Valdemar Jorge
Valdemar Jorge
02 Dez, 2021 - 12:10

Carro novo: tempo de espera não pára de aumentar

Valdemar Jorge

A falta de componentes, nomeadamente chips e semicondutores estão a limitar a produção. Comprar carro novo pode ser uma dor de cabeça.

carro novo

Atualmente quando as coisas não correm bem é naturalmente que se coloca as culpas na pandemia COVID-19 que, desde o princípio do ano de 2020, tem atormentado o Mundo de um modo geral e, Portugal, de forma particularmente grave. E a economia também se ressente, como se quer comprar um carro novo.

Apesar da pandemia parecer estar mais controlada muito devido à ação de vacinação massiva da população que se fez sentir nos últimos meses, a verdade é que uma “quinta vaga” está a assombrar o último trimestre de 2021. O setor automóvel é um dos que mais tem sofrido por via da pandemia, nos mais diferentes subsetores de ação.

Carro novo: falta matéria prima

Nas últimas semanas têm sido recorrentes as notícias da falta de automóveis novos. Com marcas, como a BMW, por exemplo, a dar conta de que alguns dos seus modelos novos vão chegar aos clientes sem a funcionalidade de “touch screen” nos ecrãs de infoentretenimento, por via da falta de chips.

Pelo que comprar carro novo pode ser uma dor de cabeça. Porquê? Por que a falta de chips e semicondutores está a fazer com que as fábricas parem a produção de muitos modelos, ou diminuam, em alguns casos a sua utilização.

A não produção de novos carros por falta de matéria prima influencia o mercado negativamente, obrigando a tempos de espera maiores, por parte do potencial cliente. E, por outro lado, potencia o aumento do preço dos automóveis em segunda mão que, atualmente estão com maior procura. Entretanto, começa a registar-se igualmente, falta de produto neste setor.

Mais de um ano à espera do carro novo

Outra das consequências é o facto das empresas com grandes frotas automóveis e, mesmo, as rent-a-car, adiarem a troca dos modelos que têm em utilização por não haver oferta de automóveis novos capaz de satisfazer os pedidos que são feitos.

Em alguns casos, como não realizaram stock de viaturas devido à situação pandémica que dura há mais de um ano, as empresas acabam por adquirir modelos no segmento dos seminovos e usados.

E, se nestes casos é complicado gerir e satisfazer a entrega de novos automóveis por parte das marcas, a situação de falta de chips e semicondutores é ainda mais constrangedora junto dos clientes particulares, que poderão em alguns casos ter de esperar um ano para ter o carro novo na garagem.

E, não se pense que é só nas fábricas de automóveis na França, Alemanha, Reino Unido e por esse Mundo fora que as dificuldades são sentidas.

Também na fábrica da Volkswagen Autoeuropa, em Palmela, onde a marca alemã produz modelos como o T-Roc, Sharan e Seat Alhambra, a crise mundial dos chips e de semicondutores também se faz sentir levando ao registo de algumas paragens no setor produtivo. Não está fácil comprar um carro novo.

Segmento dos citadinos é que sofre mais

As dificuldades são transversais a todo o setor. Quer no dos automóveis novos, quer no dos usados.

O que se começa a sentir é que os automóveis usados começam a ter uma menor desvalorização e, pontualmente, começam a aparecer modelos com preços acima do que é normal no mercado, na ordem dos 2/3 mil euros.

Modelos citadinos novos, de que são exemplo os da Peugeot ou Citroën, começam a registar uma lista de espera dilatada no tempo, com ano e meio a dois anos de espera.

A Renault anuncia entre dois a três meses a mais, a somar aos atuais 60 dias, o que perfaz cerca de meio ano de espera.

camião a transportar veículos para quem quiser comprar carros usados na Alemanha

Automóveis usados começam a não desvalorizar

E só para falar de marcas que têm forte presença no segmento dos citadinos. Todas de uma forma geral sofrem com a atual falta de componentes eletrónicos.

Os profissionais dos setores do pequeno e médio retalho, como se não bastasse todas as dificuldades com que lutam há mais de um ano, não conseguem ver luz ao fundo do túnel.

A falta de componentes eletrónicos é transversal a todas as marcas e modelos em todo o Mundo e mais, estes componentes não são só utlizados no mundo automóvel, há outros segmentos de atividade que precisam ser abastecidos.

No setor dos usados começa a sentir-se menor desvalorização dos modelos, nomeadamente dos automóveis importados, com os valores a subirem lentamente, e a “procurarem” a fasquia de preços que se registava há cerca de dois anos. Isto é, anterior à pandemia.

Problema sem resolução à vista

A crescente mudança de paradigma de deixar os tradicionais motores a combustão em prol dos motores elétricos, se por um lado é benéfica para o Ambiente mundial (há quem argumente o contrário…), veio mostrar também algumas fragilidades no setor de componentes eletrónicos.

A falta de chips e componentes como os semicondutores está a penalizar de forma severa um dos setores mais importantes para a economia. A oferta é cada vez mais reduzida e os tempos de espera pelos componentes aumentam todos os dias.

Até ao final do ano os mais diversos players do segmento automóvel – associações, empresários, sector produtivo, e outros –, não sentem que vá haver alterações de fundo e que, os componentes essenciais para o funcionamento de todo o tipo de sistemas eletrónicos dos automóveis cheguem para satisfazer a produção.

Resta esperar por 2022 e crer que melhores dias virão.

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