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Triagem de Manchester: saiba como funciona na urgência hospitalar

A triagem de Manchester permite uma avaliação rápida e focada do doente, de forma a obter informação completa acerca situação clínica do doente.

Triagem de Manchester: saiba como funciona na urgência hospitalar
A informação recolhida na triagem serve para atribuir prioridade

As urgências hospitalares exigem um atendimento rápido das situações que implicam risco para a saúde. Para que as situações, cujo estado clínico é mais grave, sejam atendidas mais rapidamente, é necessário que esteja implementado um sistema de prioridades, de como é exemplo a triagem de Manchester.

Triagem de prioridades: qual a sua importância?


O acesso massificado aos serviços de urgência, quer por parte de doentes urgentes ou não-urgentes, é uma realidade frequente tanto a nível nacional como internacionalmente. Esta realidade torna os serviços de urgência sobrelotados, registando-se grande atraso no atendimento dos doentes. Esta situação é particularmente grave no caso dos doentes que precisam de atenção médica imediata.

Para que estes doentes sejam privilegiados face a outros doentes que não precisam de cuidados de emergência é fundamental que exista um sistema de triagem de prioridades implementado. A triagem de prioridades engloba um conjunto de métodos que são usados para determinar a gravidade do estado de saúde apresentado por todos os doentes, num curto período de tempo, de forma a classificar a gravidade dos vários casos.

Constitui uma etapa decisiva na gestão de qualquer situação em que o número de doentes excede a capacidade de resposta das equipas de saúde, seja durante o funcionamento normal dos serviços de saúde ou em situações de maior afluência.

Triagem de prioridades

Em que consiste a triagem de Manchester?


A triagem de Manchester é um sistema de triagem inicial que, de uma forma objetiva, pretende promover o atendimento médico em função de critério clínico, ao invés do administrativo ou da ordem de chegada aos serviços de urgência. Este sistema permite a identificação da prioridade clínica e a definição do tempo recomendado até à observação médica, para cada caso em particular. Aplica-se quer em situações de funcionamento normal dos serviços de urgência, quer em situações de catástrofe.

De acordo com este sistema, fazer triagem passa por identificar os critérios de gravidade de forma objetiva e sistematizada. É esta análise que indica a prioridade com que o doente deve ser atendido. O objetivo da triagem de Manchester não passa portanto por estabelecer diagnósticos.

Assim sendo, a triagem de Manchester requer que seja identificada a queixa inicial e que posteriormente seja seguido o respetivo fluxograma de decisão (existem vários fluxogramas que abrangem todas as situações previsíveis). Estes fluxogramas contêm várias questões a serem colocadas ao doente. Naturalmente, são especialmente valorizadas as situações relacionadas com perigo de vida, dor, hemorragia, estado de consciência, temperatura ou em que existe agravamento da situação clínica.

A triagem de Manchester é considerada um sistema dinâmico, ou seja, é possível existir uma reclassificação do doente, caso a situação clínica se altere. Por exemplo, caso se registe um agravamento da situação clínica, o doente deverá passar novamente pela triagem.

A triagem de Manchester classifica o utente numa de 5 categorias de prioridade, identificadas por um número, nome, cor e tempo para a observação médica inicial:

  • Nível 1 = Doente emergente = Vermelho = 0 minutos (necessita de atenção médica imediata);
  • Nível 2 = Doente muito urgente = Laranja = necessita de atenção médica num máximo de 10 minutos;
  • Nível 3 = Doente urgente = Amarelo = necessita de atenção médica num máximo de 60 minutos;
  • Nível 4 = Doente pouco urgente = Verde = necessita de atenção médica num máximo de 120 minutos;
  • Nível 5 = Doente não urgente = Azul = necessita de atenção médica num máximo de 240 minutos;

Principais vantagens da triagem de Manchester


Este sistema de triagem de prioridade é considerado bastante eficaz e são-lhe apontadas diversas vantagens, nomeadamente:

1. Garante a uniformidade de critérios ao longo do tempo e com as diferentes equipas de serviço;

2. Acaba com a triagem sem critério objetivo. Possibilita a existência de uma decisão cientificamente validada, pondo de lado argumentos rudimentares;

3. Exige apenas disciplina e que seja efetuada por um bom técnico de saúde, ou seja, não há a necessidade de destacar um médico altamente diferenciado para a triagem;

4. Prevê a triagem de doentes caso a caso, bem como a triagem em situações de exceção (por exemplo, situações com múltiplos doentes);

5. Não implica um investimento financeiro significativo;

6. É muito rápida de executar (em média, cerca de 60 a 90 segundos por triagem);

7. Permite comparar dados entre os diversos hospitais.

vantagens da triagem de Manchester

Triagem de Manchester: a realidade portuguesa


O sistema de triagem de Manchester é reconhecido como a metodologia de eleição para a triagem de prioridades no nosso país. Está acreditado pelo Ministério da Saúde, pela Ordem dos Médicos e pela Ordem dos Enfermeiros.

Este sistema que permite classificar a gravidade da situação de cada doente que recorre aos serviços de urgência processa-se da seguinte forma no nosso país:

1) Após efetuar a sua inscrição o doente é encaminhado para um gabinete novo, onde é atendido por um enfermeiro que coloca algumas perguntas sobre o motivo da sua ida ao serviço de urgência;

2) Após uma rápida mas objetiva observação, o enfermeiro responsável pela triagem atribui uma cor ao doente (vermelho; laranja; amarelo; verde; azul), que representa o grau de gravidade e o tempo ideal em que o doente deverá ser atendido;

3) No caso de ser considerado emergente (vermelho), o doente entra de imediato para ser atendido em local próprio;

4) Se for considerado muito urgente (laranja) ou urgente (amarelo) possivelmente entrará para uma sala de espera interna onde o médico o chamará para ser observado.

5) Se for considerado pouco urgente (verde) ou não urgente (azul) aguardará na sala de espera a sua vez, que será quando não houver doentes mais graves para serem tratados.

 

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Ana Graça Ana Graça

Mestre em Psicologia, pela Universidade do Minho, com a dissertação “A experiência de cuidar, estratégias de coping e autorrelato de saúde”. Especialização (Pós-Graduada) em Neuropsicologia Clínica, Intervenção Neuropsicológica e Neuropsicologia Geriátrica. Membro efetivo da Ordem dos Psicólogos Portugueses, com especialidade em Psicologia Clínica e da Saúde e Neuropsicologia. Além da Psicologia. é apaixonada por viagens, leitura, boa música, caminhadas ao ar livre e tudo o que traga mais felicidade!