Spreads duplicam

Devido à alteração das condições de mercado, que é o mesmo que dizer, devido à crise, os bancos vão agravar os spreads dos contratos de crédito à habitação já existentes. No caso do BPN, em alguns contratos, o spread duplicou, passando de 3,5% para 7%.

Spreads duplicam

O BPN já começou a enviar cartas aos seus clientes a informar da revisão dos spreads. Legalmente, o banco pode fazê-lo já que no contrato de crédito existe uma cláusula que refere que o banco pode alterar o spread com base em razões de mercado.

Outros bancos poderão fazê-lo, desde que tenham esta cláusula nos seus contratos. Em alguns casos, o spread duplica, passando de 3,5% para os 7%.

Recorde-se a polémica que foi quando a DECO detectou os primeiros contratos em que constava esta cláusula, em Setembro de 2010. Inicialmente, decidiu-se que  os contratos assinados a partir dessa altura deixariam de ter essa cláusula e que, nos contratos já assinados, esta não seria accionada.

No entanto, em Maio de 2011, o Banco de Portugal voltou atrás no acordo feito com o Governo e permitiu a revisão de spreads com base em razões de mercado.

Se actualmente muitas familias não conseguem fazer face às suas despesas, o que tem gerado um alto nivel de incumprimento, então agora se mais bancos accionarem a referida cláusula, é que o crédito malparado vai disparar.

Nas cartas enviadas aos clientes, o banco justifica-se com a dificuldade de financiamento, indicando que devido às "recentes alterações nos mercados financeiros provocadas pela crise económica que se tem feito sentir a nível mundial e que vem agravando as condições de captação de depósitos - foi determinada a alteração da taxa de juro em vigor por força da alteração do spread aplicável".