O bilhete único nacional para todos os transportes públicos estará disponível até ao próximo mês de junho e acessível através do Cartão de Cidadão.
A medida, anunciaa pelo Governo, promete simplificar a mobilidade dos portugueses e pôr fim à confusão de múltiplos títulos de transporte.
O bilhete único para transportes públicos é uma solução de bilhética intermodal que permite ao utilizador circular em diferentes operadores e redes de transporte (urbanas, interurbanas e metropolitanas) com um único título de transporte.
Ou seja, o mesmo meio de pagamento e validação serve para apanhar o metro em Lisboa, o autocarro no Porto ou o comboio entre cidades.
A grande novidade desta versão é a integração com o Cartão de Cidadão, eliminando a necessidade de cartões físicos dedicados a cada operadora ou região.
Quando entra em vigor o bilhete único?
O ministro Adjunto e da Reforma do Estado, Gonçalo Matias, garantiu que a solução estará operacional até junho de 2026. Segundo o governante, o objetivo é tornar a mobilidade “mais simples e integrada para os passageiros”.
A medida insere-se na estratégia mais ampla de simplificação administrativa e digitalização dos serviços públicos que o Governo tem vindo a implementar.
Uma ideia com história
A ideia de um bilhete único nacional não é nova.
O projeto 1Bilhete.pt foi lançado pelo anterior Governo do PS, em 2023, com o objetivo de criar uma plataforma nacional de bilhética intermodal que harmonizasse os sistemas tarifários entre as diferentes regiões do país.
O que muda agora é o prazo concreto e a confirmação do financiamento necessário para avançar, dois obstáculos que tinham atrasado a concretização da medida nos últimos anos.
Como vai funcionar na prática?

De acordo com as informações divulgadas pelo Governo, o bilhete único deverá ter um modo de funcionamento bastante simples.
- Suporte. Cartão de Cidadão, eliminando a necessidade de cartões separados por operadora ou região
- Cobertura. Redes urbanas (metro, autocarro, elétrico), interurbanas e metropolitanas
- Interoperabilidade: Um único título válido independentemente do operador ou da localização geográfica
- Digitalização. Alinhado com a política de desmaterialização documental da Administração Pública
Impacto para os utilizadores
Para quem usa os transportes públicos no dia a dia, a mudança é significativa.
Atualmente, um pendular que viaje, por exemplo, entre a Margem Sul e Lisboa pode precisar de um passe da Fertagus, de um título do Metro de Lisboa e de um cartão de outro operador urbano. O bilhete único unifica tudo isto num só interface.
Além da conveniência, a medida tem potencial para aumentar a adesão aos transportes públicos, um objetivo estratégico do país face aos compromissos de descarbonização e redução da dependência do automóvel particular.
DUA digital também a caminho
O anúncio do bilhete único foi feito em conjunto com outra medida de modernização. É que o Documento Único Automóvel (DUA) em formato digital será lançado “nas próximas semanas”.
O DUA digital vai permitir aos proprietários de veículos aceder à informação do seu automóvel sem necessidade de suporte físico, eliminando também as situações em que automobilistas são multados por divergências de morada entre o DUA e o Cartão de Cidadão.
Ambas as iniciativas fazem parte da agenda de modernização administrativa do Executivo, que aposta no Cartão de Cidadão e nas plataformas digitais como instrumentos centrais para simplificar a relação entre os cidadãos e a Administração Pública.