Dor crónica em Portugal: principais problemas e consequências sociais

Quais são os impactos individuais, sociais e económicos da dor crónica em Portugal? 37% da população adulta sofre com a doença, que é a segunda mais prevalente no país.

Dor crónica em Portugal: principais problemas e consequências sociais
O país gasta 4610 milhões de euros com a dor crónica

É sabido que a dor está associada a diversos problemas, sejam eles médicos ou psicológicos, mas uma coisa é certa: independente da sua origem, a dor é uma condição capaz de transformar a vida de qualquer pessoa, criando um forte impacto no seu dia a dia. Mas quando é que uma dor recorrente se torna numa patologia clínica? Por ser responsável por gastos equivalentes a 2,7% do PIB nacional, a dor crónica em Portugal é cada vez mais observada e estudada. Descubra aqui tudo sobre a segunda doença mais comum no país, depois da hipertensão arterial, quais os seus impactos individuais, sociais e económicos.

Para saber mais sobre as principais patologias associadas à dor crónica visite também o site dor.com.pt.

A dor crónica em Portugal

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Custos com a dor crónica

Em média, um paciente com dor crónica custa ao Estado algo em torno dos 1900 euros por ano – que resulta num montante estimado em 4611 milhões de euros. Entre os gastos indiretos (57%) estão as despesas com o absentismo e a reforma antecipada, que acabam mesmo por ultrapassar os gastos com serviços de saúde e medicamentos. A doença afeta mais idosos e pessoas em situação de vulnerabilidade, mas há também uma grande parcela de doentes entre os 45 e os 60 anos. Os números são apontados por um estudo realizado pela Faculdade de Medicina da Universidade do Porto.

De acordo com a investigação, cerca de 37% da população adulta portuguesa vive com dor crónica. Esta foi a primeira vez que investigadores apostaram na análise minuciosa do impacto que a doença tem no país, tornando-se numa ferramenta fundamental para melhorar o diagnóstico e o tratamento da dor em Portugal.

Os números da dor crónica em Portugal

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Fonte: Site dor.com.pt

  • 37% da população portuguesa adulta sofre de dor crónica;
  • A dor crónica é a segunda doença mais prevalente no país – a primeira é a hipertensão arterial;
  • 14% dos portugueses tem dor crónica recorrente, com intensidade moderada ou intensa;
  • A osteoartrose é a principal causa de dor crónica, sendo responsável por 47% dos casos;
  • A dor crónica é mais relatada entre idosos e a população mais vulnerável;
  • A doença afeta mais mulheres, sendo responsável por 14 dias de absentismo feminino (por ano);
  • O custo com a dor crónica em Portugal representa 2,7% do PIB nacional (4610 milhões de euros).

O impacto individual, social e económico da dor crónica

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A doença tem um forte impacto individual, social e económico – especialmente quando afeta indivíduos em idade ativa, entre os 45 e 60 anos. Nessa faixa etária a perda de um emprego em caso de doença pode prejudicar o regresso ao mercado de trabalho e levar a reformas antecipadas. A título de exemplo, para percebermos como a dor crónica afeta a vida do paciente, esta doença – que em números perde apenas para a hipertensão arterial – é responsável por 14 dias de absentismo entre a população feminina.

Para os médicos responsáveis pelo estudo da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto, a falta de conhecimento sobre o assunto agrava a situação, uma vez que o próprio doente não procura por ajuda especializada dentro do tempo esperado, atrasando o tratamento.

A investigação da FMUP mostrou que, entre a amostra portuguesa de 5094 pessoas inquiridas, os custos com o tratamento da dor crónica nas mulheres correspondem ao dobro dos custos com os homens, concluindo ainda que a doença afeta em maior proporção as populações mais vulneráveis, como idosos reformados, pessoas com menor escolaridade e indivíduos com menores rendimentos.

O Plano Estratégico Nacional de Prevenção e Controlo da Dor

O estudo do caso português teve como mote a criação do Plano Estratégico Nacional de Prevenção e Controlo da Dor, em 2013, que apareceu para realçar a importância da dor, defendendo que esta deve ser vista como um quinto sinal vital e que o seu tratamento tem que ser uma prioridade nacional. Isso com foco na melhoria da qualidade de vida da população e no controlo dos gastos associados à doença.

O plano define grupos com necessidades bastante específicas – como crianças, idosos e doentes críticos – defende o diagnóstico precoce e a prevenção da dor crónica, e determina que as orientações técnicas para o seu tratamento devem ser revistas, bem como deve ser acompanhada a sua aplicação no terreno, sensibilizando profissionais de saúde para lidar com o problema de forma adequada.

O que é a dor crónica

Considera-se que a dor é crónica quando, de modo geral, persiste após o período estimado para a recuperação normal de uma lesão. A dor crónica pode estar associada a várias doenças – dor lombar, artrose, diabetes, cancro, zona, por exemplo – e ser agravada por traumatismos ou posições forçadas ou incorretas. Este tipo de dor também pode estar associado a um período pós-operatório ou surgir sem causa aparente.

A doença é caracterizada pela dor persistente ou recorrente, que dure há mais de três meses após a cura da origem. No topo da lista das principais causas da dor crónica entre os portugueses está a osteoartrose – seguida da dor lombar e as patologias do joelho, ombro ou da coluna vertebral. Entre outras doenças que originam a dor crónica estão, também, a artrite reumatoide e as cefaleias.

Entre os principais fatores de risco para a dor crónica encontra-se o género feminino, a idade (a prevalência da dor tende a aumentar até aos 60-65 anos), o nível socioeconómico e de instrução mais baixos, o excesso de peso e obesidade e a localização anatómica (as zonas lombar e cervical, a cabeça e os membros são as regiões mais afetadas). Desataque-se também como fatores de risco a ansiedade e transtornos depressivos ou o desemprego.

Em todo o mundo, cerca de 30% da população sofre deste mal, que afeta mais mulheres. Em Portugal, os números atualizados apontam que 37% dos adultos sofram com a dor crónica, estando o país atento ao tema e reunindo esforços para criar as melhores estratégias de intervenção e gestão da dor.

Tratamento da dor crónica

O tratamento da doença deve ser orientado individualmente, de acordo com as necessidades específicas, podendo ser realizado com o apoio de um médico clínico geral ou por médicos especialistas. Os principais métodos de tratamento incluem os medicamentos para dor e as terapias alternativas.

1. Medicamentos para dor

A escolha dos medicamentos adequados, caso a caso, é analisada pelo médico e feita “em escada” – ou seja, tem início com a prescrição de medicamentos mais brandos, podendo a dose ser elevada, de acordo com a necessidade.

2. Psicologia

Sabe-se que a dor crónica altera a estrutura e a função cerebral, criando uma estratégia de “adaptação disfuncional”. Para gerir e tratar os casos de dor crónica é necessário juntar as mais diferentes correntes científicas, reunindo uma equipa de profissionais de saúde que possa atuar na intervenção mais eficaz. Para além dos médicos e da indústria farmacêutica, há ainda um terceiro sector que deve ter peso no tratamento: a psicologia. Psicólogos podem ajudar a travar casos de dor crónica observando, caso a caso, como intervir para ajudar o cérebro a comunicar de forma mais saudável com o corpo, reorganizando a função cerebral do doente.

3. Terapias alternativas

As terapias alternativas podem ser excelentes aliadas para provocar a melhoria da perceção corporal, podendo contribuir para aliviar os estímulos nervosos e a tensão – que são fatores reconhecidos pela grande influência sobre a origem da dor.

Conheça algumas opções:

Terapia cognitiva comportamental – esta é uma abordagem da psicoterapia, muito útil para ajudar no tratamento de qualquer tipo de dor, mas que tem especial influência no tratamento de casos de ansiedade e depressão.

Massagem – a massagem é um ótimo método de tratamento da dor, especialmente das que são provocadas por excesso de tensão e contraturas musculares.

Acupuntura – esta terapia alternativa tem resultados comprovados quando o assunto é aliviar dores provocadas pela osteoartrite e outras dores crónicas com origem muscular.

Fisioterapia – as terapias feitas com calor ou com foco na reabilitação dos movimentos é bastante útil no tratamento das dores.

Em paralelo, é sabido ainda que a prática regular de atividade física auxilia no tratamento e alívio de incontáveis tipos de dor crónica, bem como as técnicas de relaxamento, conhecidas por reduzir as contrações e promover a melhor auto-percepção do próprio corpo.

Independente de qual seja a origem da dor, o estado emocional do doente tem grande influência no diagnóstico da dor crónica, pois está comprovado pela ciência que pessoas ansiosas e deprimidas sofrem mais da doença. Indivíduos inseridos num contexto de satisfação, por exemplo, tendem a queixar-se menos deste tipo de quadro.

Assim, dê atenção ao seu estado emocional, equilibre a dieta, pratique atividade física regular e invista no seu bem-estar. Em caso de dor recorrente ou persistente, que dure há três meses ou mais, procure o seu médico de família e peça orientação especializada. Lembre-se: quanto mais cedo cuidar do problema, mais eficaz é o tratamento.

Se ainda tem dúvidas sobre a dor crónica e quer conhecer mais sobre o assunto, visite o site dor.com.pt e fique a par das últimas notícias, dicas e sugestões para aliviar o problema.

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