Publicidade:

'Ghosting' ou candidatos fantasma assustam cada vez mais empresas

Já ouviu falar em "ghosting"? O fenómeno dos "candidatos fantasma" é uma tendência crescente nos processos de recrutamento das empresas a nível global.

'Ghosting' ou candidatos fantasma assustam cada vez mais empresas
Descubra em que consiste e o que representa para o mercado

Chamam-lhe ghosting, um termo que deriva da palavra inglesa ghost, o que significa “fantasma”, em português. De acordo com os especialistas em recrutamento, os candidatos fantasma constituem um fenómeno que afeta há muito e de forma crescente, a gestão de Recursos Humanos de muitas empresas.

A expressão serve para caracterizar o número crescente de candidatos a ofertas de emprego que desaparecem durante o processo de recrutamento e seleção. Inclui, ainda, profissionais que abandonam os locais de trabalho, de um dia para o outro, sem qualquer aviso prévio.

Se ainda não tinha ouvido falar de candidatos fantasma, saiba que é uma realidade que tem vindo a “assombrar” o mercado a nível global. Sendo já um dos piores pesadelos dos gestores de Recursos Humanos de diferente empresas, a verdade é que, de acordo com os especialistas, o cenário tende a agravar-se.

Descubra em que consiste, concretamente, o fenómeno de candidatos fantasma, razões da sua existência e quais as consequências para as empresas.

Ghosting ou candidatos fantasma: uma assombração para as empresas


entrevista

Estes candidatos respondem a várias ofertas de trabalho em simultâneo, deixam boas indicações, são selecionados entre os melhores e, de um dia para o outro, simplesmente, desaparecem. Não voltam a aparecer, não respondem a e-mails ou telefonemas. É como se não existissem.

Os chamados candidatos fantasma tornam-se, assim, uma verdadeira “assombração” para os gestores de Recursos Humanos, sobretudo em áreas de mercado em que escasseiam as possibilidades, nomeadamente setores mais recentes como as tecnologias de informação.

Razões que levam ao ghosting

De acordo com uma sondagem global realizada pelo LinkedIn – a maior rede social profissional – os números são claros e alarmantes. Das muitas empresas inquiridas e que recrutaram candidatos ao longo do ano de 2018, 95% dessas registaram candidatos fantasma. Fica, assim, evidente o quão “normal” e transversal já se tornou o fenómeno de candidatos fantasma.

Muitas são as teorias apontadas para explicar este cenário. Em Portugal, por exemplo, um dos motivos relaciona-se com a retoma do mercado e a descida do desemprego, o que permite aos candidatos a possibilidade de escolha. Assim, o que acontece é que se candidatam a vários lugares e quando conseguem ser selecionados para todos ou alguns desses, chegam a uma fase em que optam por um e abandonam os processos de recrutamento dos restantes.

Ainda que tudo pareça perfeitamente normal e represente vitalidade do mercado, há um problema que reside no facto de os candidatos não notificarem as empresas da sua decisão, deixando os recrutadores, literalmente, “pendurados”. Quase certos de que encontraram a pessoa certa para o lugar, os gestores de Recursos Humanos são obrigados a voltar à estaca zero, originando um esforço e investimento extra em novos procedimentos de contacto e seleção.

Esta é uma situação que apesar de ter consequências imediatas apenas para as empresas visadas, não é positivo para o candidato. Na verdade, a prática de ghosting tem impacto na reputação do candidato, o qual deixará uma imagem que pouco ou nada abonará a seu favor numa possível oportunidade futura. Nunca se sabe o que o amanhã reserva.

O que dizem os candidatos?


ghosting

De acordo com um estudo realizado em 2018 pela empresa de estudos de mercado Clutch, com base numa amostra de 600 trabalhadores, o ghosting é considerado como uma prática aceitável aos olhos de mais de 40% dos candidatos. Dos inquiridos, 70% admitiu ter abandonado o processo de recrutamento sem qualquer notificação à entidade, sendo que 55% o terão feito entre 1 a 5 vezes.

Mas, o que leva um profissional a assumir o papel de candidato fantasma?

Habitualmente, o ghosting ocorre, essencialmente, em 3 momentos:

  • Na primeira entrevista;
  • Em processos de recrutamento e seleção mais complexos: devido à morosidade de procedimentos e às várias fases pelas quais são obrigados a passar, alguns candidatos, simplesmente, desistem;
  • Quando o objetivo é renegociar com o empregador: os candidatos respondem a ofertas de emprego de outras entidades a fim de terem noção do seu valor no mercado.

Também pode acontecer não existirem argumentos para apresentar e, por opção, os candidatos fecham portas.

Profissionais já contratados que se tornam “fantasma”


Não são apenas os candidatos a um processo de recrutamento que “desaparecem”, também os profissionais já contratados o fazem. Independentemente de terem um contrato a termo certo ou em regime de prestação de serviços, há quem abandone o posto de trabalho sem aviso.

No entanto, é muito importante ter em conta que esta prática tem um nome legal, o de Abandono do Posto de Trabalho, enquadrado no Artigo 403º do Código do Trabalho. O caso pode ser levado a tribunal e a punição do trabalhador pode passar pelo pagamento de uma indemnização à empresa por danos causados à mesma devido à sua ausência.

Independentemente de ser candidato ou trabalhador, o melhor é assumir as suas escolhas, assumir que pretende mudar de rumo e negociar a melhor forma de o fazer ou, simplesmente, avisar os recrutadores com quem teve contacto de que já não está interessado naquela posição.

Veja também:

Elsa Santos Elsa Santos

Formada em comunicação, conta com uma vasta experiência na área. Do jornalismo ao marketing digital, a escrita é o elo comum. Apaixonada por histórias, tem desenvolvido, nos últimos anos, diversos projetos de storytelling, copywriting e locução. É mãe de duas crianças, o que não lhe dá superpoderes, mas a obriga a estar permanentemente ligada.