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5 boas motivações para o exercício do voluntariado

Oportunidades profissionais? Alívio do sentimento de culpa? Não é errado procurar uma satisfação pessoal entre as motivações para o exercício do voluntariado.

5 boas motivações para o exercício do voluntariado
Uma mão cheia de boas razões para pensar no assunto

Por que razões as pessoas decidem fazer voluntariado? Rick Lynch – um Guru do voluntariado – apresenta uma lista das motivações mais comuns. Das 30 expostas numa apresentação que fez recentemente em Portugal na Fundação Calouste Gulbenkian no âmbito da comemoração do Dia Internacional do Voluntariado, apenas 4 são de natureza puramente altruísta. Não me choca. É natural. Não existem assim tantas motivações altruístas. Podem-se resumir a ajudar a resolver um problema da comunidade, de uma pessoa ou contribuir para uma causa. Como a vontade de fazer isso parte da pessoa – consciente ou inconscientemente – também irá satisfazer outras necessidades motivacionais, de natureza individual.

Não é errado esperar satisfação pessoal do voluntariado. Aliás, vários estudos científicos revelam que quem pratica o voluntariado é mais feliz, tem maior esperança de vida e melhor qualidade de vida. Que mal existe, então, quando uma pessoa no exercício do voluntariado coopera para um mundo melhor e também contribui para o seu bem-estar? Nenhum. Fazer o bem no voluntariado significa que literalmente todas as partes envolvidas ficam a ganhar.

Partilho cinco grandes motivações “egoístas” que agrupei da lista do Rick e que considero interessantes para reflexão sobre a temática.

5 motivações para o exercício do voluntariado


razoes para fazer voluntariado

1. Socializar

Quem tem uma vida com poucos contactos sociais, o voluntariado pode ser encarado como uma opção para sair de casa e escapar ao tédio; conhecer pessoas e fazer novos amigos. Associado a essa dimensão social pode estar a satisfação que retira daí. Pode também partir de uma vontade de se divertir. Apesar de o voluntariado ser trabalho e não brincadeira (como refere Ivan Scheier), pode-se retirar prazer dessa atividade tão nobre que é contribuir para o bem comum.

2. Fazer a transição para uma nova vida

O voluntariado é uma componente importante no Projeto Pessoal de Vida. Efetivamente, uma grande percentagem das pessoas decide fazer voluntariado num momento de viragem da sua vida: pode ser um divórcio, a mudança de emprego, o desemprego, o falecimento de alguém muito próximo, a mudança de residência, a saída dos filhos de casa também designada de “Síndrome Ninho Vazio”…

Quando saímos da nossa “zona de conforto” decidir fazer voluntariado torna-se mais fácil, pois amiúde envolve mudança para “mundos” desconhecidos, onde não nos sentimos cómodos até nos integrarmos. O voluntariado dá-nos um sentido de missão muito importante quando nos sentimos desorientados em algumas dimensões pessoais.

3. Ganhar prestígio/estatuto

Pertencer a um grupo de voluntariado pode ser visto por quem se voluntaria como um modo de ganhar reconhecimento/estatuto social, aumentar o seu prestígio pessoal. Quem, por exemplo, optar por um voluntariado de bastidores como carregar caixas no armazém de uma organização, não tem essa motivação. Mas se recolher alimentos no supermercado, já se torna visível a sua ação voluntária e, assim, o seu prestígio social.

4. Aliviar sentimentos de culpa

É também comum a motivação derivar de um sentimento de culpa da pessoa que quer exercer o voluntariado, decorrente – por exemplo – de uma experiência no passado onde julga não ter feito o suficiente por alguém importante na sua vida que precisava de apoio. Dou o exemplo de uma amiga enfermeira que não conseguiu salvar o seu marido de um ataque cardíaco e posteriormente partiu em missão humanitária para salvar vidas de comunidades de um país em desenvolvimento.

5. Ter acesso a novas oportunidades profissionais

Quem pratica o voluntariado pode optar por oportunidades que simultaneamente resolvam um problema (social, ambiental, animal, patrimonial,…) e melhoram o currículo. Pode também experimentar uma atividade que não sabe ao certo se tem perfil e por isso quer ter um primeiro contacto. Não significa que o voluntariado seja uma primeira fase no processo de recrutamento, pelo contrário. Resultante do trabalho de voluntariado não se deve esperar uma recompensa financeira, material ou promessa de emprego. Mas o voluntariado é um espaço de aprendizagem tão importante para o desenvolvimento espiritual, como social ou profissional.

Assumir uma postura crítica perante estas motivações designadas de “egoístas” apenas faz sentido se não estiverem associadas a elas motivações “altruístas”. Negar as necessidades motivacionais individuais no exercício do voluntariado é semelhante a dizer que não retiramos satisfação pessoal do ato de oferecer uma prenda a alguém. O voluntariado é darmos! Damos um bem precioso que é o tempo (para além dos nossos talentos)… Quem gosta muito de dar presentes compreende o que quero dizer. E quem simultaneamente sente o quão bom é fazer voluntariado, compreende ainda melhor.

motivações para fazer o voluntariado

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Sónia Fernandes Sónia Fernandes

Empreendedora Social, Fundadora e Presidente da Pista Mágica - Escola de Voluntariado, Sónia é Antropóloga e mestre em Ação Humanitária. Descobriu o voluntariado aos 14 anos e nunca mais parou. Desenvolveu trabalho com ONGs, Nações Unidas e União Europeia em países como EUA, Moçambique, Timor-Leste e Togo. Como formadora e docente, já chegou a milhares de voluntários, estudantes e profissionais. Publicou vários manuais e três livros: Sobreviver em Missão (2009), Diário de Maio Luz. Pensamentos em Missão (2010) e Todos temos asas, mas apenas os voluntários sabem voar (2011).