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Como surgiram os semáforos? Conheça a história

Foram necessários cerca de 50 anos desde a sua invenção até vigorar como um sucesso. Descubra como surgiram os semáforos, e saiba que influencia tiveram os semáforos no futebol.

Como surgiram os semáforos? Conheça a história
Sabia que os cartões de futebol basearam-se nos semáforos?

Hoje em dia seria inconcebível viver sem sinais luminosos, definição técnica e legal dos semáforos. Afinal, a sua utilidade é superlativa. É graças à sua utilização que há uma maior segurança rodoviária, há menos acidentes e engarrafamentos e, além disso, os peões podem atravessar a estrada sem qualquer tipo de preocupação.

Como é de conhecimento geral, os semáforos têm habitualmente três cores: o verde, que permite prosseguir a marcha; o amarelo, que indica a necessidade de abrandar, se possível; e o vermelho (embora nas passadeiras, travessias de linha e em outras ocasiões possam haver outras colorações), que proíbe a continuidade de circulação.

Embora, atualmente todas estas questões sejam um dado adquirido, para os mais curiosos, fomos aos arquivos históricos pesquisar e descobrir como surgiram os semáforos e a sua respetiva história.

Como surgiram os semáforos: a primeira experiência


primeiros semaforos

O método de tentativa e erro, usado já desde o tempo da Grécia Clássica, continua a ser um dos principais da ciência moderna. A prova disso está mesmo na forma como surgiram os semáforos.

Numa altura em que os carros eram movidos a vapor e circulavam na estrada juntamente com carruagens e cavalos, J.P. Knight, um engenheiro inglês especialista em assuntos rodoviários, propôs uma inovação, construída a 9 de dezembro de 1868, na junção das ruas Great George Street e Bridge Street, junto à ponte de Westminster, em Londres, Inglaterra. Qual foi essa novidade? Simples, o primeiro semáforo.

Resumidamente, tinha duas cores: verde e vermelho, que indicavam a possibilidade de continuar a circulação com ou sem cautela, respetivamente. As cores eram iluminadas por lâmpadas a gás que, por sua vez, eram controladas por dois polícias. Porém, durante o dia, em vez das cores, o que geria o tráfego, eram dois braços: um na horizontal que indicava a ausência de perigo na progressão da marcha e outro na vertical que manifestava exatamente o oposto.

No entanto, esta ideia só teve uma duração de um mês. A 2 de janeiro, um acidente nessa mesma interseção provocou a morte de um dos polícias. A inovação teria então um interregno de cerca de 50 anos, mais precisamente até 1920. Nesse período, a ideia manteve-se unicamente nas ferrovias e na Alemanha, onde se criou um outro sistema luminoso: uma torre construída no meio da estrada, na mesma com o verde e o vermelho a alterarem através da intervenção manual.

Como surgiram os semáforos: o sucesso

semaforo ferroviario

Em 1920, já depois da invenção do carro moderno pelo alemão Karl Benz e numa altura em que já era esta a principal forma de transporte, finalmente conseguiu-se colocar um semáforo totalmente elétrico que, assim, diminuísse o perigo aos que o geriam manualmente. A sua invenção foi atribuída a William L. Potts, polícia e inventor de Salt Lake City. A primeira experiência ocorreu em Detroit, entre a Avenida Michigan e a Rua Woodward. O sucesso foi quase imediato. No espaço de um ano colocaram-se mais 14 semáforos.

A inspiração de Potts veio dos sinais ferroviários, mas enquanto os comboios seguiam num só sentido, nas estradas foi necessário regular a temporização das cores dos diferentes semáforos colocados com os vários sentidos em que seguiam os veículos. Assim, nasceu uma das maiores invenções rodoviárias de sempre. Assim, surgiram os semáforos.

As cores

Há, no entanto, outro aspeto a ter em consideração. As cores escolhidas. Analisando bem as escolhas, percebe-se que as mesmas não foram obra do acaso.

Vermelho

O vermelho é um sinal de perigo desde o tempo dos romanos, que as usavam para indicar essa mesma situação nas legiões dos Império há mais de 2.000 anos.

Amarelo

Inicialmente a cor escolhida era o branco, mas depois de um acidente, em 1914, provocado pelo facto de uma das lâmpadas ter caído e provocado um acidente entre dois comboios, começou a utilizar-se o amarelo, uma cor distinta entre o verde e o vermelho. É importante realçar que, sem lâmpada, a cor que era iluminada em cada uma das lâmpadas era o branco.

Verde

É a cor precisamente contrária ao vermelho no espectro da luz. Além disso, é uma cor que se distingue com facilidade.

Os semáforos inspiraram a criação dos cartões de futebol

cartoes do futebol

A 23 de julho 1966, em Wembley, durante os quartos-de-final do Inglaterra vs Argentina, a contar para o Campeonato do Mundo de Futebol, mais precisamente aos 35 minutos, o capitão argentino Ratin protestou veementemente uma falta. Rapidamente, criou-se uma enorme confusão, que demorou a ser serenada. É que o árbitro era o alemão Rudolf Kreitlen. Logo, as três equipas falavam línguas diferentes e era quase impossível entenderem-se.

Após oito minutos de alvoroço, Ratin foi expulso para fora do campo. Mas, antes, partiu o mastro da bandeira inglesa, que sinalizava os cantos, e sentou-se de propósito na cadeira destinada à rainha Isabel II.

Perante os problemas de comunicação e para evitar novas ocorrências do género, a FIFA (organismo que tutela o futebol mundial) sentiu a necessidade de adotar um método de comunicação. A resolução foi delegada ao responsável de arbitragem do mundial seguinte, Ken Aston, que viu nos semáforos a solução para os problemas.

“Enquanto dirigia por Kensigton High Street, o semáforo ficou vermelho e foi aí que pensei: amarelo, tem calma; vermelho, vais para a rua”, explicou posteriormente o árbitro britânico à FIFA. Foi precisamente no Campeonato do Mundo de 1970, no México, que os cartões foram usados pela primeira vez de forma oficial.

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Afonso Aguiar Afonso Aguiar

A experiência no jornalismo de Afonso Aguiar percorre o desporto nacional. No E-Konomista, são os automóveis que conduzem a pena.