Share the post "Comissão parlamentar sobre incêndios reacende críticas à inação governativa"
A criação de uma comissão parlamentar sobre incêndios reacendeu o debate político em torno da gestão da floresta em Portugal. Nos últimos dias, o PCP manifestou-se a favor da iniciativa, mas alertou para o risco de nova repetição de diagnósticos sem consequências práticas.
Apesar de dezenas de medidas propostas após os fogos de 2017, os problemas persistem, com a atuação do Governo nos incêndios a ser, mais uma vez, colocada em causa. Será desta que se passa à ação? Este artigo analisa o posicionamento dos partidos, as lacunas na proteção civil e os desafios urgentes na prevenção dos fogos florestais.
Comissão de inquérito aos fogos florestais: debate volta ao Parlamento
Divergências partidárias sobre a abordagem às políticas de prevenção de incêndios
O Parlamento voltou a colocar em cima da mesa propostas para a criação de uma comissão de inquérito aos fogos florestais. Desta vez, pela mão de partidos como Chega, Bloco de Esquerda e JPP. Por sua vez, o PS prefere apostar numa comissão técnica independente sobre incêndios, numa linha semelhante à adotada após a tragédia de 2017.
O PCP, através do seu secretário-geral Paulo Raimundo, garantiu que não se opõe a nenhuma das propostas. Reforça assim o seu compromisso de contribuir para este tipo de iniciativas — ainda que com críticas à repetição constante de estudos pouco consequentes. “Não será por nós que essas comissões deixarão de ser feitas”, assegurou Raimundo.
“Temos uma comissão técnica independente que, no seguimento dos fogos de 2017, tirou conclusões. E então? Não serviu para nada esse trabalho?”, questionou o líder do PCP, sinalizando o desinteresse político na aplicação de medidas já identificadas e discutidas. A falta de atuação do Governo nos incêndios e a ausência de políticas estruturais estão na origem das suas críticas.
Relevância da comissão técnica independente sobre incêndios de 2017
Para o partido comunista, os sucessivos alertas têm sido ignorados. Não é apenas a falta de meios que preocupa, mas também a forma como o território é gerido. A gestão da floresta em Portugal continua marcada pelo abandono do interior, a par de uma política de desvalorização da floresta e da coesão territorial.
Contudo, o PCP garante a sua participação ativa em qualquer grupo que venha a ser criado para abordar o tema. O enfoque, explica, deve sair da burocracia e centrar-se na aplicação de recomendações já validadas por especialistas e anteriores comissões técnicas.
A verdade é que o debate parlamentar sobre fogos florestais tem-se repetido ciclicamente, frequentemente após os meses de verão. Mas, como sublinha o PCP, a inércia mantida ao longo dos anos compromete qualquer esforço real de mudança. A implementação de políticas de prevenção de incêndios continua bloqueada por falta de prioridade política.
Partilhe este artigo e junte-se à discussão sobre a resposta política aos incêndios florestais. O futuro da nossa floresta depende de todos nós!