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O que é que eu tenho a ver com a Euribor?

As taxas Euribor voltaram a bater mínimos de sempre a 3, 6 e 12 meses. Bateram novos recordes negativos todos os dias da primeira semana de Julho. E isso afeta-nos a todos.

O que é que eu tenho a ver com a Euribor?
A rubrica de Pedro Andersson (Contas Poupança) no E-Konomista

Tenho a certeza de que todos vocês já ouviram falar da Euribor e sabem que tem qualquer coisa a ver com o crédito à habitação. Mas sei também que há muitas pessoas que não fazem ideia da relevância dessa taxa na mensalidade do que pagam ao banco. Este artigo é, em primeiro lugar, para essas pessoas. Em segundo lugar, é para quem sabe o que é a Euribor mas não sabe o que fazer com essa informação.

Porque estou a falar deste assunto? Porque as taxas Euribor voltaram a bater mínimos de sempre a 3, 6 e 12 meses. Bateram novos recordes negativos todos os dias da primeira semana de Julho. Ou seja, afeta-nos a todos.

O que é a Euribor?


euribor

Vou simplificar ao máximo para podermos complicar no futuro. Se a vossa prestação da casa ao banco fosse um bolo, o spread seriam os ovos, os seguros e comissões seriam a farinha e o leite, e a Euribor seria o fermento. Se puser muito fermento cresce mais, se tiver menos fermento cresce menos.

Por este exemplo já começa a perceber a importância que a Euribor tem na sua vida: se essa taxa Euribor subir a sua prestação cresce, se descer a sua prestação desce.

Nós não temos nenhuma influência sobre essa taxa, só os bancos mandam nela. Não depende de nada que possamos fazer ou dizer. Depende sim das condições da economia europeia e mundial. Todos os dias sobe, desce ou fica igual.

A vossa prestação ao banco é revista de 3 em 3 meses, de 6 em 6 ou uma vez por ano. Se quando a vossa mensalidade for revista, ela for calculada com os valores da Euribor que estiverem na altura, isso significa que a prestação vai descer ou subir durante o prazo que acordaram com o banco. No meu caso ela mantém-se igual durante 3 meses e depois é revista conforme a média dos 3 meses anteriores. Têm de ver como é no vosso caso.

Faço aqui esta breve explicação porque alguns leitores perguntaram-me porque é que a Euribor está a descer e a prestação deles aumentou ou ficou igual. A explicação é esta: depende da fórmula de cálculo que assinaram no contrato. Pode ser uma média, pode ser o último dia do período do prazo que ficou acordado, etc.

As taxas nunca estiveram tão negativas


A taxa Euribor a seis meses, a mais utilizada em Portugal nos créditos à habitação, desceu nos primeiros dias de Julho para -0,344%, novo mínimo de sempre. A Euribor a três meses recuou para -0,360%, e no prazo de 12 meses, a taxa Euribor desceu para um novo mínimo de sempre, de -0,268%.

Com as taxas nestes valores, quem tem Euribor a 6 meses e um spread de 0,3 (sim, existem) quer dizer que o banco vai ter de vos pagar 0,044% por terem esse empréstimo. Eu, que tenho a 3 meses, a CGD “paga-me” 3 euros e qualquer coisa todos os meses há quase 1 ano. Só amortizo e ainda recebo. É estranho, mas é assim.

Em conclusão, seja qual for o seu spread contratado, quanto mais a Euribor descer, mais desconto terá nos juros que está a pagar ao banco e assim a sua prestação vai descer. Por exemplo, se tiver um spread de 1,5% com Euribor a 1 ano na prática com este último valor, o spread “real” vai ser de 1,232% (1,5-0,268) quando a prestação sofrer a revisão na data de aniversário do contrato.

Não vai durar sempre

Aproveite porque esta situação não vai durar para sempre. Coloque de lado o que está a poupar estes anos desde 2015, não para gastar mas para investir no que entender, para quando a Euribor subir ter alguma reserva para absorver esses aumentos. Também pode amortizar no crédito embora o efeito seja mais emocional (“Vou ver-me livre do banco mais cedo”) do que racional porque quase não vai notar nada na prestação nos primeiros meses. Serão apenas cêntimos. Só notará o efeito quando a Euribor subir muito. Terá de ser você a decidir o que fazer.

O ideal era fazer a conta ao que estamos a poupar mensalmente com esta descida da Euribor e fazer uma transferência automática no banco, todos os meses assim que recebemos, para outra conta para não vermos esse dinheiro. Isso sim, era uma decisão inteligente.

Mas mesmo que não façam nada, o importante é andarem em cima das contas que fazem a vossa prestação da casa. E saberem quando a maré (Euribor) virar. Sim, porque a Euribor não vai continuar assim para sempre. Talvez mais 2 anos, dizem os especialistas.

No entanto, já tivemos a experiência de que um acontecimento mundial faz virar a mesa de um momento para o outro. E a sua prestação em poucos meses pode subir 200 ou 300 euros. A minha em 2008 subiu 400 euros.

Sem querer estar a dar conselhos, não seria então má ideia pôr dinheiro de lado para amortizar a casa, antes que a prestação suba. Até pode investir esse dinheiro e assim fazer o seu dinheiro crescer e pô-lo a trabalhar para si. Assim, quando a Euribor subir, podem baixar a prestação amortizando a casa com o dinheiro que colocaram a render. Ou usar o dinheiro para pagar a prestação. Façam contas.

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Pedro Andersson Pedro Andersson

Pedro Andersson é jornalista e responsável pela rubrica Contas-poupança, no Jornal da Noite da SIC. Trata semanalmente de temas ligados às finanças pessoais, poupança e direitos dos consumidores. Trabalhou na Rádio TSF, até ser convidado para ser um dos jornalistas fundadores da SIC Notícias. Escreve também regularmente no Expresso e na Visão sobre temas de poupança.

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