Biblioteca humana: saiba o que é e como funciona

Biblioteca humana: um espaço onde não existem livros, mas sim pessoas com histórias reais a partilhar com quem as queira ouvir. Veja como funciona.

Biblioteca humana: saiba o que é e como funciona
A biblioteca humana conta com pessoas

Existem bibliotecas onde se alugam pessoas em vez de livros. A primeira biblioteca humana, “Menneskebiblioteket”, surgiu na Dinamarca, em Copenhaga, em 2000, como parte de um movimento anti violência.

O movimento já se espalhou por mais de 70 países, tendo já passado por Portugal e dado origem a uma organização – Human Library Organization.

O objetivo da biblioteca humana é explorar e ultrapassar estereótipos, ajudando o “leitor” a aprender mais sobre os mesmos através da partilha de histórias reais e do diálogo. Durante os eventos das bibliotecas humanas, os “leitores” terão a oportunidade de ter conversas particulares, com uma duração máxima de 20 minutos, com estes “livros” (entenda-se pessoas).

Biblioteca humana: quando as pessoas são os livros

O conceito da biblioteca humana surgiu em Copenhaga, em 2000, quando Ronni Abergel e o seu irmão Dany, juntamente com alguns colegas, organizaram um evento anti violência, de quarto dias, no âmbito do Roskilde Festival, um dos maiores festivais de música do Norte da Europa.

O objetivo do evento que estes irmãos criaram, em 2000, era consciencializar as pessoas para a violência entre jovens. Após o sucesso deste evento, Ronnie e Dany fundaram a Human Library Organization, que até hoje não tem parado de crescer.

Mas afinal o que é uma biblioteca humana?

A biblioteca humana é um local onde pessoas voluntárias estão disponíveis para empréstimos como se fossem livros e partilham as suas histórias com “leitores” através de conversas particulares até 20 minutos. É um lugar onde questões difíceis são esperadas, agradecidas e sobretudo, respondidas.

Quem gosta de livros gosta de histórias. Os “livros” destas bibliotecas são pessoas que voluntariamente decidiram partilhar as suas histórias com os outros. Durante os “empréstimos”, o “leitor” pode ouvir a fazer perguntas.

A maioria das histórias está relacionada com um estereótipo ou tópico estigmatizado da sociedade. Por exemplo, pode falar com um refugiado, com um soldado a sofrer de stress pós-traumático, com um sem-abrigo, com alguém que vive com SIDA, com um autista, suicida, transexual, ativista, anarquista, etc.

O objetivo da biblioteca humana é promover o diálogo e aproximar as pessoas ao derrubar barreiras criadas por preconceitos, ajudando a eliminar os mesmos e a conhecer melhor a realidade do mundo, através de histórias contadas na primeira pessoa.

Existem poucas bibliotecas humanas fixas, sendo que este conceito assenta mais em eventos itinerantes. Para ser um “leitor” destas bibliotecas não é preciso ter um cartão, sendo que qualquer pessoa pode fazer parte desta experiência (como “leitor” e “livro”).

Estes eventos geralmente ocorrem em universidades, sendo que para saber onde será o próximo, o melhor é acompanhar a página de Facebook deste projeto.

As regras de utilização destes “livros” são as seguintes:

  • O aluguer de livros só pode ser renovado uma vez;
  • Cada conversa tem um limite entre 15 a 20 minutos;
  • Só são permitidas reservas para alugueres que vão ocorrer no próprio dia da reserva;
  • Comportamento agressivo e abusivo vai resultar no cancelamento dos privilégios do leitor;
  • Não se pode tirar fotografias sem o consentimento dos “livros” e/ou do staff da biblioteca.

As histórias que estes “livros” contam são fascinantes e chocantes, sendo que o objetivo da organização é demonstrar que nenhuma pessoa pode ser julgada pelo aspeto e que ninguém pode ser definido através de apenas uma palavra. A ideia é dar um significado real e concreto ao adágio: “não julgue um livro pela capa”.

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Ana Duarte Ana Duarte

Jornalista e gestora de comunicação no projeto Patient Innovation, Ana Duarte é mestre em Ciências da Comunicação, pela Universidade do Porto. A sua paixão pela escrita começou cedo, quando aprendeu a escrever e começou a criar os seus próprios jornais. Interessa-se por tecnologia, desporto, cinema e literatura.