Valdemar Jorge
Valdemar Jorge
13 Dez, 2021 - 11:08

Honda abandona a F1 após vitória épica de Verstappen

Valdemar Jorge

A Honda lançou uma “bomba” no seio da F1 anunciando a saída do Campeonato no final da presente temporada. O novo foco são os EV.

Red Bull com motor Honda

O próximo campeonato do mundo de Fórmula 1 será diferente, desde logo, por não contar com a presença da Honda que anunciou, recentemente, ter decidido “concluir sua participação no Campeonato Mundial de  Fórmula 1 (F1) da FIA como fornecedora de unidade de energia no final da temporada de 2021”.

O anúncio terá caído como uma “bomba” no seio das outras equipas, mas a marca nipónica que em 2015 tinha regressado à competição na prova rainha do automobilismo – a Fórmula 1 – com o objetivo de vencer usando a sua própria tecnologia acaba por, no final da temporada de 2021, abandonar a competição e empenhar-se na “realização da neutralidade de carbono até 2050”.

Segundo a marca esta meta será perseguida “como parte das iniciativas ambientais da Honda”, acrescentando que esta é uma “das principais prioridades da Honda como fabricante de mobilidade”, refere o comunicado.

Recursos canalizados para pesquisa e desenvolvimento

Para atingir o objetivo a que se propõe, a Honda canalizará recursos em pesquisa e desenvolvimento para as áreas da “futura unidade de potência e tecnologias de energia” valência que inclui tecnologias de “veículos de célula de combustível (FCV) e EV de bateria (BEV), que serão o núcleo do sistema livre de carbono”. Pelo que a marca vai focar-se no desenvolvimento de tecnologia de carros elétricos de estrada.

Neste sentido e, desde abril deste ano, a marca nipónica empenhou-se na criação e desenvolvimento de um novo centro a que chamou “Excelência em Pesquisa Inovadora, Unidade de Força e Energia”.

A este centro alocará o “gerenciamento de energia e tecnologias de combustível, bem como o conhecimento acumulado por meio das atividades da F1 para esta área de unidades de potência e tecnologias de energia e tomará iniciativas enquanto se concentra na realização futura da neutralidade de carbono”, explicou.

A marca sustenta ainda que as atividades do automobilismo estão no seu DNA e, que por isso, “continuará apaixonada por enfrentar desafios e se esforçar para se tornar a número 1 em todas as categorias de corrida das quais a Honda participa”.

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Honda deixa a F1 mas mantém ligação à Red Bull

A Honda deixa oficialmente de ser fornecedora de motores na Fórmula 1 no final da temporada de 2021, como já referimos, mas vai manter uma colaboração com a Red Bull no que respeita ao desenvolvimento dos novos motores.

O processo de transição desta colaboração culmina com a criação da nova marca Red Bull Powertrains que assumirá, a partir de 2023, a construção de novos blocos motrizes. Paralelamente a colaboração entre Honda e a nova marca da Red Bull abrangerá cooperação nas áreas desportivas onde a segunda esteja presente, bem como, na preparação de novos pilotos e promoção de novas tecnologias.

Está ainda previsto que a fação da Honda que estará ligada à Fórmula 1 é a Honda Racing Corporation (HRC) e que parte dos colaboradores da Honda na fábrica de Milton Keynes (Inglaterra), seja absorvida pela nova estrutura da Red Bull que tem sede na mesma cidade.

Sabe-se ainda que a partir de 2023 a Red Bull Powetrains será responsável pela construção e manutenção dos motores que equiparão os carros da Red Bull, bem como os da Alpha Tauri.

Honda deixa a F1 com vitória em Abu Dhabi

Desde 2015, ano em que retomou as competições na Fórmula 1, com o objetivo de vencer usando a sua própria tecnologia de gestão de energia, a Honda termina a presença na prova rainha do automobilismo com uma vitória em Abu Dhabi (12 de dezembro de 2021).

Vitória que consagrou o piloto Max Verstappen como campeão do mundo de Fórnula 1 (o seu primeiro título), num final impróprio para cardíacos, depois de um “safety car” nas últimas voltas, motivado por acidente do piloto Nicholas Lafiti, a quatro voltas do final da prova.

Foi um final épico, tenso, e decidido na última volta com os dois pilotos candidatos à vitória – Max Verstappen e Lewis Hamilton –, a discutirem metro a metro até à linha de meta.

Ao vencer Hamilton, Max Verstappen colocou a Red Bull (motor Honda) na posição mais alta do pódio e arrecadou o seu primeiro campeonato mundial.

Recordar que desde 2019 que a Red Bull, enquanto parceira da Honda, conquistou 13 vitórias, 11 pole position e lutou em 2021, com a Mercedes e Lewis Hamilton, pelos títulos do Mundial de Construtores (que não conseguiu) e pelo do Mundial de Pilotos. que chegou domingo dia 12 de dezembro de 2021, com Max Verstappen.

Os fãs da Honda poderão ficar descansados pois a marca continuará a perseguir a vitória, com as suas tecnologias, na F1 através da Honda Racing Corporation numa forte parceria com a Red Bull Powertrains.

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