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Ter de ou ter que? Saiba quando usar cada uma destas expressões

Ter de ou ter que - eis a questão! Em que situações usar uma ou outra expressão? Muitas pessoas aplicam-nas no contexto errado. Vamos esclarecer tudo.

Ter de ou ter que? Saiba quando usar cada uma destas expressões
Sabe quando e como usar as expressões ter de ou ter que?

Sabe como e quando utilizar as expressões ter de ou ter que? Apesar de muito semelhantes, elas têm aplicações distintas na Língua Portuguesa. Vamos ajudá-lo a perceber porquê de forma a que, daqui para a frente, use sempre a forma correta para cada situação, sobretudo quando estiver a escrever.

Sabe quando e como usar as expressões ter de ou ter que?


Vêm ou veem: descubra as diferenças e saiba quando usar essas palavras

Sabe quais são as diferenças entre as expressões “ter de” e “ter que”? Estas expressões são tão parecidas e são tantas vezes empregues incorretamente que mesmo as pessoas que dominam plenamente a Língua Portuguesa acabam por incorrer no erro e trocá-las de vez em quando, sem disso se aperceberem.

Neste artigo, iremos ver quais as diferenças entre as duas expressões, do ponto de vista das situações em que cada uma deve ser usada, e também do ponto de vista gramatical.

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Ter de – em que situações usar e exemplos práticos

Como vai ver de seguida, o uso de ter de ou ter que depende não apenas do enquadramento gramatical destas expressões, mas também e sobretudo da intenção com que a frase é dita. Tal como muitas outras expressões da complexa Língua Portuguesa, estas poderão ser usadas correta ou incorretamente dependendo do contexto e da intenção de quem fala ou escreve.

Começando pela expressão “ter de”, podemos afirmar que significa “ver-se na obrigação de” ou então “assumir o dever de”. Por exemplo, pode aplicar-se à seguinte situação: “Tenho de fazer a cama todos os dias antes de sair, porque quando regresso a casa depois do trabalho já não tenho energia para a fazer!“.

Como então se depreende, “ter de” é uma expressão utilizada quando se pretende dizer que se tem o desejo, a necessidade ou a obrigação de proceder à realização de uma qualquer ação: “tenho de me ir embora“, por exemplo, significa que sou obrigado a ir-me embora.

O João tem de arrumar o quarto, senão a mãe zanga-se!” – o João deve arrumar, tem o dever de arrumar o seu quarto. ”

Temos de nos tratar com respeito e empatia!“, ou seja, temos a obrigação de assumir perante as outras pessoas uma atitude empática e respeituosa.

Nesta situação, o verbo «ter» é um verbo auxiliar da conjugação perifrástica: auxiliar ter + preposição de + verbo no infinitivo. Assim, «ter de», por si só, significa «ter necessidade de», «precisar de», «ser obrigado a», correspondendo assim à necessidade de praticar a ação expressa pelo verbo que se segue, que é o verbo principal.

Mais exemplos:

  • “A conversa está a ser muito agradável, mas tenho mesmo de sair agora, senão vou perder o comboio.”
  • “Tenho de estudar 20 páginas deste livro até segunda-feira, caso contrário não vou conseguir sentir-me preparado para o exame que vou ter para a semana!”
  • “Eu gostava imenso de ir ao Japão, mas para isso teria de poupar cerca de 2000 euros.”
  • “Eu adoro comer chocolate, mas tenho de fazer dieta.”

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Ter que – em que situações usar e exemplos práticos

Nas situações em que corretamente se usa a expressão “ter que”, o verbo «ter» não é um auxiliar; é um verbo com a plena significação de “possuir”, “ser detentor de”, “estar na posse de”. Se eu quiser, por exemplo, transmitir a ideia de que tenho imenso trabalho pela frente, posso dizer expressamente: “Tenho muito trabalho”. No entanto, também posso dizer, corretamente, “Tenho muito que fazer“.

De modo semelhante, se acabo de regressar de uma grande viagem e quero transmitir aos meus amigos que venho com muitas histórias e aventuras para partilhar, posso dizer “Tenho muito que contar!“. Da mesma forma nos referimos tantas vezes a pessoas com grandes e ricas histórias de vida como sendo pessoas que “Têm muito que contar“.

Um estudante com os estudos atrasados em vésperas de exame pode, por exemplo, afirmar: “Queria deitar-me cedo hoje, mas infelizmente ainda tenho muito que estudar“.

De modo parecido, se o melhor amigo do leitor é mais tímido e menos propenso a partilhar informações sobre a sua vida, pode referir-se a ele como sendo uma pessoa que “não tem nada que dizer“.

Uma pessoa em situação de sem abrigo poderá “Não ter nada que comer

Origem e significado da distinção entre as expressões ter de ou ter que

Atendendo aos exemplos anteriores, vemos então que “ter de” distingue-se de “ter que” porque no primeiro caso está presente a ideia da obrigação, de necessidade e mesmo de dever; ao passo que no segundo caso, está presente a intenção de dar uma informação sobre o que o emissor possui ou tem em mãos. A expressão “ter de” significa obrigação e dever, ao passo que “ter que” significa posse.

Agora que compreende plenamente a diferença entre os momentos em que deve usar ter de ou ter que, temos a certeza de que irá cometer menos erros, e menos vezes. Recomendamos que tenha sempre mais atenção ao uso destas duas expressões tão parecidas na expressão escrita. Na oralidade, a verdade é que a substituição de uma por outra acaba por ser praticamente impercetível.

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Catarina Reis Catarina Reis

Consultora de carreira com mais de 10 anos de experiência, possui formação superior em Gestão de Recursos Humanos e Psicologia. É naturalmente curiosa, desenvolvendo múltiplos projetos paralelos que envolvem a Fotografia, a Música, o Marketing Digital e o Cinema.