Nem sempre é preciso subir serras ou percorrer quilómetros de estrada secundária para encontrar água em queda livre. Às vezes, basta desviar ligeiramente do trajeto habitual. As Cascatas da Sevilha, no concelho de Tábua, são um desses casos felizes.
É um conjunto de quedas de água discretas, encaixadas num vale verde, que continuam fora do circuito turístico mais ruidoso e talvez por isso mantenham tanto encanto.
Conhecidas localmente como a “Sevilha portuguesa”, estas cascatas formam-se ao longo da Ribeira da Sevilha, num cenário onde a água escava a rocha com paciência antiga, criando pequenos desníveis, poços naturais e zonas de sombra quase permanentes.
Cascatas da Sevila: território moldado pela água
As cascatas surgem de forma sucessiva, ao longo de um troço da ribeira que atravessa um vale densamente arborizado.
A água corre entre rochas cobertas de musgo, desce em pequenos degraus naturais e acumula-se em zonas mais calmas, formando piscinas naturais que variam conforme a estação do ano.
Na primavera e após períodos de chuva, o caudal aumenta e as cascatas ganham expressão sonora e visual.
No verão, o fluxo abranda, mas o espaço continua apelativo, sobretudo pela frescura e pela sombra oferecida pela vegetação envolvente. O cenário não muda radicalmente. Ajusta-se. Como tudo aqui.
O que ver nas Cascatas da Sevilha

O principal elemento é, naturalmente, a sucessão de quedas de água ao longo da ribeira. Não existe uma única “grande cascata” que monopolize a atenção.
O interesse está no conjunto, nas diferentes formas que a água assume, nos recantos escondidos, nos pequenos poços que surgem quase sem aviso.
As margens da ribeira revelam também vestígios da relação antiga entre as comunidades locais e a água, com muros de contenção, caminhos informais e zonas onde outrora se lavava, se regava ou simplesmente se parava.
A paisagem não é selvagem no sentido absoluto. É habitada, mesmo quando parece abandonada.
Atividades para fazer no local
As Cascatas da Sevilha são ideais para caminhadas curtas e exploração pedestre, sem necessidade de grande preparação física.
Os percursos fazem-se maioritariamente por trilhos informais, pelo que convém calçado adequado e atenção ao piso, sobretudo em zonas húmidas.
Nos meses mais quentes, as piscinas naturais tornam-se um convite óbvio. A água é fria, mesmo no pico do verão, mas essa é precisamente parte do atrativo. Aqui, o banho é rápido, revigorante, quase terapêutico.
O local é também adequado para observação da natureza, fotografia de paisagem e momentos de pausa prolongada. Não há infraestruturas turísticas montadas. Isso implica autonomia, mas também garante uma experiência menos formatada.
Como chegar e o que ter em conta
O acesso às Cascatas da Sevilha faz-se a partir de Tábua, seguindo depois por estradas locais e caminhos de terra batida.
O último troço exige alguma atenção, mas é perfeitamente acessível na maioria dos veículos. Não existe estacionamento formal e o uso responsável do espaço é essencial.
É importante respeitar o ambiente, levar lixo de volta, evitar ruído excessivo, não alterar o curso da água nem danificar a vegetação.
As cascatas mantêm-se atrativas precisamente porque não foram transformadas em atração de massas.
O que visitar nas redondezas

A proximidade a Tábua permite complementar a visita com um passeio pelo centro da vila, onde se encontram restaurantes de cozinha regional, pastelarias e comércio local.
A região oferece ainda outros pontos de interesse natural e cultural, como praias fluviais, percursos pedestres sinalizados e aldeias dispersas pelo território da Beira Serra.
Para quem dispõe de mais tempo, o interior do distrito de Coimbra revela-se particularmente generoso em paisagem, rios e património discreto, ideal para escapadinhas sem pressa.
Um lugar que pede contenção
As Cascatas da Sevilha não pedem promoção excessiva nem estruturas artificiais. Pedem atenção. E algum silêncio.
São um exemplo claro de como a natureza, quando deixada em paz, continua a oferecer experiências completas, mesmo sem grandes legendas explicativas.
Aqui, a água faz o trabalho todo. Basta não atrapalhar.