Eletricidade: a tarifa bi-horária compensa?

Numa primeira análise, a tarifa bi-horária compensa e vale mesmo a pena optar por esta alternativa. Mas será exatamente assim? Confira aqui se a poupança é real.

Eletricidade: a tarifa bi-horária compensa?
Descubra se vale a pena contratar este regime.

Na sua tentativa de minimizar o impacto da eletricidade nas despesas familiares mensais, grande parte dos consumidores portugueses consideram que a tarifa bi-horária compensa e estão dispostos a optar por esta alternativa. É bem compreensível a ânsia de redução da mensalidade da luz, se pensarmos nos permanentes aumentos que a eletricidade tem vindo a sofrer no nosso país, e no facto de, segundo o Eurostat, o Gabinete de Estatísticas da União Europeia, o valor de 100 kWh (kilowatt por hora) em Portugal ser cerca de €2 acima da média europeia.

No entanto, antes de tomar qualquer decisão, importa tentar compreender se realmente compensa optar pela tarifa bi-horária ou se é tudo uma ilusão. Para isso, terá de calcular os seus consumos reais e verificar se esta alternativa pode realmente ajudá-lo a poupar algum dinheiro no final de cada mês, se vale a pena avançar com a adesão.
 

Afinal, compensa ou não trocar para a tarifa bi-horária?

 

Quem pode aceder à tarifa bi-horária?

Qualquer pessoa que tenha uma potência contratada acima de 3,45 kVA pode optar pela tarifa simples ou pela bi-horária.

 

O que é a tarifa bi-horária?

Esta tarifa caracteriza-se por estipular diferentes preços por kWh, mediante o consumo ser feito em horas de vazio, que correspondem aos períodos noturnos e de fim de semana, ou em horas cheias, os restantes períodos de tempo. Na tarifa bi-horária, o preço da energia é bastante mais baixo durante as horas vazias, enquanto na tarifa simples, o preço é igual para todas as horas do dia. 

 

Quais as vantagens e desvantagens da tarifa bi-horária?

Ao ler o texto anterior, parece mesmo a tarifa bi-horária compensa, certo? E, sim: se fizer a maior parte do seu consumo nas horas vazias, a poupança pode ser mesmo significativa. Só que existe uma contrapartida: nesta tarifa, a potência consumida nas horas cheias é ligeiramente mais dispendiosa do que na tarifa simples, isto é: sempre que utilizar eletricidade nas horas cheias, vai pagar mais.

 

Quais os cálculos a efetuar antes de tomar qualquer decisão?

Para determinar se, no seu caso, a tarefa bi-horária compensa, tem de ter em conta três elementos essenciais: a potência contratada, que vem na sua fatura; uma estimativa do seu consumo mensal, que pode obter fazendo uma média dos últimos doze meses; e uma estimativa da percentagem do seu consumo em horas de vazio, que será provavelmente a mais difícil de obter.

No entanto, não é impossível. Assim, e tendo por base os dados fornecidos pela EDP, eis os passos que deve seguir:
1. Comece por identificar a potência (watt) do equipamento;

2. Depois determine o seu consumo mensal, multiplicando os watts pelo número de horas mensais durante as quais costuma estar ligado – ex.: uma lâmpada de 36 watts que esteja ligada oito horas por dia, estará acesa 240 horas por mês; assim, o seu consumo mensal é de 36 x 240 = 8.640 Watts;

3. Determine os kilowatt/hora (kWh) consumidos por mês, dividindo o watt por mil – ex.: 8.640 / 1000 = 8,64 kWh;

4. Calcule o custo deste consumo, multiplicando os kWh pelo valor tarifa – Ex.: imaginando que a tarifa simples custa €0,1587 (pode verificar as tarifas transitórias da ERSE em 2015), a conta a fazer é a seguinte: 8,64 kWh X 0,1587 = €1,37;

5. De seguida, calcule a energia consumida ou que prevê vir a consumir nas horas de vazio, tendo presente que existem eletrodomésticos que terão obrigatoriamente de estar ligados durante as horas cheias, como os frigoríficos, mas também há outros que podem ser utilizados exclusivamente durante esse período, como as máquinas de lavar e secar roupa, loiça, etc.;

6. Por fim, aplique os tarifários das várias operadoras e determine qual será o mais vantajoso para si.

Dica: para facilitar, pode recorrer a um destes simuladores:   

Em conclusão

Como poderá verificar pela análise feita acima, o facto de a tarifa bi-horária compensar, nem sempre é uma verdade absoluta. No entanto, se estiver determinado a tirar o máximo proveito deste tarifário, basta proceder a uma mudança de hábitos, concentrando o seu maior consumo energético nas horas de vazio. Aí, sim, pode compensar e bastante!

Opte ou não por aderir à tarifa bi-horária, esperamos que este artigo o ajude a tomar a decisão, pedindo desde já para que depois partilhe connosco a sua experiência. Boas poupanças!


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