O jogo online ilegal continua a crescer em Portugal, e os números de 2025 mostram uma realidade preocupante. Mais de duas mil reclamações chegaram ao Portal da Queixa, todas relacionadas com casinos e casas de apostas sem licença do SRIJ (Serviço de Regulação e Inspeção de Jogos). A maioria dos casos envolve bloqueios de conta, dinheiro retido e levantamentos que nunca chegam ao destino.
Os dados revelam um padrão claro: plataformas ilegais atraem jogadores com promessas tentadoras, mas quando chega a hora de levantar os ganhos, os problemas aparecem. E não são casos isolados. Jogar de forma segura e informada é a única proteção real contra estas práticas abusivas.
Outubro foi o mês com mais queixas
O registo de reclamações manteve-se elevado durante todo o ano de 2025, mas outubro concentrou 12% do total anual. Não há uma explicação definitiva para este pico, mas é possível que campanhas promocionais intensivas nesse período tenham atraído mais jogadores, que posteriormente enfrentaram problemas.
A distribuição geográfica das queixas também revela padrões interessantes. Lisboa lidera com 16,56% das reclamações, seguida do Porto com 14,31%. As grandes cidades concentram naturalmente mais utilizadores, mas também maior exposição a publicidade digital direcionada.
Homens entre 35 e 44 anos são os mais afetados
O perfil demográfico das vítimas de jogo ilegal mostra que 78,61% das reclamações vêm de homens. A faixa etária dos 35 aos 44 anos representa quase metade das queixas, com 46,94% do total.
Este grupo específico pode ser particularmente vulnerável por várias razões. Têm maior poder de compra que os mais jovens, estão ativos nas redes sociais onde estas plataformas se promovem, e podem subestimar os riscos associados ao jogo online sem licença.
Contas bloqueadas e dinheiro retido são o problema mais comum
Das 2.090 queixas registadas em 2025, 72,08% referem dificuldades nos levantamentos. Contas bloqueadas sem aviso prévio, atrasos que se prolongam por semanas ou meses e reembolsos prometidos que nunca se concretizam.
Os relatos dos consumidores portugueses pintam um cenário repetitivo. Alguém deposita centenas ou milhares de euros, joga, ganha, e quando tenta levantar o dinheiro, a plataforma simplesmente congela a conta. O apoio ao cliente desaparece ou responde com mensagens automáticas que não resolvem nada.
Algumas plataformas usam uma estratégia ainda mais elaborada: adiam pagamentos de forma sistemática, criando obstáculos burocráticos absurdos, até que o jogador desiste ou perde o saldo jogando novamente. É uma forma de reter fundos sem assumir diretamente a fraude.
Fraudes e falta de segurança afetam quase 20% dos casos
Depois dos problemas com levantamentos, 18,76% das reclamações dizem respeito a fraudes e falhas de segurança. Aqui entram suspeitas de burla, utilização indevida de dados pessoais e práticas enganosas que violam direitos básicos dos consumidores.
Sem a supervisão do SRIJ, estas plataformas operam numa zona cinzenta onde a proteção ao jogador simplesmente não existe. Dados bancários, informações pessoais e até documentos de identificação enviados durante processos de verificação podem acabar em mãos erradas.
O problema agrava-se quando percebemos que muitas destas plataformas não têm sequer uma entidade física identificável. Quando algo corre mal, não há ninguém para responsabilizar.
Influencers e redes sociais: a porta de entrada para o jogo ilegal
Um dos fatores que explica o crescimento destas reclamações está na forma como as casas de apostas ilegais se promovem. Influencers portugueses nas redes sociais tornaram-se os principais veículos de divulgação destas plataformas.
Os códigos promocionais, os bónus generosos e os testemunhos entusiastas criam uma falsa sensação de segurança. Muitos jovens e adultos acreditam que, se uma figura pública promove determinada plataforma, ela deve ser fiável, mas a realidade não é bem assim.
O Portal da Queixa alerta que este fenómeno exige maior responsabilização de quem promove conteúdos sobre jogo online. A literacia digital precisa de acompanhar o ritmo acelerado com que estas plataformas se multiplicam.
Como identificar casas de apostas legais em Portugal
A solução passa por escolher apenas plataformas licenciadas pelo SRIJ. Mas como distinguir as legais das ilegais? Há sinais claros que qualquer pessoa pode verificar antes de criar uma conta.
Primeiro, todas as casas de apostas legais em Portugal exibem o logótipo do SRIJ no site, geralmente no rodapé da página. Este logótipo deve ser clicável e redirecionar para o site oficial do regulador, onde é possível confirmar a licença.
Segundo, as plataformas legais operam com domínios .pt ou estão registadas na lista oficial do SRIJ. Uma simples pesquisa no site do regulador confirma se determinada empresa tem autorização para operar em território nacional.
Terceiro, os métodos de pagamento e levantamento são transparentes, com prazos claros e suporte ao cliente eficaz em português. As plataformas ilegais costumam dificultar propositadamente estes processos.
A grande diferença entre jogar numa casa de apostas legal ou ilegal resume-se a uma palavra: proteção. As plataformas licenciadas pelo SRIJ estão obrigadas a cumprir regras rigorosas que salvaguardam os interesses dos jogadores, como limites de depósito, ferramentas de autoexclusão, proteção de dados pessoais segundo o RGPD, resolução de conflitos através de entidades oficiais e garantia de que os fundos dos jogadores estão separados das contas da empresa.
Jogo responsável começa com escolhas informadas
O crescimento das reclamações evidencia a necessidade de reforçar a literacia digital e a fiscalização. Por isso, o E-konomista e o Portal da Queixa, reforçam o seu compromisso conjunto de apoiar, proteger e informar, contribuindo para um futuro mais consciente e seguro para as apostas online.
Esta parceria visa criar uma comunidade de jogadores informados, capazes de identificar riscos, fazer escolhas acertadas e exigir os seus direitos quando necessário. Para se manter atualizado sobre as melhores práticas de jogo responsável subscreva a newsletter do E-konomista. Informação credível e atualizada pode fazer toda a diferença na hora de proteger o seu dinheiro.