Publicidade:

O seu telemóvel trabalha para si ou será que trabalha para ele?

Estamos cada vez mais disponíveis para os smartphones e menos para as nossas vidas. Este comportamento pode envolver sérios riscos, mas ainda há saída.

O seu telemóvel trabalha para si ou será que trabalha para ele?
O objectivo é procurar um relacionamento mais saudável como o seu smartphone

“O telemóvel trabalha para si como uma ferramenta e não pode deixá-lo ser um patrão”. Este é o conselho do site Better Humans, uma plataforma de coaching que reúne especialistas de várias nacionalidades para debater ideias sobre como melhorar o potencial humano e a sua capacidade que auto-aperfeiçoamento.

Uma das maiores preocupações nesta área está, atualmente, ligada à forma como os telemóveis alteraram a qualidade do nosso trabalho. A produtividade e a capacidade de estar atento e concentrado é uma das áreas mais negativamente afetadas pelo domínio do telemóvel no nosso dia-a-dia, e não são só jovens os mais prejudicados.

O telemóvel foi programado para criar ansiedade


configurar o telemóvel para trabalhar para si

Em média, uma pessoa adulta consulta o seu telemóvel 150 vezes por dia. Não contando com o tempo que depois gasta a utilizar o dispositivo, esta consulta diária, só por si, já afeta as rotinas de trabalho e concentração.

Para os coachers do Better Humans, esta situação dificulta particularmente a entrada no processo de aprendizagem profunda (deep learning) enquanto trabalhamos ou estudamos. É este processo que mais satisfação e benefícios pode trazer ao potencial humano e que está constantemente a ser interrompido pelo telemóvel.

E o risco não vem apenas da interrupção constante. Ter um telemóvel que é como um patrão, que exige atenção permanente, é ainda mais grave porque os especialistas afirmam que este é um “mau patrão” porque se aproveita das vulnerabilidades psicológicas do cérebro humano, mantendo-o viciado e reduzindo a sua capacidade crítica.

Por exemplo, o funcionamento das aplicações está feito para estimular o medo natural que temos de perder algo que pode ser importante. Os vídeos non-stop e as notificações constantes, funcionam como uma espécie de sequestrador da atenção humana, viciando-a e tornando-a dependente de estímulos e recompensas como o reconhecimento social dos “likes” ou a notificação de que tem e-mails ou mensagens novas.

Outro exemplo de influência na consciência humana é o facto das pessoas se convencerem de que, por controlarem os menus ou as escolhas de configuração das aplicações, controlam também as suas escolhas online. Isso faz com que deixem de questionar as opções que lhes são oferecidas, faz com que não procurem outras opções e, pior, que não questionem os motivos de quem criou essas opções.

Por tudo isto, os coachers afirmam que o seu telemóvel deve ser posto na ordem. O objetivo é torná-lo apenas uma ferramenta para viver e trabalhar melhor e não um vício desgastante. Deixamos-lhe aqui alguns dos seus conselhos para que consiga estar mais focado nos seus objetivos de vida e para manter um relacionamento mais saudável com o seu smartphone.

Como configurar o seu telemóvel para trabalhar para si


configurar telemovel trabalhar para si

1. Otimize o telemóvel para não interromper

a) Comece por desligar a maioria das notificações permanentes e crie horários limitados para lhes aceder de forma a não estar sempre a ser interrompido. Faça o mesmo aos pedidos de atualização das aplicações menos importantes. Se não for do antivírus ou do sistema operativo, pode ser sempre feito mais tarde;

b) Sempre que possível, configure as aplicações para não registarem os seus hábitos, utilizados pelas empresas de publicidade direcionada. Quanto menos aparecerem anúncios de que gosta, menos interrupções vai fazer;

c) Um wallpaper preto também pode ajudar a pensar no seu telemóvel como uma ferramenta e não como um brinquedo;

d) Faça controlo parental aos sites que têm potencial para o afastar horas dos seus objetivos de trabalho ou estudo;

e) Organize as suas aplicações alfabeticamente, por função, por cor, ou por alguma ordem que lhe faça sentido. Poupe tempo nos seus acessos.

2. Mude para aplicações que o façam trabalhar mais depressa

Se tiver um iPhone não se acanhe em mudar para o ecossistema Google, já que é aí que se encontram muitas das aplicações que melhor performance lhe podem dar: Google Cloud, Gmail, Google Calendar, Google Maps ou Google Photos. Se já estiver muito habituado a alguma aplicação da Apple que trabalhe nestas áreas e faça as mesmas coisas, então não mude sem avaliar primeiro se gosta.

Escolha aplicações produtivas como:

a) O Evernote, para tirar notas e fazer listas;

b) O Calm, para aprender a tirar partido da meditação;

c) Um goal tracker (uma app para medir objetivos) como o Coach.me;

d) Um gestor de passwords como o LastPass;

e) Uma calculadora com histórico, para saber onde errou, como a Numerical, para iOS, e a Calcu, para Android;

f) Um timer Pomodoro, um timer de produtividade baseado na famosa estratégia criada em Itália nos anos 80 do século XX, que aconselhava a divisão do trabalho por períodos de 25 minutos de atenção plena. As sugestões aqui vão para o BeFocused (iOS) e a Pomicro (Android).

3. Configure o seu trabalho para o deep learning

A estratégia é substituir o tempo que gasta nas redes sociais por tempo gasto a ouvir podcasts ou a ler. Pode rentabilizar o seu tempo, ouvindo podcats enquanto treina ou faz as limpezas, enquanto se desloca de autocarro ou no metro, mas foque a sua atenção no que está a ouvir.

Para a leitura, instale a aplicação Kindle para fazer o download de vários livros para o seu telemóvel. Assim, pode ler em qualquer lugar sempre que tenha algum tempo, exceto na cama para que a luz do seu dispositivo não prejudique a qualidade do seu sono.

Os especialistas garantem que é mais fácil criar um novo hábito do que apagar um antigo, e aqui o objetivo é criar um hábito que o afaste do Twitter e do Facebook sempre que tem algum tempo morto.

4. Utilize apps para prolongar a sua vida

a) Escolha um fitness tracker que registe os seus movimentos, por exemplo, o Mypacer. Fazer 10000 passos por dia pode ajudá-lo a sentir-se fisicamente melhor e isso só poderá trazer benefícios às suas outras atividades;

b) Programe o seu telemóvel para ligar o modo Night Shift (turno da noite) quatro horas antes de ir para cama. As cores do seu dispositivo passam do azul estimulante para um espectro mais quente e calmo, o que irá fazê-lo dormir melhor;

c) Crie uma ID de saúde (Medical ID) no seu telemóvel, com dados importantes sobre si, informação sobre os medicamentos que toma e sobre o seu historial médico. Em caso de acidente, essa informação fica disponível mesmo se o seu telemóvel ficar trancado.

5. Pormenores que acrescentam produtividade

a) Coloque a aplicação da máquina fotográfica acessível ao primeiro toque para que não perca tempo quando quer fotografar alguma coisa. A câmara contribui em muito para a felicidade e bem-estar de um utilizador de telemóvel e essa função não deve ser diminuída. Pode e deve fazê-lo quando quiser, mas não necessita de publicar as suas fotos imediatamente online. Guarde-as para o fazer mais tarde;

b) Mude a voz da Siri ou Alexa para uma voz masculina. É do conhecimento geral que a desigualdade de géneros ainda persiste, especialmente no local de trabalho e alguns especialistas afirmam que é mais fácil exercer autoridade sobre um colega se este for do sexo feminino. Aparentemente, o mesmo está a acontecer com as assistentes virtuais. Esta mudança pode ser educativa para o cérebro, ajudando-o a ganhar o hábito de comunicar, dar instruções e ordens a colegas do sexo masculino e também para a sociedade em geral, já que estamos a criar um novo tipo de relacionamento com robôs e não queremos perpetuar hábitos culturais negativos;

c) Programe o bloqueador automático do telemóvel para o tempo máximo permitido. O objetivo é que o telemóvel não tenha de ser acordado quando deixa de o utilizar por momentos. Pode poupar muitos minutos ao longo do dia;

d) Anule as pausas de segundos para ir ver o seu telemóvel. A não ser que já tenha estado focado os 25 minutos seguidos exigidos pela técnica Pomodoro. Está provado que qualquer pausa mínima se pode transformar numa pausa de 30 minutos de procrastinação;

e) Poupe a sua força de vontade para coisas importantes. Embora não haja provas científicas definitivas, muitos especialistas acreditam que a força de vontade é limitada e pode gastar-se na tomada de decisões em assuntos menores como decidir escrever um tweet sobre algum assunto ou decidir publicar uma fotografia online. Poupe-se para o que realmente lhe falta fazer e para o que é importante decidir.

Veja também:

Assunção Duarte Assunção Duarte

Assunção Duarte é designer e jornalista freelancer e está atualmente a fazer o doutoramento em Medias Digitais na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa. Com interesses que tocam várias áreas no mundo digital, o destaque vai para as tecnologias multimédia e a sua influência na criação de uma inteligência coletiva e socialmente participativa.