Pó que tem em casa pode provocar cancro e infertilidade

Um estudo publicado na revista Environmental Science and Technology aponta que o pó que se acumula nas casas pode conter químicos tóxicos, causadores de vários problemas de saúde. 
 

Pó que tem em casa pode provocar cancro e infertilidade
O estudo foi realizado pelo Natural Resources Defense Council, na Califórnia

Depois de ler este texto talvez queira limpar o em sua casa com muito mais frequência.

Um estudo realizado por investigadores do Natural Resources Defense Council, na Califórnia, revela que o pó que se acumula nas casas contém uma mistura que componentes químicos tóxicos que podem aumentar o risco de desenvolver vários problemas de saúde, como cancro e infertilidade ou até afetar o desenvolvimento dos bebés.


Casas seguras? Com pó talvez nem tanto!

O estudo, que foi publicado na revista Environmental Science and Technology, revela que no pó que se acumula nas casas (e quem diz casas, diz também escolas, escritórios, etc.) existem cerca de 45 químicos tóxicos. Desses 45, 10 compostos apareceram em 90% das amostras de pó analisadas, entre os quais retardadores de chama, fragrâncias e fenóis.

A análise de amostras de pó retiradas de casas revelou vários tipos e níveis dos químicos presentes nos interiores das casas. Estes químicos podem ser provenientes de uma imensidão de produtos que podem ir desde produtos de beleza a produtos de limpeza ou pavimentos, por exemplo.

"Achamos que as nossas casas são um refúgio seguro, mas, infelizmente, estão a ser poluídas por substâncias químicas tóxicas de todos os nossos produtos [de limpeza]", disse Veena Singla, uma das autoras da investigação.

Todos estes compostos acabam por entrar no nosso organismo através do ar e poeiras que respiramos ou ao tocar nas superfícies empoeiradas (como mobílias, televisores, etc.). E em última instância esses mesmos compostos podem estar relacionados com vários problemas de saúde.

Dizem ainda os investigadores que as crianças são as mais vulneráveis a estes riscos, já que ao brincar, gatinhar no chão ou levar aos mãos à boca acabam por estar mais expostos a estes químicos e aos seus efeitos tóxicos, numa fase em que o seu cérebro e corpo ainda está em desenvolvimento, explicou Veena Singla.

O estudo analisou vários interiores, desde casas particulares a escolas e ginásios em 14 estados dos EUA. Segundo os dados recolhidos, ainda que (espante-se!) as casas mais limpas estejam relacionadas com um aumento de alergias e asma nas crianças, devido à falta de exposição a diversos micróbios, nos casos em que se verifica a exposição aos tais compostos tóxicos do pó as preocupações são outras.

Como consequência, pode estar o aumento do risco de sofrer de doenças cancerígenas. Há ainda riscos de esta exposição afetar o sistema nervoso e o sistema reprodutor ou o desenvolvimento dos bebés.

Singla diz que para reverter este cenário é importante uma alteração a nível das políticas, de forma a evitar o uso destes produtos tóxicos. Mas enquanto isso não acontece, há vários cuidados que é possível ter para reduzir a exposição a estes compostos, entre os quais aspirar o chão com frequência, lavar as mãos com sabão e água antes de comer ou limpar o chão com uma esfregona ou pano molhado para reduzir os níveis de pó no interior das casas.

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