Teresa Campos
Teresa Campos
19 Mar, 2020 - 15:19

COVID-19: o que o isolamento pode fazer à nossa saúde mental

Teresa Campos

Os especialistas afirmam que há um aumento generalizado da ansiedade, devido ao novo coronavírus. Perceba a ligação entre o COVID-19 e a saúde mental.

Homem com problemas de saúde mental

A pandemia causada pelo novo coronavírus está a provocar um aumento generalizado da ansiedade e do stress, particularmente em pessoas com problemas psiquiátricos, como os pacientes com transtorno obsessivo compulsivo. COVID-19 e saúde mental é uma equação a ter em conta. Pelo menos, é esta a convicção dos especialistas que falaram com o jornal britânico, The Guardian.  

As reações a esta crise mundial e humanitária podem incluir sentimentos como medo, tristeza, raiva, desespero e esgotamento. Uma das consequências destas emoções pode ser dificuldade em dormir ou em concentrar-se. Fisicamente, os efeitos também se podem fazer sentir, nomeadamente através da aceleração dos batimentos cardíacos e de problemas de estômago. Saiba mais.

COVID-19 e saúde mental: desafios e consequências

A Organização Mundial de Saúde informou que a crise causada pelo novo coronavírus está a gerar um stress generalizado. Por isso, a OMS aconselhou todas as pessoas a moderarem o consumo de notícias que provoquem sentimentos de ansiedade e angústia.

Ao The Guardian, Stephen Buckley, membro de uma instituição ligada à saúde mental, partilhou como o stress e a preocupação motivados pelo COVID-19 podem afetar e agravar o estado de saúde de indivíduos que já sofrem de problemas psiquiátricos.

reagir corretamente a uma vertigem

Consequências do isolamento e do estado de quarentena

Além dos receios que suscita a ameaça de um novo vírus, a prática do isolamento ou da quarentena terá, provavelmente, um impacto negativo no bem-estar mental. Em fevereiro, foi publicado na revista científica The Lancet um artigo que abordava as consequências psicológicas da quarentena.

Os especialistas concluíram que o afastamento físico dos ente-queridos, a perda de liberdade, a incerteza relativa ao futuro e a monotonia podiam ter efeitos dramáticos e conduzir a situações extremas, como o suicídio ou a violência (contra si ou contra outros). Se a imposição da quarentena pode prevenir a mais rápida propagação do vírus, ela também pode ter consequências psicológicas bastante graves.

Kathryn Kinmond é psicoterapeuta em Staffordshire e membro da British Association for Counselling and Psychotherapy. Ela também falou ao The Guardian e corroborou a ideia de que o novo coronavírus aumenta os níveis de incerteza em relação a tudo, o que afeta particularmente quem sofre de ansiedade. É essa a experiência que tem tido nas suas sessões de terapia, em que o tema do COVID-19 domina as preocupações dos seus pacientes.

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Pacientes com transtorno obsessivo compulsivo (TOC)

De acordo com os especialistas, os indivíduos que sofrem de transtorno obsessivo compulsivo são especialmente vulneráveis a toda esta situação. Ashley Fulwood, membro da instituição britânica dos TOC, declarou ao The Guardian que a instituição tem recebido um número crescente de chamadas e emails de doentes com TOC que estão a desenvolver novas obsessões, relacionadas com o COVID-19. É que convém recordar que ¼ das pessoas com TOC tem obsessões com a limpeza e a higiene, lavando constantemente as mãos com medo de contaminações, por exemplo.

Devido ao novo coronavírus, A. Fulwood está a constatar que há uma intensificação desses comportamentos obsessivos, com alguns pacientes a lavarem as mãos a toda a hora e durante 20 minutos ou mais.

Emily Burke, uma jovem de 18 anos que sofre de TOC, confessou ao The Guardian que estava sentir dificuldade em lidar com toda a cobertura noticiosa acerca do novo coronavírus. Porém, com algum acompanhamento e controlo, Emily já conseguiu reduzir o número de vezes que lava as mãos por dia, seguindo agora apenas as recomendações da OMS e do governo.

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Ataques de pânico

Outro especialista, David Crepaz-Keay, da Fundação de Saúde Mental, falou ao The Guardian, para acrescentar que também os ataques de pânico podem aumentar e tornar-se mais frequentes, devido ao novo coronavírus.

A explicação é simples.  Segundo o especialista, os ataques de pânico são causados por um excesso de preocupação, incontrolável e relacionado com uma determinada situação ou circunstância. Ora, o momento atual é altamente potenciador desta reação.

consequências das vertigens e tonturas

Tom Kinniburgh confidenciou ao The Guardian já ter tido ataques de pânico devido a esta situação. Depois de regressar de Itália, alguns colegas de viagem sentiram-se doentes. Kinniburgh começou imediatamente a sentir-se mal, com tosse, dores de estômago, palpitações e dificuldades em respirar. Porém, os sintomas “vinham e iam” e, após falar com um médico, concluiu que estava, sim, a ter ataques de pânico.

Conselhos finais

Os especialistas em saúde mental britânicos, assim como os portugueses, concordam na importância das pessoas, especialmente com problemas mentais, continuarem a fazer a sua medicação psiquiátrica e a usufruir de sessões de terapia online ou via telefone.

Além disso, toda a população deve moderar no consumo de informação sobre o novo coronavírus e seguir algumas estratégias que ajudem a preservar o bem-estar mental e a não “cair” em exageros. Estabelecer limites quanto ao número de vezes que se lava as mãos por dia ou fazer exercícios de respiração são, apenas, dois exemplos de como se devem enfrentar estes tempos difíceis tanto para a saúde física, como mental.

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Para descomplicar a informação

As informações sobre os temas que envolvem o impacto social do novo Coronavírus são dinâmicas e constantemente atualizadas. Por isso, os conteúdos publicados nesta secção não devem substituir a consulta com profissionais e especialistas, tanto da saúde como do direito e temas afins.