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8 falhanços do Facebook que dão que pensar

A partilha indevida dos dados dos seus utilizadores é o grande senão da maior e mais influente rede social do mundo. Descubra mais falhanços do Facebook.

8 falhanços do Facebook que dão que pensar
Os falhanços do Facebook dão que pensar aos utilizadores em todo o mundo

O escândalo com a empresa Cambridge Analytica voltou a focar a atenção nesta enorme fragilidade do Facebook, alertando uma vez mais os seus cerca de 1.86 biliões de utilizadores diários para a dura realidade: esta rede permite frequentemente graves violações da privacidade dos seus subscritores – mas, há mais falhas a apontar. Saiba quais são os grandes falhanços do Facebook. Adiantamos, desde já, que são 8 os listados e que dão que pensar.

O Facebook e as polémicas recorrentes


Desde a sua fundação, em 2004, que o Facebook tem estado envolvido em polémica. Mais do que uma plataforma de comunicação entre pessoas, esta rede social é frequentemente acusada de criar ferramentas e algoritmos de gestão de informação, capazes de manipular e influenciar a opinião pública, condicionando movimentos sociais, políticos e económicos.

A lista de falhanços do Facebook aumentou no início de 2018, com o caso da Cambridge Analytica, uma empresa inglesa especializada em consultoria política e que faz análise de dados para preparar estratégias de comunicação de candidatos eleitorais nos EUA.

A empresa utilizou os dados de 270 mil utilizadores que responderam a um quiz sobre personalidade disponibilizado no Facebook. Até aqui, tudo bem – afinal, estes utilizadores deram acesso aos seus dados para fazer o teste. O pior é que a empresa conseguiu aceder também aos dados dos 50 milhões de amigos associados aos utilizadores do quiz e, com base nessa informação, criou perfis que pudessem influenciar o eleitorado norte-americano.

O caso ainda está sob investigação, mas há já quem diga que esta foi a última gota de um copo já quase transbordante. Conheça os casos que se foram acumulando ao longo dos 14 anos de história do Facebook no mundo da comunicação digital.

Os 8 maiores falhanços do Facebook


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1. Apps que usam dados do Facebook sem os utilizadores saberem

É aqui que se enquadra o caso que este mês saltou para os títulos da comunicação social. Se é dos utilizadores que tem por hábito responder a testes tipo quiz, ou inicia sessões noutros sites com a conta do Facebook, é porque já deve ter dado, à empresa que está por trás do quiz ou do site, autorização para usar os seus dados. O que essas empresas depois fazem com essa informação não sabemos… Mas desconfiamos que não os usa com a melhor das intenções. Prova disso são casos como o da Cambridge Analytica.

2. A ferramenta Beacon e os feeds automáticos inconvenientes no mural

Criada em 2007, a ferramenta Beacon fazia parte de um sistema de publicidade dirigida, que o Facebook oferecia aos seus utilizadores. Este sistema registava as suas atividades de pesquisa e compra junto das 40 empresas que tinham acordo com a Beacon e estas tinham autorização para publicar no mural de cada utilizador a informação sobre essas atividades, podendo também anunciar produtos similares aos que o utilizador parecia gostar.

O objetivo era criar proximidade com o cliente e colocá-lo mais próximo dos amigos com gostos de compras similares. Tudo acontecida por defeito. As publicações eram feitas sem mesmo o utilizador estar online e este não tinha maneira de as bloquear.

O serviço acabou por ser encerrado em 2009, depois de envolver processos judiciais e pedidos de desculpa de Mark Zuckerberg, mas não sem antes ter feito estragos na vida pessoal e profissional de alguns utilizadores.

3. Um algoritmo permeável à xenofobia e ao racismo

Ainda dentro do sistema publicitário do Facebook surgiu outro grave problema. Para colocar anúncios dirigidos a públicos-alvo específicos, a rede social permitia às empresas escolher utilizadores da rede não apenas por idades, sexos e profissões, mas também por afinidade racial (afro-americanos, hispânicos, etc.) – isso para que pudessem aproximar os seus produtos do cliente.

Mas os resultados demonstraram que essas empresas poderiam usar a informação não só para atrair os tais públicos específicos para determinados produtos direccionados, mas também para os afastar de outros produtos e serviços como o crédito à habitação, seguros de saúde, anúncios de emprego, etc. A ferramenta já foi desativada.

4. Uma plataforma que potencia as notícias falsas e sensacionalistas

Para fazer a divulgação de uma mensagem na rede social, o algoritmo do Facebook privilegia as publicações com mais comentários e mais partilhas. É, por isso, muito provável que apareçam publicadas no seu mural as notícias mais sensacionalistas e não as mais credíveis.

Este parece ser um fator decisivo para que as fake news (notícias falsas) consigam tornar-se virais em muito pouco tempo nesta rede social. O Facebook ainda não resolveu a questão, mas já reconheceu que ela existe e que vai trabalhar para resolver o problema.

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5. O spam dos jogos

Lembra-se do Farmville? Foi um dos jogos mais populares do Facebook, depois de, em 2009, a rede ter criado uma área para o desenvolvimento de aplicações de gaming. Para além do convívio social, a rede queria entrar no mercado do entretenimento, ampliando a sua esfera de ação.

O resultado, todos conhecemos: os murais encheram-se de publicações automáticas que convidavam os utilizadores a jogar para ajudar um amigo a ganhar qualquer coisa, quer fosse no Farmville ou em todos os outros jogos que surgiram a seguir. A plataforma tornou-se um spam de mensagens de jogos difícil de controlar e o Facebook fechou-a.

6. Pesquisas científicas que podem fazer mal aos utilizadores

O Facebook partilha os seus dados com muitas universidades, permitindo que os seus investigadores acedam à informação dos utilizadores da rede. Os dados que disponibiliza estão ao abrigo das configurações que cada utilizador pode fazer dentro das normas de privacidade que a empresa oferece. Mas, em 2012, soube-se que o Facebook foi mais longe e que as investigações foram além de uma mera análise de dados do funcionamento normal da rede.

Um estudo interferiu ativamente nos murais de 700 mil utilizadores: para evidenciar como as mensagens negativas ou positivas influenciavam o estado de espírito das pessoas na rede social, foram colocadas mensagens de conteúdo positivo e negativo nos seus murais para testar a influência.

Não contente com a violação dos requisitos do consentimento informado necessário para a validação de um estudo científico, o Facebook ainda colocou em risco a saúde dos seus utilizadores ao postar mensagens com conteúdo negativo em murais de menores de idade que poderiam ter tendências depressivas. Ao divulgar os resultados, as críticas não se fizeram esperar e, mais uma vez, a rede social pediu desculpas. Resta saber se aprendeu a lição.

7. Internet.org e o mito da internet acessível a todos

A Internet.org foi criada numa parceria entre o Facebook e seis empresas do mundo das telecomunicações: Samsung, Ericsson, MediaTek, Opera Software, Nokia e Qualcomm.

O objectivo é fornecer acesso gratuito à internet nos chamados países em vias de desenvolvimento junto de populações com fraco poder económico. Mas esta entrada do Facebook no mundo da filantropia já foi muito criticada. Isso porque apenas oferece uma versão restrita da web: o Facebook e o que os seus parceiros selecionados podem e querem disponibilizar online.

Esta versão básica e limitada da internet é, por isso, altamente controlada e já foi banida pelas entidades governamentais na Índia, mas continua activa em 25 países. Será difícil encontrar ameaça mais real do que esta à neutralidade da internet.

8. Definições de privacidade que estão sempre aquém

Só em 2010, e depois de muitas criticas, é que o Facebook fez alterações significativas na sua rede social para permitir aos utilizadores configurar melhor as opções de privacidade que pode associar aos seus dados.

Desde então, quer nos EUA quer na Europa, a rede social já teve de levar vários “puxões de orelhas” para melhorar e ajustar essas opções, uma vez que foram várias as vezes que deixou activos por defeito muitos tipos de partilha de dados.

Para os mais céticos, não existe na empresa de Zuckerberg verdadeira vontade de dar poder aos utilizadores para controlar os seus dados ou em evitar falhanços deste tipo – que lhe rendem milhões até serem descobertos.

Mas, para os fãs da rede social, tratam-se apenas dos erros de percurso de uma das mais criativas plataformas de comunicação criadas online, que aprende e evolui através da utilização e dos erros cometidos. Resta esperar para ver qual o falhanço ou sucesso que se segue.

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