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Paredes de Coura: Vozes dos que vão e dos que ficam

Paredes de Coura é conhecido como o "habitat natural da música" mas é muito mais do que isso. Fomos ouvir o que festivaleiros e locais têm para dizer.

Paredes de Coura: Vozes dos que vão e dos que ficam
Não só no recinto se faz o festival

Desde que começou há 25 anos, o Paredes de Coura tem vindo a tornar-se uma Meca dos festivais de Verão em solo português. Na edição deste ano, de 15 a 18 de Agosto, fomos falar com aqueles que marcam presença todos os anos e com os habitantes da vila que vêem os seus negócios afectados pelo festival.

Os veteranos de Paredes de Coura


Conhecido como “o habitat natural da música”, o festival estende-se junto às margens do Taboão, crescendo para uma vasta área de campismo onde festivaleiros de todas as idades constroem refúgios impressionantes. À beira-rio, as tardes são passadas a apanhar sol, a dormitar por entre as sombras das árvores ou a boiar em insufláveis de todas as cores e feitios. Muitos instalam-se dias antes do início do festival para estender o convívio e assistir ao Sobe à Vila, evento protagonizado por nomes do panorama musical nacional que decorre durante os quatros dias que antecedem o arranque oficial do Vodafone Paredes de Coura.

É o caso de José Humberto, habitante de Braga que todos os anos percorre os cerca de 70 quilómetros que o separam do festival para preparar o que já se tornou num dos mais icónicos acampamentos do festival. Desde o primeiro ano do evento em 1993 que este espaço tem vindo a ser aumentado e melhorado. Começaram com uma ou duas tendas, mas com o passar do tempo chegaram a ser 40 pessoas e a trazer prateleiras, barris de cerveja e até um frigorífico. “Funcionamos como uma família. Aqui, come-se e bebe-se, ri-se e brinca-se”, conta José, garantindo que no acampamento já há tradições: a chanfana de javali é um prato obrigatório da semana que é sempre encerrada com um arroz de cabidela cozinhado na hora. Também na Vila são já um ícone do festival. “Quando regressamos ao Paredes, há festa garantida no Café do Pi, no Restaurante Miquelina e no InterMarché”, diz. Para além do cartaz, que é “pioneiro” na apresentação de novas bandas, José destaca a paisagem, o anfiteatro natural em torno do palco e o ambiente inigualável do festival.

Paredes de Coura

Também Mara Mures, presente já em cinco edições, indica o ambiente como a maior qualidade do festival. Formada em Artes, Mara aproveita para captar o espírito do evento em desenhos a aguarela que quase dispensam máquinas fotográficas. Todos os momentos são propícios a serem representados no pequeno bloco que leva sempre consigo – desde pessoas a dormir à beira-rio ao ambiente dentro do recinto. “Aqui, sinto que estou a ser produtiva. Sinto que todos os momentos são perfeitos para desenhar”, acrescenta.

Paredes de Coura

Diego Bernard, que foi pela primeira vez ao Paredes de Coura com apenas 13 anos, confirma que o ambiente é incomparável ao de outros festivais. Quando confrontado com a razão pela qual continua a vir, não hesita: “Acabo sempre por ter saudades. É bonito”. Quando começou a frequentar o festival, em 2011, Diego foi com os seus pais. Hoje, aos 20 anos, tem um grupo de amigos que o acompanha ano após ano, partilhando o seu entusiasmo pelo festival que, apesar de acharem que se está a tornar mais comercial com o tempo, continua a ser um dos seus projectos essenciais de Verão. Assim o é para muitos outros festivaleiros – um evento que faz já parte do imaginário de Agosto.

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Paredes de Coura: Vozes dos que fazem a vila

O Vodafone Paredes de Coura faz a delícia dos festivaleiros, é certo, mas terá o mesmo efeito nos habitantes da vila? São muitos os campistas que se dirigem aos cafés e restaurantes de Paredes de Coura em busca de uma refeição quente, da primeira bebida do dia ou de um café bem tirado. Subir à vila é já uma tradição, tanto para os que procuram apenas fugir ao calor, como para os que querem pôr a leitura em dia ou encontrar, entre as montras coloridas, formas de melhorar o seu acampamento.

“Do oito para o oitenta”, é como José Silva, gerente do Restaurante Arcada, descreve a diferença entre o ritmo normal do negócio e o da altura em que os festivaleiros começam a chegar. O estabelecimento, que fica na rua principal da vila, é um dos mais frequentados durante estes dias, o que exige uma grande preparação prévia e uma redução da ementa. Não poderia ser de outra forma, visto que “se não fosse o festival, muitos dos negócios estavam fechados”.

Enquanto serve um café a um cliente habitual, José, que trabalha no Arcada há 35 anos, fala da “malta conhecida” que, ano após ano, regressa ao restaurante como parte da sua peregrinação à pequena vila em Viana do Castelo.

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Também na Papelaria Nova Coura se encontram caras conhecidas. Por entre revistas e cadernos, Natália Cerqueira e Lurdes Paixão dizem que são muitos os festivaleiros que vão buscar o jornal diário, essencial para uma tarde de sol à beira-rio, revistas e tabaco. No entanto, embora Agosto seja ainda o mês mais agitado, a competição tende a crescer. “Agora há tudo no recinto”, explica Lurdes, “há mais oferta lá dentro e, por isso, na vila vende-se menos”. O impacto no comércio é positivo e, para a maioria, também o é o convívio com os que vêm de fora. “Algumas pessoas de idade é que não gostam tanto, pensam que é demasiada confusão”, explica Natália.

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Ana e Celso Barbosa, proprietários da loja X Decor há 20 anos, confirmam que muitos dos seus clientes habituais tendem a afastar-se por causa da agitação provocada pelo festival. “Pessoalmente, a diferença nota-se de forma negativa. As pessoas das aldeias não vêm tanto à vila”, diz Ana, e os festivaleiros, já munidos de tudo o que precisam, não procuram a loja, que se encontra um pouco distante da rua principal. No entanto, Ana e Celso continuam a tentar cativar os campistas, adaptando o negócio e aumentando a oferta de artigos como calções de banho, insufláveis, toalhas de praia e cadeiras.

Celso explica que, apesar de o festival não trazer benefícios para o seu negócio, o impacto na vila é de grande valor. De pulseira do Vodafone Paredes de Coura no pulso, garante que não perde um ano do evento – afinal, este faz já parte da identidade da pequena vila.

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