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Afinal de contas, quem usa os motores de quem?

A partilha de motores é comum há muito tempo. De vez em quando, surgem notícias de novas alianças entre fabricantes, como por exemplo, alemães com motores franceses e americanos com propulsores italianos.

Afinal de contas, quem usa os motores de quem?
A redução de custos é o principal motivo da partilha de motores entre os fabricantes de automóveis

Quem é que usa motores de quem? Esta é uma pergunta quase clássica no universo automóvel. A partilha de motores entre marcas está longe de ser novidade. Ainda hoje, há pessoas que compraram carros pela confiança que a marca lhes transmitia, acreditando que a unidade motriz pertencia àquele construtor. Esses compradores nunca teriam feito tal negócio se soubessem que o motor que adquiriram pertencia a uma outra marca.

Isso é importante?… Dado o valor que se atribui às marcas, ao nome, ao estatuto, à imagem e conceitos associados aos automóveis, há muitos carros que não se teriam vendido se o comprador soubesse o que estava debaixo do capot. Na década de 90, muitos proprietários não se teriam decidido a comprar um Volvo 440, por exemplo, se soubessem que levavam para casa um motor Renault. E ainda hoje há pessoas que compraram um Opel Corsa C 1.3 DTi pela reputação dos alemães em fiabilidade. Será que o teriam feito se soubessem que o fornecedor dos motores era a Fiat?

Claro que houve acordos que ditaram o sucesso de alguns modelos, precisamente por apresentarem o nome de outras marcas no cartão de visita. Voltemos ao exemplo do Opel Corsa, na geração B, com alguns proprietários que enchiam o peito para dizer que o 1.5 Diesel era motor Isuzu e que nunca mais acabava. Da mesma forma, os poucos que conseguiram adquirir um Lancia Thema 8.32 orgulhavam-se de dizer que tinham um familiar com motor da exclusiva Ferrari.

A partilha de motores é uma forma que os construtores encontraram para minimizar o esforço financeiro resultante do desenvolvimento daqueles componentes. Atualmente, esta divisão de tarefas prolonga-se a outros componentes de peso, como as plataformas.

Um dos exemplos mais conhecidos e de grande sucesso é o Grupo Volkswagen, que consegue rentabilizar as suas motorizações (e não só) nas diversas marcas que possui. Os grupos Fiat e PSA são outros dos exemplos mais clássicos na divisão de esforços.

Partilha de motores

People Shaking Hands in Car Showroom

Os acordos entre construtores vão sofrendo alterações ao longo do tempo. Fazemos aqui um pequeno resumo com algumas das marcas mais importantes do mercado europeu, atualizando a “base de dados” quanto à partilha de motores entre automóveis.

Alfa Romeo

Os motores Alfa Romeo são provenientes do grupo a que a marca pertence, Fiat Chrysler Automobiles. As fantásticas versões Quadrifoglio têm colaboração da Ferrari, de onde vem o 2.9 V6.

Aston Martin

Os exclusivos V12 continuam a ser da casa britânica, ao passo que os novos V8 são obra da AMG.

Audi

Como se sabe, a Audi usa há muito tempo motores do Grupo Volkswagen, usufruindo, em primeira mão, das tecnologias do grande grupo alemão. O Audi R8 “grita” com um V10 da Lamborghini.

Bentley

A marca de Crewe usa motores do Grupo Volkswagen, além do clássico 6.75 que é de fabrico próprio.

BMW

A BMW continua a usar motores próprios. À semelhança do que aconteceu com outros construtores, dará uma facada no coração dos fãs se receber propulsores de outras marcas. A ver vamos…

Citroën

A marca criada por André Citroën continua a usufruir dos motores PSA, grupo do qual faz parte há muitos anos.

Dacia

Uma das mais rentáveis entre marcas de grande volume, a Dacia é um caso de sucesso desde que foi integrada pela Renault, de onde recebe os motores.

Ferrari

No dia em que a Ferrari deixar de produzir os seus próprios motores…

Fiat

Os carros da Fabrica Italiana de Automóveis de Turim usam motores produzidos pelo Grupo FCA (Fiat Chrysler Automobiles).

Ford

Atualmente, os carros da oval azul usam motores próprios. A Ford passou por diversas fases de divisão de custos, tendo usado motores Diesel PSA e o cinco cilindros Volvo no Focus RS.

Honda

Nos dias que correm, a Honda é responsável por produzir os seus próprios motores. Nem sempre foi assim, tendo recebido alguns Diesel PSA e Isuzu.

Hyundai

A Hyundai tem crescido e conquistado o respeito e confiança dos consumidores. Os motores são de fabrico próprio.

Jaguar

A marca britânica levantou a cabeça com a aquisição do Grupo Tata, altura em que deixou de usar motores Ford. Hoje, os Jaguar têm motores do Grupo JLR (Jaguar Land Rover).

Jeep

A Jeep está integrada na FCA (Fiat Chrysler Automobiles) e usa motores do grupo italo-americano.

Kia

Pertence ao Grupo Hyundai-Kia, por isso, os motores são os mesmos da Hyundai.

Lamborghini

Carros exclusivos requerem motores ao nível. Tal como a Ferrari, fabrica os seus próprios motores. A Lamborghini está integrada no Grupo Volkswagen, daí o Audi R8 usar o 5.2 V10 italiano.

Land Rover

Os atuais motores são do Grupo Jaguar Land Rover, ou seja, de fabrico interno. Os Land Rover chegaram a usar motores de outros construtores, mas isso são águas passadas.

Lexus

A marca de luxo da Toyota usa motores da casa japonesa.

Lotus

A Lotus parte dos motores Toyota para produzir alguns modelos que continuam a apaixonar os fãs da condução desportiva.

Maserati

O construtor que usa o tridente de Neptuno como logótipo faz parte do Grupo FCA. Usa os fabulosos V8 desenvolvidos com a Ferrari, apesar desta já não integrar o consórcio italiano.

Mazda

Provavelmente, a única marca de caráter mundial que se mantém sozinha, sem integrar nenhum grupo. A Mazda produz os seus próprios motores e é uma das poucas que assume a crença (e desenvolvimento) nos Diesel.

Mercedes-Benz

Toda a gente sabe que a Mercedes-Benz usa motores Diesel Renault para os Classe A, B e C. Mas partir do “nível” 220d, os motores já são Mercedes-Benz.

Mitsubishi

Salva pela aliança franco nipónica Renault-Nissan, a Mitsubishi encontra-se em fase de lançamento e integra agora a Renault-Nissan-Mitsubishi. A marca dos diamantes usou motores Diesel PSA nos últimos anos.

Nissan

A linha de raciocínio é a mesma. Aliança Renault-Nissan-Mitsubishi, o maior grupo automóvel da atualidade. Os motores são de produção própria para usar nas marcas do grupo (e associadas).

Opel

A Opel passou a fazer parte do Grupo PSA há cerca de dois anos, pelo que os motores (e tudo o mais) têm origem no grupo francês. Em tempos, houve parcerias com Isuzu, Fiat e BMW.

Peugeot

A marca do leão recorre aos motores do Grupo PSA, evidentemente, com quem divide tarefas com a Citroën e agora com a Opel.

Porsche

A famosa marca de desportivos (e SUVs… desportivos) usa motores oriundos do Grupo Volkswagen. Evidentemente que não são trabalhados da mesma forma que num Volkswagen ou num Seat mas a base é do grupo alemão.

Renault

O construtor francês usa motores seus, embora desenvolvidos com e para a Aliança Renault-Nissan-Mitsubishi.

Rolls-Royce

A elitista marca britânica faz uso da tecnologia BMW para fabricar o seu requintado V12.

Seat

Falar de Seat é, obviamente, falar do Grupo Volkswagen, que pegou na marca espanhola e fez dela o que é hoje.

Skoda

Idem aspas… O construtor checo nunca mais foi o mesmo desde que foi integrado no gigante Volkswagen e passou a usar tecnologia TDI.

Smart

O carro mais pequeno da Mercedes-Benz, ao abrigo do acordo que esta tem com a Renault, usa motores (e não só) da marca francesa.

Suzuki

A revitalizada Suzuki tem unidades próprias a gasolina e motores PSA nos Diesel.

Toyota

A Toyota usa motores próprios. Há alguns anos, pediu emprestado um 2.0 Diesel à BMW (que usou no Avensis). Agora, no novo Toyota Supra, o fornecedor continua a ser a marca germânica.

Volkswagen

A Volkswagen é, obviamente, servida com motores produzidos pelo Grupo Volkswagen.

Volvo

Antes da “era martelo de Thor”, a Volvo usou propulsores de outras marcas, como Renault, PSA e Ford. Esses tempos já lá vão e hoje a marca sueca, detida pelos chineses da Geely, produz os seus próprios motores. A Volvo apresentou recentemente a marca Polestar (que foi o preparador oficial dos Volvo) como marca de automóveis elétricos.

 

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