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Tabaco aquecido: afinal, quais os riscos para a saúde?

O tabaco aquecido apareceu em Portugal em 2015 e a utilização deste tipo de produtos tem vindo a aumentar. Saiba o que dizem os especialistas.

Tabaco aquecido: afinal, quais os riscos para a saúde?
Sociedades científicas portuguesas apontam para riscos

São 12 as sociedades científicas portuguesas e organizações de saúde que se mostram bastante preocupadas com o crescente consumo de produtos de tabaco aquecido e com a posição que a indústria tem vindo a tomar, sendo que esta afirma que os riscos são reduzidos quando é feita uma utilização destes dispositivos.

A realidade é que mesmo depois desta tomada de posição por parte das sociedades científicas e médicas contra o tabaco aquecido, em Portugal haverá cerca de 200 mil utilizadores destes dispositivos.

O que dizem os investigadores?


tabaco aquecido

12 sociedades científicas portuguesas e organizações de saúde manifestaram-se contra as alegações da indústria que afirma que existe um risco mais reduzido associado ao consumo dos produtos de tabaco aquecido. Além disso, afirmam que os riscos para a saúde dos utilizadores podem mesmo ser graves e significar um perigo para a sua saúde.

Mas qual é afinal o que motiva a desconfiança por parte dos especialistas? Não se trata apenas de um motivo, mas de vários. Os especialistas afirmam que os produtos de tabaco aquecido contêm nicotina (substância esta que é aditiva e que existe também no tabaco) provocando uma dependência nas pessoas que os usufruem.

Além de conterem nicotina, os produtos de tabaco aquecido também contam na sua composição com outro tipo de substâncias nocivas para a saúde dos seus utilizadores que não existem no tabaco e que são, na maioria das vezes, aromatizados.

Outro motivo que leva à crescente preocupação dos especialistas é o facto de que o uso deste tipo de produtos permite ao “fumador comum” imitar o seu normal comportamento enquanto fuma um cigarro convencional. O que, por sua vez, pode fazer com que um fumador inicie este novo hábito e opte pelo tabaco aquecido em vez de parar simplesmente de fumar.

Por outro lado, os produtos de tabaco aquecido acabam também por ser um motivo de preocupação porque acabam por se tornar numa tentação para os mais jovens e para os não fumadores e uma forma de adquirirem o hábito do tabaco.

Para finalizar, os especialistas afirmam que este tipo de novos produtos e hábitos tabágicos, fazem com que se faça um uso duplo entre o cigarro convencional e o tabaco aquecido. Ou seja, em vez de o fumador optar só por um dos hábitos, a tentação é para juntar os dois.

Quais são os riscos associados ao consumo do tabaco aquecido?


Primeiramente, o que os investigadores querem alertar com o estudo que foi lançado é o facto de que não existe ainda qualquer evidência que consiga demonstrar que os produtos de tabaco aquecido são menos prejudiciais do que o cigarro convencional. Além disso, afirmam que mesmo um baixo consumo de tabaco aquecido produz doença significativa.

Por este mesmo motivo, outro tipo de risco que poderá estar associado ao consumo deste tipo de dispositivos, pode mesmo ser o risco de iniciação do tabaco convencional e de drogas. Afinal, estes novos produtos podem mesmo levar os adolescentes a iniciar o hábito de fumar, seja ele através do tabaco convencional, do tabaco aquecido ou até mesmo da experimentação de drogas.

Quando um adolescente sente que algo virou moda no seu círculo de amigos, a tendência é para experimentar. E a partir do momento em que ele experimenta, o que inicialmente era uma brincadeira poderá rapidamente tornar-se num hábito nocivo para a saúde.

É muito importante também salientar que apesar de a indústria afirmar que os produtos de tabaco aquecido contêm menos produtos tóxicos, não significa que o risco de doença seja reduzido.

Para que consiga ter uma noção mais real do tipo de malefícios que o tabaco aquecido pode conter, os especialistas afirmam que “o primeiro estudo experimental comparando diretamente os efeitos do fumo de cigarro, vapor de e-cig e aerossol do Iqos mostrou que este último provoca o mesmo tipo de danos nas células pulmonares que o fumo de cigarro, mesmo em baixas concentrações”.

É possível por isso constatar que assim como o tabaco convencional, e apesar de ainda não ser possível observar os danos a longo prazo deste tipo de produtos, eles constituem também um elevado risco para a sua saúde bem-estar.

O que é o tabaco aquecido?


Os produtos de tabaco aquecido são dispositivos eletrónicos com um pequeno cigarro que contém tabaco e que é colocado na caneta designada para o efeito. A partir do momento em que o cigarro é colocado na caneta e ativado o dispositivo para que possa então fumar, este dispositivo eletrónico produz aerossóis com nicotina e outro tipo de químicos que são inalados diretamente pelo utilizador.

A Tabaqueira afirma que em Portugal existem, desde 2015, cerca de 200 mil utilizadores de tabaco aquecido (comercializado pela marca Iqos).

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