Gatos e bebés: quais os cuidados a ter?

Gatos e bebés na mesma casa? Não deixe que isso seja um problema. Siga as indicações de Inês Guerra, médica veterinária no Hospital do Gato.

Gatos e bebés: quais os cuidados a ter?
A coexistência saudável não dispensa um conjunto de rotinas

De facto, não resulta indiferente saber como devemos receber o gato ou habituar o bebé à presença do animal. E, ainda menos, ignorar um conjunto de práticas facilitadoras dessa relação entre gatos e bebés.

Inês Guerra, médica veterinária no Hospital do Gato, e responsável pelo Departamento de Comportamento Felino em Lisboa, irá aqui esclarecer muitas das suas dúvidas. A ideia é descobrirmos se o gato pode, como se julga, ser o melhor amigo do bebé.

Gatos e bebés, uma relação segura?

A convivência entre gatos e bebés exige cuidados. Em causa está, desde logo, a segurança de ambos. Mas será que há razão para preocupações? Vale a pena apostar nessa relação?

A veterinária Inês Guerra garante que “existem inúmeros benefícios de ter crianças a crescer lado a lado com animais de companhia.” Mas alerta para a necessidade de uma constante vigilância. O importante é evitar situações de risco para as duas partes.

Os gatos gostam de bebés?

Os gatos são conhecidos por serem animais independentes, mas isto não significa que não criem ligações emocionais com adultos e crianças.

Estas ligações vão estar, no entanto, muito dependentes da forma como se interage com eles diariamente. Uma boa relação tem de assegurar as necessidades básicas dos gatos, afirma Inês Guerra.

São muitos os casos de gatos que “diariamente lambem bebés, e este é um comportamento que fazem a elementos que lhes são socialmente próximos” relembra Inês Guerra. Mas isto não nasce de um amor à primeira vista. Exige cuidados e amor.

Como a veterinária Inês nos explicou é importante reter que o gato é tanto uma presa como um predador. Isto faz com que, por vezes, se mostre mais confiante e, por outras, precise de se esconder.

É essencial, por isso, que esta bivalência seja respeitada. O objetivo é garantir uma coexistência pacífica e uma interação não forçada entre as duas partes.

Está a pensar em adotar um gato?

Nem sempre a convivência entre gatos e bebés é planeada. Mas se pensa adotar um gato, o caso muda de figura. Os gatos não são todos pardos, nem à noite. Desconfie do provérbio. É preciso saber escolhê-los bem.

É aconselhável procurar um gato “cujo perfil’’ seja o mais favorável para a família que o irá adotar. Ao ter “este cuidado, irá com certeza ter benefícios para ambas as partes”, relembra Inês Guerra.

Um gato adulto apresenta, também, algumas vantagens, tendo em conta que a sua personalidade será mais fácil de avaliar.

E quando o bebé é o último a chegar?

O primeiro passo é preparar a casa. Os gatos são animais rotineiros e gostam que o seu território não sofra grandes mudanças, esclarece a veterinária do Hospital do Gato.

Neste contexto, é recomendável a realização de uma “consulta de comportamento felino”. Trata-se de traçar um plano com todos os cuidados e alterações, para tornar este processo mais simples. Não menos importante é o acompanhamento médico veterinário, antes e durante a convivência de ambos.

Inês Guerra aconselha, também, “tempo, paciência e persistência e, nunca punir o gato, ou assustá-lo na presença da criança, porque facilmente podemos agravar o problema”. Gato escaldado…

brincar

Cuidados a ter com os gatos e bebés

Inês Guerra deixa-nos mais algumas dicas essenciais para que a convivência entre gatos e bebés não seja um problema.

Tenha o seu gato vacinado e desparasitado

Manter o plano de vacinação e desparasitação em dia é fundamental, para evitar a transmissão de parasitas.

Esta regra aplica-se aos gatos que vivem dentro de casa, pois estes estão sujeitos a pulgas, por exemplo. Embora não exista um plano de vacinação fixo, dado ser ajustado ao estilo de vida do gato, por norma, os gatinhos são vacinados aos dois meses de idade.

Não brincar com as mãos

Este é um dos cuidados que mais vezes é esquecido pelos tutores dos gatos, segundo Inês Guerra. Na verdade, nunca se deve brincar com eles diretamente com mãos. Quando o fazemos, estamos, sem querer, a ensinar aos gatos que nos podem caçar. É aconselhável usar brinquedos como canas, mas nunca as mãos.

Perceber a linguagem corporal do gato

A veterinária do Hospital do Gato salienta que é “muito importante que adultos e crianças compreendam a linguagem corporal do gato, por vezes subtil”. Exemplifica com o mover da cauda de um lado para outro. Um comportamento que, nos cães, representa felicidade, enquanto nos gatos é um sinal de alerta.

Ter atenção à higiene do gato e dos bebés

A higiene é uma questão a ter em conta. Para além de manter o caixote da areia do gato limpo, a veterinária ainda aconselha a adotar areão aglomerante, sem cheiro, pois “permite remover diariamente urina e fezes”. Habituar a criança a lavar as mãos depois de ‘brincar’ com o gato é outro cuidado a ter em conta.

Já agora: Sabia que a coexistência entre crianças e gatos pode ter um efeito benéfico no seu sistema imunitário? Há estudos que apontam nesse sentido.

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Ana Carolina Veríssimo Ana Carolina Veríssimo

Ana Carolina Veríssimo é redatora de conteúdos desde 2013. Formou-se em Jornalismo pela Universidade Nova de Lisboa. É apaixonada pelo jornalismo online e pelo marketing digital. Escreve sobre diversos temas, sobretudo tecnologia, saúde, lifestyle e televisão.