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A sua prestação da casa está a ser bem calculada?

Somos consumidores tão bem mandados que as empresas dizem quanto temos de pagar e nós pagamos sem questionar. É um péssimo hábito.

A sua prestação da casa está a ser bem calculada?
A rubrica de Pedro Andersson (Contas Poupança) no E-Konomista

Nota prévia. Não estou a lançar nenhuma suspeita sobre o cálculo das prestações nos vários bancos. Estarão certas, com toda a certeza. Mas tenho-me apercebido de que quase ninguém sabe como calcular a prestação do banco, seja do Crédito à Habitação, Automóvel ou Pessoal.

Recebi nas últimas semanas dezenas de mensagens de espectadores do Contas-poupança – rubrica que faço às quartas-feiras, no Jornal da Noite na SIC – a perguntar (a propósito da taxa de juro negativa que começa a ser calculada este mês de Setembro para quem tem spreads de 0,3% ou menos) se as contas deles estão bem.

Somos consumidores tão bem mandados que as empresas dizem quanto temos de pagar e nós pagamos sem questionar. É um péssimo hábito. Devemos sempre confirmar se as contas que nos fizeram estão certas. Isto tanto vale para as contas do supermercado (costuma conferir sempre os talões?) como as prestações dos créditos e até dos seguros.

Como sei se o banco está a fazer bem as contas?


A sua prestação da casa está a ser bem calculada?

É simples. No seu homebanking ou no seu extrato bancário tem lá o montante em dívida e os meses que lhe faltam pagar.

Imagine que ainda lhe falta pagar 100.000€. Divide pelos meses em dívida, por exemplo 360. Dá uma mensalidade de 277,78€. A esse valor tem de acrescentar o juro que deve pagar ao banco. É a linha TAE (Taxa Anual Efetiva) que tem no seu extrato. Vamos supor que é 0,5%, por exemplo.

Soma aos 277,78€ essa percentagem de 0,5 sobre a prestação. Ou seja, tem de pagar mais 1,39 €. Dá uma mensalidade de 279,17 €. Mas não acaba aqui.

A este valor terá de pagar – depende do banco – uma comissão de processamento da prestação. No caso da CGD é de 2,50 €, a que tem de somar o imposto de selo (4%, ou seja mais 10 cêntimos). Esta comissão é completamente ridícula mas como consumidores por enquanto não podemos fazer nada. Estão a cobrar-nos uma mensalidade para nos tirarem o dinheiro da conta. Estamos todos os meses a pagar só para podermos pagar a prestação. Isto não me entra na cabeça.

No total, a sua prestação este mês seria de 281,77€. Confirme se é isso que o banco lhe está a cobrar. Terá de, obviamente, usar os seus valores exatos. E assim sucessivamente todos os meses, face ao valor em dívida. Faça as contas, só para ter a certeza de que percebeu o raciocínio.

E quem tem taxa negativa?

Se tem uma taxa negativa (há cerca de 30 mil portugueses que estão nesta situação) as contas são mais complicadas de fazer, mas não é nada do outro mundo.

A lógica é simples: é calcular o valor da taxa de juro negativa (como se fosse positiva) e em vez de somar esse valor à prestação, faz o contrário: subtrai. A esse valor soma a comissão de processamento da prestação e o imposto de selo e será isso que deverá pagar.

Confirme se o seu banco está fazer bem as suas contas. Como este mês de Setembro é a primeira vez que os bancos estão a fazer esta conta negativa é importante que confirmemos se as contas estão a ser bem feitas. Nunca fiando.

Repito: não estou a levantar nenhuma suspeita sobre as contas dos bancos. Mal de nós (e deles) se essas contas estiverem mal feitas. Só estou a levantar esta questão porque no meu caso – sou cliente da CGD – o valor do desconto na prestação está correto mas não corresponde ao que o banco prometeu na carta que enviou aos clientes.

Na carta formal, o meu banco diz que vai fazer refletir o “desconto” da taxa de juro negativa no capital em dívida e pelas minhas contas só está a fazer refletir esse “desconto” em um terço e os outros 2 terços dos 3 euros que o banco me deve pagar todos os meses estão a ser descontados no valor da prestação e não no montante em dívida.

Já pedi explicações ao apoio ao cliente da CGD há 3 semanas e continuam sem me conseguirem explicar quais são as contas deles. Tiveram de mandar a pergunta para um departamento “superior”. Continuo a aguardar.

Aprenda a fazer as contas ao que paga, nos bancos e no resto. O saber não ocupa lugar. Um consumidor bem informado é um consumidor com mais dinheiro no bolso.

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Pedro Andersson Pedro Andersson

Pedro Andersson é jornalista e responsável pela rubrica Contas-poupança, no Jornal da Noite da SIC. Trata semanalmente de temas ligados às finanças pessoais, poupança e direitos dos consumidores. Trabalhou na Rádio TSF, até ser convidado para ser um dos jornalistas fundadores da SIC Notícias. Escreve também regularmente no Expresso e na Visão sobre temas de poupança.