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Transtorno obsessivo compulsivo: sinais e mitos frequentes

O transtorno obsessivo compulsivo caracteriza-se por pensamentos recorrentes e rituais comportamentais, às vezes bizarros e incapacitantes. Saiba tudo.

Transtorno obsessivo compulsivo: sinais e mitos frequentes
Cerca de 3% da população sofre desta doença

O transtorno obsessivo compulsivo é reconhecido como a quarta perturbação psicológica mais prevalente, tão frequente como, no plano médico, a asma ou a diabetes.

Incrível? Sim, mas é um facto: entre 2 a 3% da população mundial sofre com este problema, que apesar de conhecido, ainda está envolvido em muitos mitos. Saiba tudo sobre o assunto aqui.

Transtorno obsessivo compulsivo: o que é e como tratar


Este é um transtorno mental caracterizado por pensamentos incontroláveis e desagradáveis, e por comportamentos repetitivos e ritualizados, que o doente não consegue evitar nem controlar. As pessoas com transtorno obsessivo compulsivo (TOC) podem ficar deprimidas, sentir ansiedade extrema e grande mal-estar.

Começa na adolescência ou no início da idade adulta, mas também pode surgir na infância. O curso da doença tem altos e baixos, consoante o nível de stress que o doente vai sentindo na sua vida.

O transtorno obsessivo-compulsivo é progressivo, ou seja, sem tratamento eficaz, piora. Quanto ao grau de incapacidade causada pelo TOC, pode variar de ligeira a grave.

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Sintomas e sinais do TOC: obsessões e compulsões

Este transtorno é composto por duas componentes principais: as obsessões e as compulsões.

Obsessões:

  • Pensamentos ou imagens mentais intrusivos, persistentes e geradores de uma ansiedade muito significativa;
  • Surgem de uma forma repetitiva e resistem a ser expulsos da consciência;
  • Originam um elevado desconforto e ansiedade, e a pessoa sente-se compelida a fazer algo para reduzir esse mal-estar.

Compulsões:

  • Ações ritualizadas que surgem como resposta às obsessões;
  • Cumprem uma função de controlo da ansiedade, ainda que inadequada;
  • São a única forma de ultrapassar a ansiedade causada pelas obsessões, no entanto, são ineficazes porque reforçam o funcionamento obsessivo-compulsivo;
  • São, na maior parte das vezes, comportamentos exteriores e, contrariamente às obsessões, que se passam na privacidade do espírito de cada um, tornam-se bastante visíveis para os outros.

Qual o tratamento?

Farmacológico: há vários fármacos disponíveis e a sua escolha obedece a critérios médicos, em conformidade com a especificidade de cada doente.

Terapia cognitivo-comportamental: ajuda o doente a lidar com a ansiedade produzida pelas obsessões e a reduzir ou eliminar os rituais compulsivos.

3 mitos sobre o transtorno obsessivo compulsivo


1. Comportamentos repetitivos e ritualizados são sinónimo de transtorno obsessivo compulsivo (TOC): não necessariamente. Os comportamentos ritualizados apenas podem ser considerados perturbação quando a pessoa não os consegue controlar e quando interferem gravemente no seu dia a dia. As tendências de maior organização ou limpeza que todos nós exibimos, de tempos a tempos, não correspondem a esta doença tão grave e incapacitante.

2. O principal sintoma de TOC é a lavagem de mãos excessiva: as obsessões e compulsões podem assumir inúmeras formas. Apesar da imagem da excessiva lavagem de mãos ser frequentemente associada a este transtorno, tal não significa que seja o seu principal sintoma; outras compulsões, tão ou mais comuns, são a limpeza excessiva dos espaços, a necessidade de confirmar várias vezes se fez determinada ação e a organização dos objetos por determinada ordem.

3. Pessoas com TOC não têm compreensão de que estão a agir de forma irracional: grande parte das pessoas que apresenta este transtorno tem noção da relação entre os seus pensamentos (obsessões) e os seus comportamentos (compulsões). Esta doença provoca tanto sofrimento exatamente pelo facto dos doentes terem consciência da irracionalidade dos seus pensamentos e comportamentos e, mesmo assim, serem incapazes de os travar.

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Ana Graça Ana Graça

Mestre em Psicologia, pela Universidade do Minho, com a dissertação “A experiência de cuidar, estratégias de coping e autorrelato de saúde”. Especialização (Pós-Graduada) em Neuropsicologia Clínica, Intervenção Neuropsicológica e Neuropsicologia Geriátrica. Membro efetivo da Ordem dos Psicólogos Portugueses, com especialidade em Psicologia Clínica e da Saúde e Neuropsicologia. Além da Psicologia. é apaixonada por viagens, leitura, boa música, caminhadas ao ar livre e tudo o que traga mais felicidade!