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Como superar um trauma: 6 conselhos essenciais

É normal sentir dificuldades em superar um trauma, ter medo, pesadelos e confusão de sentimentos. Saiba como prevenir o stress pós-traumático.

Como superar um trauma: 6 conselhos essenciais
Existem muitas situações capazes de nos traumatizar

O conceito de trauma começou por ser utilizado na medicina, como forma de explicar o diagnóstico de ferimentos expostos no corpo dos pacientes. Posteriormente, este conceito foi alargado a outras áreas, nomeadamente à Psicologia, tendo-se relevado importante na explicação e compreensão das diversas patologias mentais.

Trauma: o que é?


Um trauma psicológico é um acontecimento que, tal como acontece com o trauma físico, não é controlável pela pessoa que o vive, e que devido à sua imprevisibilidade, intensidade e gravidade provoca uma experiência intensa com que a pessoa não está capaz de lidar.

Quando somos confrontados com acontecimentos que não conseguimos prever e que, pelo fator surpresa, nos colocam numa posição de impotência, angústia, medo e desamparo, sentimos que não possuímos as aptidões necessárias para lhes fazer frente.

superar um trauma

Consequências do trauma


As consequências desencadeadas por um acontecimento traumático podem ser de curta duração ou prolongar-se no tempo, dando origem à perturbação de stress pós-traumático.

Perturbação de stress pós-traumático

Esta perturbação é um problema de ansiedade que surge, como o próprio nome indica, depois de uma pessoa ter sido exposta a um trauma psicológico. Pessoas com perturbação de stress pós-traumático estiveram expostas a traumas de grande gravidade, nomeadamente: ameaça de morte; morte real; ferimento grave; violência sexual; assalto; acidente de automóvel; incêndio; entre outros.

Pessoas com esta patologia estiveram expostas a traumas graves, mas a exposição pode não ter sido necessariamente direta, ou seja, podem por exemplo ter testemunhado acontecimentos que ocorreram a outras pessoas ou ter tomado conhecimento de que determinado trauma aconteceu a alguém próximo.

Pessoas com esta perturbação têm alguns dos seguintes sintomas:

a) Lembranças do trauma que causam mal-estar e que são intrusivas e recorrentes;

b) Sonhos perturbadores recorrentes, cujo conteúdo está relacionado com o trauma vivido;

c) Imagens mentais através das quais a pessoa sente ou atua como se o trauma estivesse a ocorrer novamente;

d) Mal-estar psicológico intenso e prolongado;

e) Reações físicas intensas face à exposição a estímulos que se assemelhem ao trauma;

f) Esforço para evitar memórias, pensamentos ou estímulos relacionados com o trauma;

g) Incapacidade para recordar algum aspeto importante do trauma;

h) Crenças negativas sobre si e sobre o mundo;

i) Culpar-se a si ou a outros pelo trauma;

j) Sentimentos depressivos, com perda de interesse e sensação de vazio;

k) Comportamento irritável, com acessos de raiva e com respostas de sobressalto exageradas;

l) Perturbação do sono e da capacidade de concentração.

Traumas de menos gravidade

Não é preciso estar envolvido numa situação de catástrofe ou perigo de vida para se vivenciar algo como traumático. Basta que, de alguma forma, o nosso organismo nos tenha entendido impossibilitados ou incapazes para lidar com uma dada situação.

Naturalmente que um trauma com esta gravidade menor não dá origem a uma perturbação de stress pós-traumático, mas tal não quer dizer que não provoque desconforto, ansiedade e não molde a nossa vida.

Como superar um trauma


como superar um trauma

Se viveu um trauma e apresenta sintomas como ataques de choro súbitos, ou de pânico, irritabilidade e explosões de raiva sem razão, diminuição da autoconfiança, humor deprimido ou perda de interesse, deve procurar ajuda. Fale com o seu médico de família ou com um profissional da área da saúde mental.

1) Procure ou mantenha o tratamento: o tratamento implica sempre algum confronto provocado pelas memórias traumáticas, mas não deve desistir;

2) Oiça e comunique com que está próximo de si: aceite o encorajamento que as pessoas lhe transmitem e partilhe aquilo que sente; partilhe à medida que lhe for confortável e perceba que não está sozinho;

3) Não se culpabilize: estar envolvido num acontecimento traumático não foi culpa sua e não poderia ter feito nada para o evitar;

4) Aceite ajuda: pode sentir mais dificuldades em desempenhar as suas tarefas diárias e assumir todas as suas responsabilidades; pedir ajuda não é motivo de vergonha;

5) Seja paciente: recuperar o seu bem-estar, a sua vida e as suas relações pode demorar, mas vai a acontecer; apoie-se nos seus familiares, amigos, e na equipa de saúde que o acompanha.

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Ana Graça Ana Graça

Mestre em Psicologia, pela Universidade do Minho, com a dissertação “A experiência de cuidar, estratégias de coping e autorrelato de saúde”. Especialização (Pós-Graduada) em Neuropsicologia Clínica, Intervenção Neuropsicológica e Neuropsicologia Geriátrica. Membro efetivo da Ordem dos Psicólogos Portugueses, com especialidade em Psicologia Clínica e da Saúde e Neuropsicologia. Além da Psicologia. é apaixonada por viagens, leitura, boa música, caminhadas ao ar livre e tudo o que traga mais felicidade!