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Obesidade infantil: um alarme de peso na sociedade

A obesidade infantil é um dos principais problemas da população europeia. Conheça as principais causas e formas de prevenção.

Obesidade infantil: um alarme de peso na sociedade
Como combater a obesidade infantil

A obesidade infantil tem sido abordada como uma epidemia no século XXI pelo crescente aumento da prevalência por todo o mundo. Desde 1980 que a sua prevalência triplicou em alguns dos países europeus. Cerca de 20% da população europeia é obesa e estas tendências são particularmente preocupantes entre as crianças dos estratos socio-económicos mais desfavoráveis. O que se torna ainda mais preocupante é o facto de esta taxa de crescimento continuar numa tendência crescente.

A publicidade, o acesso a “junk food”, a falta de tempo dos pais para cozinharem refeições nutritivas e os preços competitivos das comidas menos saudáveis fazem com que a obesidade infantil seja um dos principais problemas do nosso século.

Obesidade infantil: o que deve saber para combater o problema


 obesidade infantil

Já lá vai o tempo em que gordura era formusura! Antigamente, ser redondinho era um sinal de riqueza ou de saúde. Atualmente, sabe-se que representa ou comporta riscos para a saúde a curto, médio e longo prazo.

Existem vários fatores que contribuem para a obesidade na infância, mas os principais são os erros alimentares e a falta de exercício físico. As estatísticas revelam que continua a ser necessário olhar para este problema com seriedade, pois ele afeta a sociedade e a saúde pública.

As crianças correm menos e “trepam” menos às árvores, veem mais televisão, ocupam-se mais com tablets e tecnologias. Cozinha-se menos em casa refeições saudáveis, o fast food é cada vez mais barato, a oferta de comida em conserva e os doces são “prato do dia”.

Mas o barato sai caro! Em termos de saúde porque a sobrecarga de peso precoce perturba o saudável funcionamento e crescimento do organismo da criança. Em termos económicos e financeiros porque obriga a despesas em consultas e tratamentos médicos para consertar os estragos.

Panorama da obesidade infantil em Portugal

Este problema tem sido abordado como uma epidemia no século XXI pelo crescente aumento da prevalência por todo o mundo. Em Portugal, o panorama é preocupante.

Portugal encontra-se numa das posições mais desfavoráveis do cenário europeu, com mais de metade da população com excesso de peso. É também um dos países do espaço da Europa com maior prevalência de obesidade infantil, já que 30% das crianças apresentam sobrepeso e mais de 10% são obesas. Estima-se que 1 em cada 5 crianças, em Portugal e na Europa, tenha excesso de peso!

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Porque é que as crianças se tornam obesas?

A sociedade tem vindo a alterar os padrões alimentares ao longo dos anos em consequência da modernização dos padrões de vida e também da evolução da indústria alimentar.

O quotidiano da maioria das pessoas é muito apressado e resta pouca disponibilidade para escolher e confecionar os alimentos de forma saudável. A oferta de refeições rápidas pré- cozinhadas para micro-ondas, as conservas, a comida embalada e o fast food são o grande prejuízo para o peso das crianças.

De acordo com a British Medical Association, a causa principal do aumento de crianças obesas no mundo terá a ver com o equilíbrio de energia: as crianças ingerem grandes quantidades de alimentos face a uma reduzida prática de atividade física.

Outro dos fatores preocupantes reside na questão de, uma vez sofrendo de obesidade na infância, ser muito mais difícil reverter a situação na fase adulta.

Durante a adolescência, existem alguns fatores que podem influenciar a tendência para a obesidade: alterações psicológicas na fase de transição para a idade adulta, o sedentarismo, a baixa auto-estima, alimentação excessivamente calórica e a grande vulnerabilidade à publicidade de consumo.

Além destas causas, é ainda possível referir outras como:

  • Consumo exagerado de alimentos com excesso de açúcar e gordura e baixo valor nutritivo, como chocolates, bolachas, bolos rebuçados, gelados, snacks de pacote, etc.;
  • Alto consumo de bebidas açucaradas em vez de água;
  • Falta de descanso, diminuição das horas de sono da criança;
  • Ingestão de pouca quantidade de fruta e legumes;
  • Muitas refeições fora de casa;
  • Obesidade da mãe durante a gravidez, ou diabetes não controlada;
  • Horários incertos para a ingestão das refeições (falta de “rotina”);
  • Acesso fácil e rápido aos ditos alimentos “fast food”;
  • Vida muito sedentária, como resultado da ligação aos entretenimentos tecnológicos, em detrimento da atividade física;
  • Falta de controlo dos pais face ao que os filho comem;
  • Alterações psico-sociais das crianças;
  • Fatores genéticos associados (família obesa).

Se é verdade que 95% dos fatores que contribuem para uma propensão maior à obesidade são de caráter exógeno, não podemos esquecer os 5% de caráter endógeno. A probabilidade de obesidade aumenta em proporção ao pai e/ou a mãe serem obesos também.

Quais as complicações e riscos da obesidade infantil?

Uma criança é obesa ou tem excesso de peso quando a comida que ingere tem uma quantidade de calorias superior à quantidade despendida. Resulta num acúmulo em forma de gordura, determinando um Índice de Massa Corporal (IMC) desapropriado para o sexo e a idade da criança.

Infelizmente, as complicações resultantes são de ordem física e psicológica. Vejamos:

  • Doenças cardiovasculares, como aumento do colesterol e/ou triglicerídeos, hipertensão arterial;
  • Intolerância à glicose com posterior risco de desenvolvimento de diabetes tipo 2;
  • Problemas respiratórios (asma) e apneia de sono;
  • Doenças osteoarticulares (sobrecarga);
  • Maior propensão para desenvolver doenças cancerígenas;
  • Graves problemas psicossociais, pois estas crianças são muitas vezes vítimas de bullyingsão alvo de “troça” na escola, afetando a sua autoestima e o rendimento escolar, com posteriores fragilidades psicológicas na vida adulta e, talvez, este seja o principal fator de ameaça de maior peso na vida das crianças.

 

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 Como prevenir? Como combater a obesidade infantil?

A prevenção é o melhor remédio e a cura é possível. O peso é proporcional à altura, e é necessário manter uma alimentação equilibrada e apostar no exercício físico.

Quando a criança tem peso a mais, ou está gordinha, ou cheinha, ou rechonchudinha, ou bolachudinha, ou… obesa, é necessário intervir. Não subdiagnosticar, mesmo quando os exames médicos não revelam danos na saúde, ou seja, mesmo que esteja tudo bem com as análises.

Veja algumas dicas:

  • Apostar na reeducação alimentar da criança e, principalmente, dos pais. São estes que compram os alimentos, que os preparam e que os colocam na mesa;
  • Integrar a criança na responsabilidade de cuidar de si e a sua importância, promovendo a sua participação na tomada de decisões alimentares e ensinar as implicações para a saúde;
  • Menos tablet, menos TV, menos vídeos! Mais desporto, mais ar livre, mais exercício;
  • Fazer refeições em família e sem a TV ligada;
  • Promover a coerência entre o que se ensina à criança e o exemplo que dá;
  • Não oferecer alimentos prejudiciais como recompensa, evitando mesmo ter em casa e acessível às crianças;
  • Permitir menos guloseimas, oferecer mais sopa, mais fruta, mais água!

 

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Ana Luisa Santo Ana Luisa Santo

Enfermeira especializada em acupuntura e medicina tradicional chinesa. É uma apaixonada pela saúde natural e terapias alternativas, explorando ativamente formas seguras de cuidar a saúde e o bem-estar. Trabalhou no Serviço de Cuidados Intensivos do Hospital Geral Santo António, Porto. Atualmente trabalha na consulta de acupuntura do Hospital da Lapa. Docente no Instituto Jean Piaget. Enfermeira voluntária na AMI.