Qual é o melhor desconto na eletricidade?

Quase todas as semanas me fazem esta pergunta. O problema é que a melhor opção hoje, amanhã pode já não ser porque isto está como o preço dos combustíveis ou das telecomunicações.

Qual é o melhor desconto na eletricidade?
kWh, o que é isso?!

Todas as semanas mudam. Oferecem uns pozinhos aqui ou mais 1% ali. E andamos assim empurrados não se sabe bem para onde.

Começando pelo princípio, só há uma maneira de saber se tem o melhor desconto ou não: É passar a decorar quanto paga por kWh (diz-se “kilowatt/hora”).

kWh, o que é isso?!

Basicamente é o equivalente ao que paga por litro de combustível, mas em eletricidade. É quanto custam 1.000 W. Para ter uma ideia, é o preço que paga se usar um aspirador de 1.000 W durante uma hora seguida. Cerca de 20 cêntimos.

A partir daqui já começamos a perceber para onde vai o nosso dinheiro. Uma máquina de lavar roupa que consuma 2.000 W por lavagem custa 0,40€ cada vez que lava a roupa. Ou um forno ligado durante 2 horas gasta 0,80€. Ou um aquecedor a óleo no máximo pode gastar 1,60€ por dia se ficar toda a noite ligado (48€ ao fim do mês).

Portanto, assim já percebe a importância de saber quanto lhe cobra a sua empresa por cada mil Watts. Se pode pagar menos, exatamente pelo mesmo consumo, porquê pagar mais?

O segredo é perguntar exatamente os preços do kWh e da Potência contratada que vai pagar se mudar para a empresa que o está a tentar convencer. Depois, é só comparar com o valor atual dessas duas linhas que estão na sua fatura de eletricidade. Se for menos, pondere mudar.

Mas ainda antes de mudar, faça como faz (espero que faça) no mercado das telecomunicações. Regateie.

Há umas semanas, uma empresa ligou-me a propor um desconto melhor do que o que tinha na EDP. Usei essa proposta da concorrência para (tentar) melhorar o tarifário que tinha.

Liguei para a EDP e disse-lhes que tinha uma proposta melhor e de quanto era, sem grande esperança de que me aumentassem o desconto. Para minha surpresa, propuseram-me aumentar naquele instante o desconto de 2% para 3% no total da fatura. Mais do que isso não consegui. Mas com apenas um telefonema consegui ficar a pagar menos do que antes.

fatura

Cuidado com os descontos em percentagem

Cuidado quando lhe telefonam a propor 10, 15 ou 20% de desconto. Tem de saber sempre o valor final do kWh (agora já sabe o que é). Há empresas que aumentam os preços para depois “fingir” um desconto grande. E no final fica a pagar o mesmo ou uma milésima abaixo, pensando que está a fazer um grande negócio.

Um destes dias, propuseram-me pelo telefone 20% de desconto na Potência Contratada. Como sabem, 20% da Potência contratada é um valor ridículo porque é um valor fixo mensal de cerca de 5 euros (3.45 kVA). 20% parece muito, mas o que lhe estão a oferecer na prática é cerca de 1 euro por mês. Qualquer desconto relevante tem de ser no TOTAL da fatura e não apenas na Potência Contratada.

Disse ao senhor do Call Center que estava a pagar 0,1602 € por kWh na EDP. Para minha surpresa, respondeu-me: “Para clientes da EDP com esse desconto, posso fazer 4% no total da fatura”.

– “Pode mandar-me isso por escrito?”

– “Não! Estas propostas só se podem fazer ao telefone a clientes específicos que digam que estão na EDP com 3% de desconto”…

O desconto é com base na EDP Serviço Universal e passaria a pagar 0,1586 €/kWh e 0,2016 €/dia na Potência contratada (4.6 kVA). Decidi mudar. Comparem com os valores que estão a pagar atualmente na vossa fatura.

Há valores ainda mais baixos do que estes nas empresas mais pequenas e que entraram recentemente no mercado. É uma questão de arriscar ou não. Ouço infelizmente muitas histórias de erros e atrasos nas faturações e dificuldades em contactar o Apoio ao cliente. Também tenho relatos de clientes satisfeitos.

poupar

Dicas para poupar ainda mais na eletricidade

Veja qual é a potência contratada que tem. O normal é 3.45 kVA. Se é muito mais alta do que isso (6, 9 ou mais kVA) e tem dúvidas e não percebe nada disto, peça à sua empresa para baixar um escalão e se o quadro voltar a “ir abaixo” volte a pedir para aumentar para a potência contratada que tinha. Se não for abaixo pode pedir para baixar mais um escalão e assim sucessivamente.  É grátis. Só tem de estar em casa no dia combinado para o técnico da EDP quebrar o selo e baixar/aumentar a potência.

Só com esta dica vai provavelmente poupar mais do que com as campanhas de descontos que estão a decorrer nos vários fornecedores de eletricidade.

Segunda sugestão: veja se lhe compensa mudar para o bi-horário ou se, pelo contrário, deve voltar à tarifa simples.

Há milhares de consumidores que pensam que estão a poupar com o bi-horário e está a acontecer rigorosamente o oposto. Tem de perceber que se tem a tarifa bi-horária, está a pagar o dobro durante o dia para ter eletricidade a metade do preço à noite. Se liga. mesmo que esporadicamente, as máquinas ou o forno antes da 10 da noite, muito provavelmente o bi-horário está a dar-lhe prejuízo.

Mas como é que eu faço exatamente as contas?

Pegue na sua fatura da luz e tome nota numa folha de papel os valores “em vazio” e “fora do vazio” (em algumas faturas tem de somar “cheio” e “ponta”). De preferência de vários meses (o ideal é 12 meses). Use contagens reais.

Multiplique o valor “em vazio” por 2. Se o valor for igual ou superior ao valor “fora do vazio” compensa-lhe continuar ou aderir ao bi-horário.  Se o valor resultante for inferior, das duas uma: ou muda os seus comportamentos de consumo ou deve mudar para a tarifa simples.

Já agora, não se esqueça também de verificar na sua fatura se estão a fazer bem os descontos que lhe prometeram no mercado liberalizado. Passado um ano, em muitas empresas os descontos acabam e não lhe dizem nada. E volta a pagar pela tabela “antiga”. Tem de pedir para continuar a usufruir dos descontos. Temos de estar de olhos sempre bem abertos. Olhe bem para a sua fatura de eletricidade todos os meses. Como se fosse o seu extrato bancário. Só assim pode poupar.

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Pedro Andersson Pedro Andersson

Pedro Andersson é jornalista e responsável pela rubrica Contas-poupança, no Jornal da Noite da SIC. Trata semanalmente de temas ligados às finanças pessoais, poupança e direitos dos consumidores. Trabalhou na Rádio TSF, até ser convidado para ser um dos jornalistas fundadores da SIC Notícias. Escreve também regularmente no Expresso e na Visão sobre temas de poupança.