Publicidade:

Vila Viçosa: lição de história e a poesia de Florbela Espanca

Na senda do Dia Mundial da Poesia o convite é visitar a terra de uma das mais maiores poetisas portuguesas. Em Vila Viçosa, perdidos por Florbela Espanca.

Vila Viçosa: lição de história e a poesia de Florbela Espanca
Realeza portuguesa tinha na cidade um dos seus poisos

Escreveu Florbela d’Alma da Conceição Espanca: “ser poeta é ser mais alto, é ser maior do que os homens”. Pois ela era uma poetisa das alturas, que imprimia palavras – de amor, sofrimento e saudade – no peito de quem as lia. Nascida a 8 de Dezembro de 1894, em Vila Viçosa, pegou na caneta para escrever o seu primeiro poema com apenas oito Primaveras e viu ser publicado o seu primeiro livro – “Livro das Mágoas” – aos 25 anos.

Hoje, é um nome presente no imaginário de todos os portugueses. Nome célebre a ser celebrado no dia 21 de Março, Dia Mundial da Poesia, data em que se comemora a criatividade, as ideias e a linguagem, com o poder imenso que acarreta,

Convidamo-lo aqui a explorar novas percepções do mundo – e da vida desta poetisa tão portuguesa – ao passear-se pelas ruas da vila que a viu tornar-se escritora exímia de sonetos. Convidamo-lo a perder-se pelas ruas da memória de Florbela Espanca em Vila Viçosa, “Princesa do Alentejo“, poisada aos pés da Serra de Borba.

Um passeio por Vila Viçosa: perdidos por Florbela Espanca


Vila Viçosa: perdidos por Florbela Espanca

Fonte: Visual Hunt/jodastephen

Vila Viçosa é uma bonita vila alentejana, sede de concelho, com uma vasta história e um património impressionante.  Foi lá que, em 1894, nasceu Flor Bela Lobo, poetisa portuguesa que, em 36 anos de vida tumultuosa e marcada por inquietudes, criou obras de arte fabulosas, de uma grandeza e profundidade inigualáveis.

Hoje, existe na vila uma rua com o nome Florbela Espanca, onde se situa a quase ruína da casa onde morou, Percorra o passeio até ao número 59, de paredes brancas e amarelas onde se encontra escrito um dos mais célebres versos da poetisa, celebrizado pelos Trovante de Luís Represas, “E é amar-te, assim, perdidamente”.

vila viçosa

Fonte: Wikimedia

Por sua vez, junto ao Cine-Teatro também com o seu nome, existe um monumento a Florbela Espanca, um busto com a assinatura do arquitecto Raul David que assinala a vida atribulada de uma das mais notáveis filhas da terra.

São, contudo, mais os pontos neste “Vale Viçoso” que terão feito parte da rotina de Florbela Espanca e que merecem hoje a sua visita.

Encaixada na tradicional paisagem alentejana, com cores e texturas características, Vila Viçosa é sinónimo de tranquilidade e simpatia. Espreite a praça central, onde as laranjeiras libertam um aroma inconfundível, e deixe-se envolver em conversas com as gentes que habitam a vila e personificam a palavra hospitalidade. No centro, visite o castelo medieval, mandado edificar por D. Dinis na última década do século XIII e onde, no interior, irá encontrar o Solar da Padroeira de Portugal, ponto de paragem obrigatória. É no cemitério ao lado da fortaleza que jaz, precisamente, o corpo de Florbela Espanca.

paço duques

Fonte: Wikimedia

Aproveite também para visitar o Paço Ducal, um dos monumentos mais emblemáticos de Vila Viçosa, edificado em 1501, e o Convento e Igreja dos Agostinhos, cuja fachada ficou virada, após um reestruturação, para o Terreiro do Paço.

O que comer


A gastronomia alentejana é bastante rica e carregada de sabores que nos remetem para as longas planícies que desfilam em frente aos nossos olhos. Em qualquer lugar do Alentejo é possível entrar numa tasca ao calhas e comer de forma inesquecível. Vila Viçosa não foge à regra. Suculentos secretos de porco preto, açordas, gaspacho, peixes do rio, ensopado de borrego, perdizes, cacholeiras, presuntos, sarapatéis ou, claro está, as deliciosas migas, são pratos que não terá grande dificuldade em encontrar. Aqui ficam alguns espaços onde se poderá banquetear com o melhor que o Alentejo tem para oferecer.

Onde ficar


O alojamento também não será um problema para uma jornada bem passada em terras alentejanas. As propostas são direcionadas a todas as bolsas e gostos. A lista é vasta, pelo que aqui lhe deixamos apenas algumas sugestões onde ficar.

Florbela Espanca: uma vida de inconformidade e escrita sentida


Vila Viçosa: perdidos por Florbela Espanca

Filha ilegítima, reconhecida pelo pai somente após a sua morte,  Florbela Espanca viveu desde muito cedo em jeito de desafio às convenções da época. Vestia calças, peça exclusiva do guarda-roupa masculino, falava de sensualidade quando esta era tabu, estudou Direito na Faculdade de Lisboa e casou três vezes, divorciando-se duas. Era uma mulher que transformava as emoções que a preenchiam em palavras e essas palavras em fantásticas obras. Em 36 anos, foram mais de 200 os sonetos que escreveu e muitos os desgostos que a assolaram, desde amores fracassados à morte violenta do irmão, Foi no ano de 1930, em Matosinhos, que faleceu, fazendo “entrar a Morte, a Iluminada” e deixando um legado de valor imenso para todos os que procuram na poesia um reflexo genuíno da alma humana.

Um poema de Florbela a fechar


Eu sou a que no mundo anda perdida,
Eu sou a que na vida não tem norte,
Sou a irmã do Sonho, e desta sorte
Sou a crucificada … a dolorida …

Sombra de névoa ténue e esvaecida,
E que o destino amargo, triste e forte,
Impele brutalmente para a morte!
Alma de luto sempre incompreendida! …

Sou aquela que passa e ninguém vê …
Sou a que chamam triste sem o ser …
Sou a que chora sem saber porquê …

Sou talvez a visão que Alguém sonhou,
Alguém que veio ao mundo pra me ver
E que nunca na vida me encontrou!

Ver também: