Estrada fora pela Argentina

O tempo estava embrulhado e a temperatura tinha baixado um pouco, o ideal para seguir caminho com a mochila.

Estrada fora pela Argentina
A crónica de viagem de Diogo Campos

Na viagem existem momentos de pura felicidade e sem dúvida que partir pela Argentina em direção à Patagónia, onde teria que percorrer mais de 1500km, à boleia e sem ter qualquer contato que me pudesse receber ou ajudar durante o caminho e na chegada, era um desses momentos que me deixavam com o entusiasmo no máximo!

Para sair de Buenos Aires, inevitavelmente tive que apanhar um autocarro e acabei por gastar 3€. Foram cerca de 50km e em menos de 15min, a aguardar na estrada, e já estava dentro de um camião.

argentina 1

Foram umas quantas boleias e uma noite a dormir num posto de gasolina. No dia seguinte apanhei apenas duas boleias. A primeira foi a mais curta de todas até agora, apenas 7km. A segunda foi a mais longa de todas, quase 800km, desde as 9h da manhã até às 20h.

Percorremos quatro estados da Argentina, falámos de tudo e de nada, dormi, apreciei o caminho em silêncio, onde me dei conta de como a Argentina é um país deserto, durante quilómetros e quilómetros não se a vê presença do homem nem sequer da terra cultivada ou gado, apenas terra virgem, apenas a mãe natureza tal como era antes do homem existir.

mochileiros

Nessa noite dormi no camião, comi umas empadas que o condutor me ofereceu e umas maçãs que tinham caído de uma camioneta e estavam espalhadas à beira da estrada.

Continuei estrada fora e entre boleias e o deserto do norte da Patagónia cheguei a San Martín de los Andes. O último carro onde entrei antes de chegar à cidade, foi o de uma senhora com uma pick-up, que me deu boleia sem eu estar a pedir; a mim e a mais uma rapariga, dois rapazes e seguiram-se ainda mais dois rapazes… fomos no total seis mochileiros!

Dei apenas uma volta pela cidade, que fica junto a um lago e rodeada pela cordilheira, e fui até perto do lago que ficava já fora da cidade onde montei a minha tenda.

tenda

São tantos mochileiros a pedir boleia que acabo por nunca ser o único a tentar a sorte e, por vezes, acabo por me juntar a outros, onde passei um dia e uma noite num dos lagos na famosa estrada da Patagónia, a ruta dos 7 Lagos, com mais três mochileiros.

No dia seguinte, fomos todos juntos pedir boleia e além de conseguirmos ir os quatro no mesmo carro, o senhor que nos levou conhecia o local muito bem e foi o nosso guia turístico até Villa La Agustura.

Novamente sozinho, fui à boleia para Bariloche. Na primeira noite dormi numa floresta perto da cidade, onde montei a minha tenda clandestinamente, mas no segundo dia fui bater à porta de hotéis e por sorte logo no primeiro precisavam de um cozinheiro vegan.

vegan

Eu que pouco entendia da matéria disse que dava conta do recado, pois estava a precisar de comer decentemente e descansar numa cama longe do frio noturno da Patagónia.

Foram quatro noites a fazer o jantar para cerca de vinte pessoas. Davam-me vinte euros para ir às compras e daí tinha eu que puxar da imaginação. Adorei o desafio e a comida ficou muito melhor do que eu poderia imaginar, além de ter aprendido a fazer pesto sem queijo ou maionese, só com água, azeite e amêndoas e outros pratos que vou fazer quando chegar a Portugal. Acompanhem tudo em Puririy.

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Diogo Campos Diogo Campos

Diogo Campos é um sonhador de natureza. Tirou um Mestrado em Engenharia do Ambiente, já teve um negócio de sumos naturais e por vezes dedica-se à agricultura biológica. No ano de 2016 decidiu deixar tudo para trás e ir viajar apenas com bilhete de ida para a América do Sul, mas mais do que isso decidiu ir praticamente sem dinheiro. Neste momento está apenas dedicado à escrita e a viajar.