A OpenAI anunciou oficialmente o início de testes de publicidade no ChatGPT, marcando uma mudança significativa na estratégia de monetização da empresa de inteligência artificial mais conhecida do mundo.
A decisão representa um ponto de viragem no modelo de negócio, que até agora dependia quase exclusivamente de assinaturas pagas e contratos empresariais.
Os anúncios começarão a ser testados inicialmente apenas nos Estados Unidos da América. A implementação será direcionada a dois grupos específicos de utilizadores, designadamente aqueles que usam a versão gratuita do ChatGPT e os subscritores do plano Go, que custa 8 dólares por mês (cerca de 6,9 euros).
Os anúncios surgirão na parte inferior das respostas do chatbot, com separação visual clara do conteúdo principal, garantindo que os utilizadores consigam distinguir facilmente entre o conteúdo gerado pela inteligência artificial e a publicidade patrocinada.
Segundo a OpenAI, os anúncios serão exibidos apenas quando considerados relevantes para a consulta do utilizador.
As assinaturas mais caras da plataforma, como os planos Plus, Pro, Business e Enterprise, continuarão completamente livres de qualquer tipo de publicidade, mantendo a experiência premium para utilizadores que pagam pelos serviços mais avançados.
ChatGPT: princípios e garantias de Privacidade
A OpenAI estabeleceu uma série de princípios orientadores para a introdução dos anúncios, priorizando a confiança do utilizador.
A empresa diz que não partilhará conversas com anunciantes, nem exibirá publicidade sobre temas sensíveis como saúde mental e política.
Adicionalmente, contas identificadas como pertencentes a menores de 18 anos não verão qualquer tipo de anúncio.
A companhia garante ainda que os anúncios não influenciarão as respostas do ChatGPT, mantendo a objetividade e utilidade como critérios principais.
Os utilizadores terão controlo sobre a utilização dos seus dados para fins publicitários, com opções para desativar a personalização, limpar informações usadas para anúncios e enviar feedback sobre o conteúdo exibido.
Motivações financeiras da OpenAI

A decisão de introduzir publicidade surge num momento de forte pressão financeira. A OpenAI comprometeu-se a gastar cerca de 1,4 triliões de dólares em data centers e chips para IA nos próximos anos, valores astronómicos que tornam a diversificação de receitas uma necessidade estratégica.
A expectativa da OpenAI é gerar alguns biliões de dólares com publicidade já em 2026, com crescimento anual a partir daí.
A empresa projeta alcançar receitas de 35 mil milhões de dólares este ano e 70 mil milhões em 2027, embora não espere ser lucrativa até 2030.
Com cerca de 800 milhões de utilizadores mensais e apenas 35 milhões de subscritores pagos, existe um enorme mercado potencial para monetização através de publicidade.
A OpenAI estima atingir 220 milhões de assinantes até 2030, num universo projetado de 2600 milhões de utilizadores.
Mudança de posição de Sam Altman
A introdução de anúncios representa uma reviravolta na posição pública de Sam Altman, CEO da OpenAI, que já tinha manifestado seu desconforto pessoal com publicidade, classificando-a como último recurso.
Na altura, Altman alertou para o risco de os utilizadores passarem a ver o chatbot como um vendedor de produtos, o que poderia comprometer a confiança na ferramenta.
Contudo, em meados de 2025, o executivo suavizou o discurso, reconhecendo que não era “totalmente contra” a prática.
ChatGPT e as tendências do mercado
A OpenAI não está sozinha nesta estratégia. Gigantes tecnológicas como Google, Meta e Microsoft já incorporaram publicidade nos seus produtos de inteligência artificial, utilizando bases amplas de utilizadores para diluir os custos tecnológicos elevados.
Dados recentes indicam que a quota de mercado do ChatGPT recuou de 86% para 64% no último ano, enquanto o Gemini, do Google, cresceu de 5,7% para 21,5%.
Esta intensificação da concorrência torna ainda mais premente a necessidade de encontrar modelos de negócio sustentáveis.
O mercado de publicidade digital estava estimado em 1 trilião de dólares em 2025, representando uma oportunidade significativa para empresas de inteligência artificial que consigam implementar publicidade de forma eficaz e respeitosa.
Paralelamente ao anúncio dos anúncios, a OpenAI confirmou a expansão global do plano Go, que já está disponível em 171 países onde o ChatGPT opera.
Este plano intermédio, posicionado entre a versão gratuita e o ChatGPT Plus, oferece funcionalidades adicionais a um preço mais acessível, ampliando as opções disponíveis para diferentes perfis de utilizadores.
Monetização da IA: caminhos a trilhar
A introdução de publicidade no ChatGPT levanta questões importantes sobre o futuro da monetização de ferramentas de inteligência artificial.
À medida que os custos de desenvolvimento e manutenção destes sistemas continuam a crescer exponencialmente, as empresas do sector enfrentam o desafio de equilibrar sustentabilidade financeira com a confiança dos utilizadores.
Para já, a OpenAI garante que a qualidade e objetividade das respostas do ChatGPT permanecerão inalteradas, com a publicidade a servir como complemento financeiro sem comprometer a experiência central do utilizador.
Resta saber se conseguirá manter este delicado equilíbrio à medida que expande o programa publicitário.