A Páscoa de 2026 confirmou a recuperação do consumo em Portugal, com os portugueses a gastarem significativamente mais do que no ano anterior. Os dados da SIBS Analytics revelam um crescimento de 16% no número de operações entre 2 e 5 de abril, comparando com o mesmo período de 2025.
O valor total das transações subiu 15%, enquanto o ticket médio se fixou nos 38 euros. Os números abrangem compras em loja física e levantamentos na rede Multibanco, oferecendo um retrato fidedigno do comportamento de consumo dos portugueses durante a quadra pascal.
MB WAY consolida domínio nos pagamentos digitais
O destaque vai para a evolução do MB WAY, que continua a ganhar terreno como método de pagamento preferencial. O número de operações através desta solução cresceu 36% face à Páscoa de 2025, enquanto o valor transacionado disparou 46%.
O ticket médio das compras via MB WAY situou-se nos 25 euros, três euros abaixo da média geral. Esta diferença pode estar relacionada com o perfil de utilização da aplicação, frequentemente usada para pagamentos de menor valor e transações do dia a dia.
A solução de pagamentos instantâneos, desenvolvida pela SIBS, conta atualmente com sete milhões de utilizadores em Portugal. A crescente adesão reflete a mudança de hábitos dos consumidores portugueses, cada vez mais confortáveis com soluções digitais e contactless.
Supermercados registam pico de 48% no sábado antes da Páscoa
Os preparativos para a celebração da Páscoa fizeram-se sentir claramente nos supermercados. Entre 26 e 29 de março, o valor das compras foi aumentando progressivamente ao longo da semana.
O pico registou-se no sábado, dia 04 de abril, com um crescimento de 48% face à média diária da semana anterior. Na quinta-feira, o aumento tinha sido de 22%, subindo para 39% na sexta-feira.
Ao longo dos quatro dias de preparação, a média diária de consumo nos supermercados atingiu os 61 milhões de euros. O ticket médio fixou-se nos 31 euros, mais quatro euros do que a média diária da semana anterior.
Estes números evidenciam o peso das tradições gastronómicas associadas à Páscoa, com as famílias portuguesas a investirem nas compras alimentares para as refeições festivas.
Restauração cresce 20% no Domingo de Páscoa
O domingo de Páscoa foi marcado pelo regresso em força à restauração. O número de transações em restaurantes cresceu 20% comparando com o mesmo dia de 2025, enquanto o valor das operações subiu 12%.
Os portugueses gastaram em média 30 euros por refeição em restaurantes, mais sete euros do que na semana anterior. Este aumento do ticket médio sugere que muitas famílias optaram por celebrar a data em estabelecimentos de restauração, potencialmente com menus especiais de Páscoa.
Um dado relevante: uma em cada quatro compras na restauração foi efetuada por estrangeiros, que gastaram em média 25 euros por transação. Este indicador mostra o impacto do turismo no setor, particularmente significativo durante períodos de férias.
Portugueses abandonam Lisboa e Porto rumo ao interior
A análise geográfica das transações revela padrões claros de mobilidade durante a Páscoa. Lisboa registou uma quebra de 10% no consumo local, enquanto Setúbal recuou 3%. Em contrapartida, várias regiões do interior e litoral Norte e Centro registaram crescimentos expressivos.
Viana do Castelo liderou os aumentos com 19%, seguida por Faro (17%), Viseu (13%), Aveiro (9%) e Leiria (9%). Estes números refletem o movimento de famílias dos grandes centros urbanos para as suas regiões de origem ou destinos de férias.
As principais rotas a partir de Lisboa incluíram deslocações para Viseu (com aumento de 163% nas transações), Porto (76%), Beja (70%) e Castelo Branco (33%). Desde o Porto, destacaram-se as viagens para Bragança (111%), Viseu (90%), Viana do Castelo (46%) e Vila Real (35%).
Estes dados mostram que muitos portugueses aproveitaram o feriado prolongado para regressar às suas terras de origem ou explorar regiões fora dos grandes centros.
Espanha domina destinos internacionais dos portugueses
No plano internacional, os portugueses aumentaram significativamente as suas deslocações ao estrangeiro. O peso das transações fora de Portugal cresceu 22% em número e 19% em valor, comparando com a semana anterior.
Espanha mantém-se como destino absolutamente dominante, representando 39% de todas as operações realizadas por portugueses no estrangeiro durante a Páscoa. França surge em segundo lugar com 17%, seguida por Itália (7%), Bélgica (5%) e Países Baixos (5%).
O ticket médio no estrangeiro fixou-se nos 43 euros, apenas dois euros acima do registado em 2025. Este valor relativamente estável sugere que o perfil de despesa dos portugueses em viagens internacionais se mantém consistente.
Turismo estrangeiro cresce 25% em Portugal
Do lado do turismo recetor, Portugal também registou números positivos. O peso das transações de estrangeiros em território nacional cresceu 25% em número e 22% em valor, comparando com a semana anterior à Páscoa.
Os turistas espanhóis foram os mais numerosos, representando 21% do total de operações. O Reino Unido contribuiu com 14%, enquanto França e Alemanha registaram cada um 9%. Os Estados Unidos completam o top cinco com 8%.
Um dado particularmente interessante: o número de turistas espanhóis foi 1,8 vezes superior ao registado na semana anterior. Esta proximidade geográfica e cultural faz de Portugal um destino natural para escapadinhas de fim de semana prolongado.
O ticket médio dos estrangeiros em Portugal situou-se nos 36 euros, três euros acima do valor de 2025. Este ligeiro aumento pode refletir pressões inflacionárias ou uma mudança no padrão de consumo dos visitantes.
Páscoa 2026 confirma vitalidade do consumo
Os dados da SIBS Analytics pintam um retrato inequívoco: a Páscoa de 2026 foi marcada por um consumo robusto e por padrões de mobilidade que combinam tradição familiar e apetite por viagens.
O crescimento generalizado das transações, tanto em Portugal como no estrangeiro, sinaliza confiança dos consumidores e vontade de celebrar a quadra pascal com investimento em alimentação, restauração e lazer.
A consolidação do MB WAY como meio de pagamento preferencial confirma a transformação digital dos hábitos de consumo portugueses, uma tendência que parece irreversível.
Para o setor do turismo e da restauração, os números são particularmente encorajadores, mostrando que Portugal mantém a capacidade de atrair visitantes internacionais e que os portugueses continuam a valorizar experiências gastronómicas em datas especiais.