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A relação entre o local de trabalho e a frustração vocacional

Já ouviu falar em frustração vocacional? Sabe o que significa? Damos-lhe a conhecer o termo e a sua relação com as caraterísticas do espaço de trabalho.

A relação entre o local de trabalho e a frustração vocacional
Há uma relação estreita entre a frustração vocacional e o espaço de trabalho

Parece ser um mal geral: muitas pessoas são infelizes a trabalhar e sentem uma imensa frustração vocacional. Vamos saber mais sobre este tema.

Há uma relação estreita entre a frustração vocacional e o espaço de trabalho


Segundo dados revelados por um estudo de abrangência Europeia, que engloba a realidade laboral em Portugal, 92% dos trabalhadores sentem-se frustrados no trabalho. 84% equacionam mudar de emprego, sendo que, desses, um em dez pensa nisso constantemente; 22% admitem ler anúncios de emprego quando se sentem frustrados; e por último, há mais um dado importante que ressalta neste estudo: 23% ficam frustrados no seu novo local de trabalho logo nos primeiros seis meses de atividade.

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O que é a frustração vocacional?

Embora nem sempre seja discutido como deveria ser, o problema da frustração vocacional é transversal ao mundo laboral e um dilema que a sociedade atual enfrenta. Isto porque ainda está enraizada uma crença de que o mais importante é ter um emprego que nos permita pagar as contas – se gostamos realmente dele ou se encaixa nas nossas competências, isso já é uma questão relegada para segundo plano, muitas vezes. E isso pode resultar em frustração vocacional, que existe em grande medida, como nos diz o estudo que referimos anteriormente.

A origem da frustração vocacional

A frustração vocacional pode ter causas diversas. De todos os tipos de frustrações que podem advir do meio de trabalho, talvez a vocacional seja a mais grave, e mais difícil de ultrapassar, se não impossível, pois deriva de uma insatisfação com a escolha da área de atividade em que se trabalha. Nem sempre diz respeito à natureza das tarefas ou à qualidade das relações laborais, mas sim a uma falta de sentido de missão ou de propósito.

Vocação: sabe qual é a sua?

Quando escolhemos uma área profissional, estamos a fazer uma escolha vocacional. Acontece que o sistema educativo nos incute a necessidade de escolher apenas uma área – quando podemos ter de facto várias “vocações” – e demasiado cedo, antes de termos sido treinados a tomar decisões e a refletir criticamente e profundamente sobre o estilo de vida que desejamos ter no futuro.

O resultado? Há um sem-número de pessoas que admitem que não conhecem a sua própria vocação, ou que consideram que não têm nenhuma. Mas isso não é verdade, toda a gente tem vocações, mais ou menos evidentes, apenas não tiveram a oportunidade para as descobrir e explorar. Isso é um grande problema de fundo, pois tem origem na educação que a nossa sociedade por vezes fomenta, ou não fomenta de todo, como neste caso.

A importância do espaço de trabalho na frustração vocacional

Porém, um estudo feito pela Staples acrescenta um ingrediente à receita da frustração vocacional, dizendo-nos que um dos elementos que causa frustração vocacional é o espaço de trabalho.

Segundo esses dados, o que leva muitos trabalhadores a sentirem necessidade de saltitar constantemente de emprego em emprego são as más condições proporcionadas pelas entidades empregadoras, no que toca à qualidade dos espaços de trabalho. Segundo este estudo, os ganhos de investir na criação de espaços de trabalho de qualidade compensariam, e muito ultrapassariam o valor do investimento! Afinal de contas, o prejuízo de perder colaboradores é muito alto.

Porque é que a qualidade do espaço de trabalho é tão importante?

É no local de trabalho que passamos a maior percentagem do nosso tempo diário, mais do que na sua própria casa. Assim, é fundamental que o espaço de trabalho tenha caraterísticas promotoras da saúde física e mental, do bem estar e, claro, da produtividade.

Segundo esta teoria, trabalhar num espaço que nos preencha, ajuda-nos a sentir mais orgulho do nosso trabalho e a identificarmo-nos com a cultura da organização.

O escapismo como forma de “lidar” com o problema

Ainda segundo o estudo da Staples, a forma de lidar com o problema é curiosa, mas faz todo o sentido: muitos trabalhadores optam por lidar com o problema recorrendo a formas de escapismo, como por exemplo encontrando atividades paralelas que ofereçam possibilidades completamente distintas de realização pessoal e profissional: consumir atividades artísticas, investir em atividade física ou até em trabalhos em part-time em áreas diferentes.

Se é empregador, tenha estes aspetos em conta

Se é empregador, reflita sobre este assunto – provavelmente resolver situações de frustração vocacional dos seus trabalhadores é mais fácil do que imaginava – invista em tornar o espaço de trabalho o mais adequado possível às expectativas dos seus trabalhadores.

Faça um estudo na empresa sobre o tipo de atividades que os trabalhadores mais gostam de executar, e pergunte-se se o espaço está a promover ou a bloquear esse tipo de atividades. Pergunte-lhes que atividades é que não são executadas ou facilitadas por limitações físicas do espaço – como reuniões de equipa, reuniões informais com parceiros e clientes, etc – e personalize as instalações da empresa.

Um espaço físico cuidado revela mais do que vontade simples de oferecer conforto – revela também uma mensagem, dirigida pela entidade patronal aos trabalhadores, aos clientes, aos fornecedores e à concorrência.

É importante ter em conta que o ambiente físico é importante não apenas para tornar a experiência de trabalho gratificante, mas também porque diz aos funcionários que a empresa se preocupa realmente com eles. Seja apostando no equipamento certo, no layout adequado ou nos aprovisionamentos mais certeiros: e pode estar aí a resolução de muitos dos seus problemas de falta de motivação e de frustração vocacional.

Procure ajuda especializada

É natural que muitos empregadores não se sintam talhados para saberem como proceder para apresentar o local de trabalho mais adequado para os seus funcionários. Neste caso, porque não pedir ajuda especializada? Não faltam entidades que prestam serviços neste campo, e que o podem ajudar, ao definirem uma estratégia para o espaço de trabalho, não só no que toca ao design de interiores, como à gestão de ocupação do espaço.

Alguns exemplos de empresas que se especializam em trabalhar esse setor em Portugal:

Se for trabalhador, o que pode fazer?

Se é funcionário da empresa e não tem margem de manobra para alterar o espaço, procure pelo menos tornar o seu gabinete ou local de trabalho mais personalizado e acolhedor: leve alguns objetos pessoais, cole uma imagem ou fotografia na parede, ponha uma almofada na sua cadeira, leve aquele rádio que já não usa em casa para a copa e ouça música com os colegas ao almoço.

Se não for suficiente, talvez esteja na hora de fazer uma exploração vocacional mais profunda para descobrir, então, que áreas de trabalho têm o potencial de fazê-lo mais feliz e realizado.

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Catarina Reis Catarina Reis

Consultora de carreira com mais de 10 anos de experiência, possui formação superior em Gestão de Recursos Humanos e Psicologia. É naturalmente curiosa, desenvolvendo múltiplos projetos paralelos que envolvem a Fotografia, a Música, o Marketing Digital e o Cinema.

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