesar dessa tendência, verifica-se que são em muito menor número as mulheres em cargos de direção do que os homens a ocupar essas mesmas funções. Ou seja, apesar de tendencialmente serem mais qualificadas, as mulheres não ascendem tanto como os homens a cargos de direção e chefia. Porquê? Esta é uma questão que, há muito, tem levantado discussões e que continua sem uma resposta clara.

Mesmo nos setores profissionais em que predominam profissionais do sexo feminino, como algumas profissões das Ciências Sociais e Humanas (sobretudo, as que implicam o exercício de cuidados pessoais diretos, como enfermagem, psicologia, serviço social, ensino), os cargos de chefia são habitualmente detidos por homens.

Quase 100% das mulheres trabalham um “segundo turno”

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Supreendido/a? A verdade é que a grande maioria das mulheres, além da sua profissão, é responsável pelo cuidado da casa e pela assistência direta à família – aproveite para ver se se revê nesta banda desenhada.

Este “segundo turno” será, talvez, a razão pela qual as mulheres “trabalham menos” no seu “daytime job” – e este suposto menor investimento de tempo é, sem dúvida, um argumento usado por muitos empregadores, que nele se baseiam para invocar que há uma justificação válida para as diferenças salariais de que falávamos no início deste artigo.

Em suma…

O esbater das diferenças entre direitos de homens e mulheres, no trabalho, é essencial para uma sociedade evoluída e rica. Por isso, interessa a todos, inclusive aos homens, lutar para que haja cada vez menos discrepâncias no acesso à educação, a empregos socialmente reputados e mediáticos, ou a cargos de liderança.

Sendo certo que a celebração do Dia Internacional da Mulher pode ser uma forma artificial de promover a igualdade de género, a verdade é que a desigualdade na origem dessa celebração continua a existir.

Mulheres que marcam na História um “antes” e um “depois”

Se está preocupado em informar os seus amigos e em educar os seus filhos para uma cidadania que promova a igualdade, uma forma de o fazer é dar a conhecer histórias de mulheres e homens de sucesso. Portuguesas ou estrangeiras, estas são algumas mulheres que tiveram papéis importantes na evolução do mundo pelos seus feitos nos domínios da ciência, da arte, e da economia.

São mulheres, no mínimo, incríveis e que vai gostar de conhecer:

  • Valentina Tereshkova (1937 – ) – a primeira mulher no Espaço;
  • Hipátia de Alexandria (415 d.c.) – Matemática e Filósofa;
  • Paula Rego (1935 – ) – Pintora; em 2015 uma das suas obras foi vendida por 1,6 milhões de euros;
  • Nina Simone (1933 – 2003) – Intérprete e Compositora, ativista dos direitos civis nos Estados Unidos da América;
  • Daphne Oram (1925 – 2003) – Pioneira da música eletrónica e do uso de sintetizadores na música;
  • Jessica Hische (1984 – ) – Designer, desenvolveu o tipo de letra “Tilda”, usado pelo aclamado realizador de cinema Wes Anderson no filme Moonrise Kingdom (2012);
  • Malala Yousafzai (1997 – ) – Prémio Nobel da Paz em 2014;
  • Susan Wojcicki (1968 – ) – CEO do Youtube;
  • Susana Sargento – Co-fundadora da VENIAM, empresa que transformou os autocarros do Porto, Singapura e Nova Iorque em spots wifi.

Esperamos que o Dia Internacional da Mulher seja a ocasião para recordar estas mulheres influentes, mas também para refletir sobre a condição do homem e da mulher na sociedade atual.

Para complementar os seus conhecimentos e conhecer muitas mais mulheres inspiradoras, recomendamos-lhe o livro Histórias de adormecer para raparigas rebeldes, de Elena Favilli.

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