Publicidade:

PERSI: como funciona este aliado em casos de incumprimento

O PERSI possibilita a renegociação das condições contratuais de crédito entre as instituições que o prestam e os seus devedores. Conheça as vantagens e os procedimentos.

PERSI: como funciona este aliado em casos de incumprimento
Saiba do que se trata e como funciona este mecanismo

PERSI – Procedimento Extrajudicial de Regularização de Situações de Incumprimento – sintetiza-se numa possível negociação entre instituições de crédito e os seus devedores, por forma a que estes consigam regularizar os seus empréstimos segundo condições facilitadas que são renegociadas por ambas as partes, evitando, assim, o sistema jurídico como meio de resolução.

Este mecanismo é aplicável à grande maioria dos contratos de crédito, excetuando os realizados em regime de locação financeira.

Quem se encontra elegível para integração no PERSI?


A integração neste procedimento extrajudicial pode cumprir-se, essencialmente, por três vias:

  • O cliente de crédito pode requerer a sua integração neste instrumento;
  • De forma imediata, após um atraso no pagamento, caso o cliente tenha alertado a entidade de crédito, de forma prévia, para o risco de incumprimento;
  • Entre o 31º e o 60º dia após falhar uma das prestações.

PERSI

Como decorre, então, o procedimento após a integração?


Cabe à instituição financeira, após a entrada de um determinado cliente de crédito seu no PERSI, realizar uma análise à capacidade financeira deste, de forma a avaliar a veracidade das suas alegações e/ou a sua situação de incumprimento.

Num prazo de 30 dias, a entidade de crédito deverá formalizar uma ou várias propostas, no sentido de facilitar a regularização do incumprimento do seu cliente. Como o PERSI se baseia num mecanismo negocial, até 15 dias após a receção das novas condições adiantadas pela instituição de crédito, o devedor tem o direito de as contrapor com as suas propostas.

Assim que se chegue a um acordo entre as partes, o cliente de crédito fica vinculado e obrigado a cumprir com as novas condições do contrato.

Durante o decorrer deste mecanismo, a instituição de crédito encontra-se impedida de:

  • Transferir a sua posição contratual para partes terceiras;
  • Atuar judicialmente contra o seu cliente tendo em vista o reaver do crédito;
  • A dissolução do contrato de crédito com fundamento no incumprimento. 

Em que condições pode suceder a extinção imediata do PERSI?


Para além do agir de má-fé e da não colaboração do cliente de crédito no sentido de se estabelecer um caminho que aponte a um acordo, a insolvência, a não disposição de capacidade financeira e, ainda, o executar de atos que possam pôr em causa as garantias da instituição de crédito conduzem ao direito da entidade concessora de crédito extinguir o PERSI de forma imediata.

Por outro lado e por razões óbvias, o pagamento integral das quantias em dívida, bem como o decretar de insolvência do devedor conduzem, igualmente, à automática extinção do procedimento em causa. 

Por fim, quais as suas vantagens?


O PERSI apresenta vantagens sistémicas claras, tendo em vista os benefícios para os seus intervenientes e para a sociedade:

  • Com uma menor carga burocrática, permite uma maior celeridade no processo de renegociação entre credor e devedor;
  • Evita a execução de mais processos jurídicos em curso, num sistema atualmente moroso;
  • O devedor vê as suas condições melhoradas com a renegociação, atenuando o seu esforço financeiro no que à liquidação dos seus créditos concerne;
  • Por último, a instituição de crédito revê em alta a sua possibilidade de o montante previamente atribuído ser regularizado e, na grande maioria dos casos, a quantia devida é efetivamente restituída.

 

Veja também:

Gonçalo Sobral Martins Gonçalo Sobral Martins

Gonçalo Sobral Martins é Economista e tem especialização em Marketing Estratégico (ambos pela Faculdade de Economia do Porto), tendo sido eleito como um dos 7 melhores estudantes da sua Faculdade (FEP). Cursou, ainda, na Universidade Carlos III de Madrid e detém uma formação executiva pela Harvard BS. Em 2014, foi vice-campeão nacional de Debates Universitários. Em termos profissionais, Gonçalo possui experiência em três áreas distintas: Auditoria (Deloitte), Consultoria Estratégica e Operacional (Sonae MC) e Consultoria Financeira e Fiscal (F. Iniciativas). É, atualmente, formador nas áreas de Estratégia Empresarial, Marketing e Big Data, sendo, também, cronista/analista regular no Jornal Vida Económica.

O E-Konomista disponibiliza e atualiza informação, não presta serviços de aconselhamento fiscal, jurídico ou financeiro. O E-Konomista não é proprietário nem responsável pelos produtos e serviços de terceiros apresentados, por conseguinte não será responsável por quaisquer perdas ou danos que possam resultar de quaisquer imprecisões ou omissões. A informação está atualizada até à data apresentada na página e é prestada de forma geral e abstrata, tratando-se de textos meramente informativos, pelo que não constitui qualquer garantia nem dispensa a assistência profissional qualificada. Se pretender sugerir uma atualização, por favor, envie-nos a sua sugestão para: [email protected].