Portugal alcançou um marco histórico em novembro de 2025, com mais de 5,3 milhões de pessoas empregadas. A taxa de desemprego recuou para 5,7%, reforçando os sinais de dinamismo no mercado de trabalho. Mas os números escondem uma realidade preocupante: entre os 299 mil desempregados registados, quase metade (49,8%) não concluiu o ensino secundário.
Estamos a falar de mais de 148 mil pessoas com qualificações académicas reduzidas, muitas sem sequer o 9.º ano completo. Este dado revela, de forma inequívoca, um desajuste estrutural entre os perfis disponíveis e as exigências crescentes das empresas.
Quando a escolaridade é uma barreira
A análise da Randstad Research é clara: enquanto o desemprego entre licenciados recuou 4,2% num único mês, todos os escalões de ensino básico registaram um aumento de inscritos. O contraste não deixa margem para dúvidas.
Na prática, quem tem formação superior está a conseguir regressar ao mercado de trabalho. Já quem ficou pelo ensino básico — ou nem isso — vê as oportunidades afastarem-se. Sem qualificações adequadas, a reinserção torna‑se lenta, limitada e, muitas vezes, dependente de empregos mais precários. Não há atalhos para este problema. Sem investimento sério em formação, a porta continua a fechar‑se.
Competências em falta
A ausência de habilitações académicas continua a limitar gravemente as hipóteses de integração no mercado de trabalho. Muitos destes candidatos acabam por ficar restringidos a funções de menor valor acrescentado, com maior precariedade e salários mais baixos. Num mercado cada vez mais orientado para perfis técnicos, da programação à saúde, passando pela logística, a falta de uma base formativa sólida é um obstáculo difícil de contornar.
Mais de um terço dos desempregados (37,9%) está nesta situação há mais de um ano. São 113.535 pessoas presas num ciclo de exclusão profissional, que dificilmente se quebra sem acesso a formação eficaz e políticas de requalificação à altura dos desafios do mercado atual. Conheça mais sobre a pesquisa da Randstad.
O problema é do país
A escassez de talento qualificado é hoje um dos principais obstáculos ao crescimento sustentável das empresas. Há vagas que permanecem abertas durante meses. Há setores inteiros a funcionar com falta de recursos humanos, simplesmente porque não encontram candidatos com as competências exigidas. Este desajuste entre oferta e procura custa tempo, eficiência e competitividade à economia.
A solução não é um segredo de Estado, passa por investir a sério em programas de requalificação, formação técnica, ensino de adultos e certificação de competências. É urgente transformar estes quase 150 mil desempregados num exército de profissionais capacitados para os desafios do século XXI. Como disse Isabel Roseiro, da Randstad: “Este desajuste de competências trava a capacidade de reconversão e a resposta à escassez de talento, tornando urgente o foco em políticas de qualificação”.