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5 estrelas? Reviews falsas inundam Amazon

A Amazon baseia parte do seu sucesso nas avaliações feitas a produtos comprados por utilizadores, mas há centenas por verificar que estão a iludir clientes.

5 estrelas? Reviews falsas inundam Amazon
Avaliações não foram verificadas

As 5 estrelas que encontra na Amazon são fiáveis? Parece que não, pelo menos nem todas. Um estudo recente concluiu que há centenas de avaliações falsas feitas por utilizadores de forma a melhorar o ranking de determinados produtos vendidos no site. As estrelas dadas estão ainda por verificar.

Amazon com centenas de avaliações por confirmar


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Quem detetou a falha foi a empresa Which?, conceituado grupo especialista neste género de verificações. Numa primeira análise, repararam num aumento significativo no número de avaliações feitas em determinados produtos, algo que os fez suspeitar de que algo não estaria bem.

Se conhece o funcionamento da Amazon, um dos melhores sites para compras internacionais a partir do nosso país, sabe que é possível avaliar um artigo que tenha comprado de forma a que futuros utilizadores tenham uma base informativa onde podem verificar a legitimidade de um produto ou vendedor.

Saberá também que para além de um comentário, pode avaliar o produto e a experiência de compra com estrelas, sendo que pode completar as mesmas conforme a sua opinião (de 0 a 5, que significa total satisfação para com o serviço). Foi precisamente este género de classificação (máxima) que fez a Which? suspeitar da legitimidade das mesmas avaliações.

Falha detetada em produtos tecnológicos

A Amazon é famosa por vender vários produtos tech a ótimos preços que, na sua maior parte, têm preços muito mais baixos do que aqueles praticados em lojas, e que não implicam o pagamento de portes de envio (na maior parte dos casos). Foram 14 as categorias em que foram detetadas anomalias, entre elas auscultadores, dashcams, monitores de atividade física e smartwatches.

A investigação da Which? percebeu que os existiam reviewers comuns a grande parte dos artigos, sendo que os nomes mais comuns eram Itshiny, Vogek e Aitalk. Estes foram os principais utilizadores fantasma descobertos pela entidade responsável pelo estudo e que fizeram a mesma duvidar da sua veracidade, tanto do utilizador como da review.

De facto, nenhuma das avaliações deixadas por esses (e outros) utilizadores foi devidamente verificada pela Amazon, sendo que nem sequer existe prova de que aqueles artigos foram sequer comprados – situação que coloca imediatamente em causa a própria review.

As falhas encontradas na Amazon


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Os números

Sendo os produtos tecnológicos aqueles mais afetados por estas falsas avaliações, alguns números chegam mesmo a impressionar. Por exemplo, uma pesquisa feita apenas na categoria de headphones, demonstrou que a maior parte das reviews positivas pertenciam a marcas pequenas e pouco conhecidas.

Não fosse esse motivo que bastasse para levantar qualquer suspeita, a verdade é que, em mais de 12000 reviews, 87% pertenciam a utilizadores cujas contas nunca foram verificadas pela Amazon. Os números da Which? vão mais longe ao confirmar que 71% desses auscultadores tinham apenas avaliações de 5 estrelas.

Para além disso, os produtos associados, em vez de se relacionarem com os phones em causa, pertenciam a categorias muito díspares, tais como doseadores de sabonete. Uma das marcas melhor avaliadas era a Celebrat, uma suposta fabricante de auscultadores que tinha arrecadado 489 reviews, todas no mesmo dia.

A Which? acabou por verificar situações semelhantes em outras categorias, como a dos smartwatches, onde 99% das avaliações encontradas nos 4 primeiros produtos estavam por verificar. Esta e outras constatações levaram a empresa especialista neste género de avaliações a colocar em causa a própria Amazon.

Amazon defende-se

Natalie Hitchins, responsável pelos produtos home da Which?, afirmou que esta foi a estratégia encontrada pelos responsáveis destas marcas falsas de colocar os seus produtos no topo de vendas, influenciando assim futuros compradores a optarem por artigos com base nas suas avaliações (não tendo conhecimento da sua credibilidade).

Hitchins foi mais longe ao afirmar que a Amazon, a par de outras lojas semelhantes, deve esforçar-se mais em prol dos seus consumidores, trabalhando de forma a evitar a propagação deste tipo de avaliações que induzem outros utilizadores em erro e que, no limite, podem mesmo pagar por algo que nunca vão receber.

Depois de pedir que a empresa consiga verificar a quantidade de perfis falsos que se espalham por todo o site, a Amazon emitiu um comunicado onde afirma que investe “recursos significativos para proteger a integridade das avaliações no site” por saber que os “clientes valorizam as perceções e experiências partilhadas por outros compradores”.

A empresa afirma também que tem “regras de adesão claras, tanto para utilizadores, como para vendedores”, reiterando que são proibidos, ou banidos, todos aqueles que não as respeitem.

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Luísa Santos Luísa Santos

Licenciada em Ciências da Comunicação - Jornalismo, Mestre em Multimédia, cantora sem diploma nas horas livres. Trabalha atualmente em Marketing e Comunicação, é viciada em redes sociais e fervorosa adepta do desenrasque.