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Os filhos trabalhadores devem contribuir para as despesas da casa?

Esta é uma dúvida de muitos pais: até quando (e até que ponto) devem sustentar os filhos adultos? Conheça a resposta e alguns conselhos essenciais.

Os filhos trabalhadores devem contribuir para as despesas da casa?
A resposta pode não ser assim tão simples

Os dados não mentem: Portugal é dos países da União Europeia (UE) onde os jovens vivem até mais tarde em casa dos progenitores. Assim sendo, será que os filhos trabalhadores devem contribuir para as despesas da casa?

Voltemos aos dados: de acordo com as informações de 2017 do Eurostat, em média, os jovens portugueses vivem com os pais até aos 29,2 anos.

Malta é o país da UE onde os jovens abandonam a casa dos progenitores mais tarde, aos 32,2 anos, seguida da Croácia (31,9 anos), Eslováquia (30,8 anos), Itália (30,1 anos), Grécia (29,4 anos), Espanha (29,3 anos) e, logo de seguida, na sétima posição, surge Portugal.

No lado oposto da tabela surgem os países nórdicos: em média, na Suécia os filhos deixam a casa dos pais aos 21 anos, na Dinamarca aos 21,1 anos e, finalmente, na Finlândia aos 21,9 anos.

Do outro lado do oceano, nos Estados Unidos da América (EUA), segundo os dados publicados pela revista Forbes, em 2008, 15 milhões de jovens adultos entre os 18 e os 24 anos de idade estavam a viver em casa dos pais, números que mais do que duplicaram desde a década de 1960.

Recentemente, os pais de um homem americano de 30 anos levaram o filho a tribunal por este se recusar a sair de casa. Um caso insólito em que os pais acusam o filho de não contribuir para as despesas de casa, como é o caso do pagamento da renda, nem ajudar nas tarefas domésticas.

Este é um caso extremo, mas nos dias que correm esta é uma situação bastante comum e que levanta diversas questões: deverão os pais cobrar aos filhos adultos um valor mensal para que possam fazer face às despesas da habitação? As incertezas são mais do que muitas, mas podemos dizer que bastará uma boa dose de bom senso para chegar a um meio-termo saudável.

Até quando (e que ponto) devem os pais sustentar filhos adultos?


pais devem sustentar filhos

Segundo um estudo do Núcleo de Observação Social da Cáritas Portuguesa (NOS), o preço das casas mais antigas sofreu um novo aumento do preço (9,2%), mais alto que o preço das casas mais recentes (3,5%), subindo em média 7,1% em 2016 e 7% apenas no primeiro trimestre de 2017.

Números nada animadores e que aliados aos baixos salários, contratos precários e desemprego jovem são um verdadeiro problema, capaz de destruir os sonhos e ambições dos jovens portugueses.

Com os preços do mercado de habitação a atingirem valores recorde, a altura em que os jovens decidem sair de casa dos pais é adiada durante cada vez mais tempo. Assim sendo, será que os filhos trabalhadores devem contribuir para despesas da casa enquanto morarem com os pais?

Para garantir que não surgem conflitos desnecessários, siga as nossas dicas e estabeleça algumas regras.

1. Divida as despesas e tarefas domésticas com o seu filho

Aqui tem a resposta à questão: se os seus filhos trabalham e continuam a viver em casa poderá dividir com eles as despesas e as tarefas domésticas. Assim sendo, reveja o orçamento familiar e defina o valor mensal justo a ser cobrado aos seus descendentes.

Não terá de cobrar uma renda pelo uso do quarto, mas poderá incluir o seu filho nas despesas do supermercado e na distribuição das tarefas domésticas (se ainda não o fazia).

Ainda assim, se o seu filho tiver rendimentos baixos poderá exigir apenas um valor simbólico. Se o dinheiro não lhe fizer falta, poderá guardá-lo e construir uma poupança para entregar ao seu filho assim que encontrar a respetiva casa.

2. Defina os limites para a ajuda

Em Portugal, segundo os dados do Gabinete de Apoio ao Sobre Endividado (GAS) da Deco, muitas pessoas entram em incumprimento financeiro por tentarem ajudar os filhos desempregados.

Para evitar esta situação deverá, desde logo, estabelecer um limite financeiro para a ajuda que poderá prestar aos seus filhos quando estes saem de casa ou entram em incumprimento. Evite fragilizar a sua saúde financeira, pois caso contrário, em pouco tempo, deixará de poder prestar auxílio os seus filhos.

3. Ajude os seus filhos a atingir os objetivos a que se propõem

Alguns especialistas dizem que a definição de metas temporais para a permanência dos filhos em casa poderá servir de estímulo e incentivo para estes procurem ativamente a autonomia financeira.

Assim sendo, poderá, por exemplo, ajudá-lo a procurar emprego, a poupar ativamente e a procurar uma casa que corresponda às suas necessidades e capacidades financeiras. É importante que seja capaz de acompanhar os seus filhos em todas as fases da vida e que os ajuda a atingir as metas a que se propõem.

4. Estabeleça normas de convivência

Se os filhos trabalhadores devem contribuir para despesas da casa é necessário que falem abertamente sobre como poderão viver de forma harmoniosa debaixo do mesmo teto nesta fase da vida do núcleo familiar.

Esta é a principal recomendação dos especialistas nesta matéria. É fundamental para estabelecer as regras de convivência para evitar discussões e atritos constantes.

Não se esqueça que o seu filho é um adulto e, por isso, deverá respeitar a sua privacidade. Contudo, se não aprecia determinados comportamentos (que fume dentro de casa ou que traga visitas a meio da noite sem o seu conhecimento) deverá alertá-lo para o facto e explicar quais são as suas condições. O mais importante é que todos se sintam confortáveis a viver sob o mesmo teto.

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Pedro Andrade Pedro Andrade

O amor à voz e às palavras levou-o, desde sempre, à rádio. Entrega-se à escrita (mais ou menos) criativa sem nunca esquecer a paixão pelo mar, pela boa comida e pelos serões rodeado da família e amigos.

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