Emprego 2010 - Valeu a pena a abertura de Hipermercados ao domingo?

A liberalização dos horários é considerada pela Associação dos Comerciantes uma das medidas que mais penalizaram o comércio tradicional. Além disso, conclui-se que esta medida não gerou mais postos de trabalho, mas antes colaboradores a fazer mais um turno, o que dificulta ainda mais o desempenho das pequenas e médias empresas, pois não têm como competir desta forma.

Emprego 2010 - Valeu a pena a abertura de Hipermercados ao domingo?

Nuno Camilo, presidente da Associação de Comerciantes do Porto (ACP) questiona o Governo acerca da medida que entrou em vigor em Outubro, de alargar o horário de trabalho ao domingo para as grandes superfícies.

Segundo o mesmo, esta medida além de não criar mais emprego ainda agravou os problemas do comércio tradicional.

Tendo em conta dados do  Instituto Nacional de Estatística (INE), além de informação das associações e confederações não se verifica nenhum indicador do aumento do emprego. Aliás, no primeiro semestre de 2010 fecharam 40 lojas de comércio tradicional por dia, já no segundo semestre esse número passou para 50.

Outro facto que deve ser levado em consideração é que ao terem fechado 10 a 12 mil empresas de comércio em 2010, tal significa que 10 a 12 mil pessoas ficaram desempregadas, no entanto, esse número não é contabilizado já que os sócios-gerentes não são considerados no que toca ao desemprego.

O que preocupa este responsável é que o desemprego tem vindo a aumentar ao ritmo de crescimento da construção de grandes superfícies.

Tal como o previsto pela Associação esta medida da liberalização de horários, o fosso entre grandes empresas e pequenas e médias empresas aumentou e gerou um grande problema de competitividade já que em vez de se terem criado novos postos de trabalho, o que de facto aconteceu, foi que os colaboradores tiveram que passar a fazer mais um turno.

Recorde-se que na altura da aprovação desta medida por parte do Governo, acreditava-se que tal iria criar mais de 2.000 empregos directos e outros postos de trabalho indirectos.

Já na altura, a CGTP criticou fortemente esta medida pois nunca acreditou que tal iria criar mais emprego, mas antes acabar com o comércio independente.