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Depressão nos bebés: mito ou realidade?

Os bebés também podem apresentar sintomas de depressão. É importante que estes sejam detetados precocemente de forma a evitar problemas mais graves no futuro.

Depressão nos bebés: mito ou realidade?
Os bebés também deprimem

A depressão nos bebés é um tema alvo de muita discussão, sem haver ainda um consenso generalizado. Se alguns autores referem que este quadro clínico não existe devido à imaturidade cognitiva que os bebés apresentam, outros afirmam que desde a vida intrauterina os sinais de depressão começam a evidenciar-se.

Vamos, então, esclarecer o que dizem os trabalhos de investigação mais recentes e perceber de que forma a depressão nos bebés influencia o comportamento do bebé e a forma como este encara a realidade.

Depressão nos bebés: o que é?


depressao nos bebes

Não são muitos os estudos que se debruçam sobre esta problemática e, por isso, ainda pouco é conhecido sobre a depressão em crianças com idade inferior a três anos de idade. Alguns autores referem que por este motivo, muitas vezes, o sofrimento destes bebés não é reconhecido, o que leva a que não se intervenha junto destes casos.

A depressão provoca a alteração do estado de bem-estar e origina um estado de sofrimento, embora, antes dos 6 meses não possamos falar propriamente de depressão, mas sim de respostas depressivas. Estas respostas depressivas podem ser múltiplas e interferir no comportamento social, vida relacional e no desempenho cognitivo do bebé.

A depressão nos bebés poderá traduzir-se, mais tarde, numa excessiva dependência face aos outros e baixa autoestima, como resultado da necessidade insatisfeita de afeto.

Principais sintomas associados à depressão infantil

1) Humor depressivo ou irritável;

2) Evitamento do contacto visual;

3) Diminuição da capacidade de protesto;

4) Excessiva lamentação;

5) Ausência de alegria;

6) Desespero;

7) Inatividade;

8) Baixa vitalidade;

9) Desmotivação pela exploração do mundo externo;

10) Falta de competências relacionais e cognitivas;

11) Diminuição da socialização;

12) Inércia motora;

13) Pobreza interativa;

14) Ausência de comportamentos de brincadeira;

15) Perda de apetite e de peso.

Principais causas da depressão infantil


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A introdução do conceito de depressão nos bebés veio trazer um reconhecimento à criança como pessoa que pode sofrer de dor psicológica. As crianças deprimem quando esgotam todas as suas soluções para alcançar o equilíbrio psicológico.

A depressão infantil surge associada a frustrações precoces e graves que tiveram lugar no sistema familiar, nomeadamente:

1) História de depressão materna;

2) Descontinuidade dos cuidados devido à separação da mãe ou do principal cuidador;

3) Discórdia familiar;

4) Relações disfuncionais;

5) Comunicação pobre entre os pais e a criança;

6) Alto criticismo parental;

7) Gravidez não desejada;

8) Processos de luto;

9) Desinvestimento materno.

A importância da depressão infantil é avaliada em função da sua duração e dificuldades que provoca. Muitas vezes, existem outros sintomas associados, como perturbações do comportamento ou défices de atenção e hiperatividade, o que torna o diagnóstico de depressão mais difícil de detetar.

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Ana Graça Ana Graça

Mestre em Psicologia, pela Universidade do Minho, com a dissertação “A experiência de cuidar, estratégias de coping e autorrelato de saúde”. Especialização (Pós-Graduada) em Neuropsicologia Clínica, Intervenção Neuropsicológica e Neuropsicologia Geriátrica. Membro efetivo da Ordem dos Psicólogos Portugueses, com especialidade em Psicologia Clínica e da Saúde e Neuropsicologia. Além da Psicologia. é apaixonada por viagens, leitura, boa música, caminhadas ao ar livre e tudo o que traga mais felicidade!