Cláudia Pereira
Cláudia Pereira
19 Jan, 2026 - 09:30

Portugal vai a votos novamente: quem será o próximo Presidente da República?

Cláudia Pereira

Portugal ruma à segunda volta nas presidenciais de 2026. Descubra as datas, regras, boletim de voto e o que está em jogo entre os dois candidatos finalistas.

No domingo de 18 de janeiro de 2026, os portugueses foram às urnas para eleger o próximo Presidente da República. Como nenhum dos candidatos conseguiu obter mais de 50% dos votos válidos, a lei eleitoral portuguesa prevê uma segunda volta, marcada para 8 de fevereiro de 2026.

Quem liderou a primeira volta das presidenciais de 2026?

Na primeira volta das eleições presidenciais de 18 de janeiro de 2026, o socialista António José Seguro foi o candidato mais votado, com cerca de 31,11 % dos votos válidos. O segundo lugar ficou com André Ventura, líder do partido Chega, que obteve aproximadamente 23,52 %, garantindo assim, juntamente com Seguro, a passagem à segunda volta marcada para 8 de fevereiro.

Nenhum dos 11 candidatos alcançou a maioria absoluta prevista na Constituição de 1976, pelo que o escrutínio foi naturalmente para um duelo final entre os dois candidatos apurados. Atrás de Seguro e Ventura surgiram outros nomes com percentagens significativas, como João Cotrim de Figueiredo (cerca de 16 %) e Henrique Gouveia e Melo (cerca de 12,3 %), mas sem hipóteses de disputar o segundo turno.

Este desfecho é um cenário raro na história democrática portuguesa. Desde 1986 que o país não assistia a uma segunda volta presidencial, o que confere a esta eleição um peso simbólico e político especial.

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Segunda volta à vista: quem vai liderar Portugal nos próximos anos?

Com a primeira volta concluída e os dois candidatos mais votados apurados, o processo eleitoral segue agora para a fase final. Depois de contados a nível local e distrital, os votos são validados pela Comissão Nacional de Eleições e pelo Tribunal Constitucional, que confirma oficialmente os resultados.

A seguir, dá-se início à campanha eleitoral, que deverá decorrer entre 27 e 31 de janeiro e terminará obrigatoriamente a 6 de fevereiro, dois dias antes do voto. Durante essa semana, os dois candidatos voltam a disputar o espaço público e mediático com propostas, debates e iniciativas que visam conquistar os indecisos e mobilizar os eleitores.

O foco recai tanto nas funções essenciais do Presidente da República, como garantir o cumprimento da Constituição, vetar leis, nomear o Governo ou preservar a estabilidade política e em temas que tocam o dia a dia dos portugueses.

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Voto antecipado na segunda volta

Tal como na primeira volta, o voto antecipado continua disponível para quem não puder votar no dia oficial. Este regime aplica-se tanto em mobilidade (ou seja, votar fora do local de recenseamento, como noutra cidade) como a quem vive ou se encontra temporariamente no estrangeiro.

Quem está recenseado em Portugal pode manifestar a intenção de votar antecipadamente em mobilidade, ou seja, escolher outro local para votar fora da sua área de recenseamento. Este pedido deve ser feito entre o 14.º e o 10.º dia antes da data da eleição. Para a segunda volta, isso significa que a inscrição deve ocorrer já no início de fevereiro. O ato de votação antecipada em mobilidade realiza-se, normalmente, no domingo anterior ao dia oficial das eleições, ou seja, uma semana antes de 8 de fevereiro.

Já os eleitores internados em hospitais ou detidos em estabelecimentos prisionais, que não possam deslocar-se no dia da votação, podem requerer o voto antecipado até 20 dias antes do ato eleitoral, o que corresponde a finais de janeiro. A Administração Eleitoral organiza depois a recolha do voto no próprio local onde o eleitor se encontra, num momento próximo da data oficial.

O que está em jogo?

Embora a Presidência da República tenha um perfil marcadamente representativo, o cargo assume funções com impacto real na governação do país. Compete ao Presidente, entre outras atribuições, dissolver a Assembleia da República, exercer o veto político e nomear o Primeiro-Ministro.

Com a segunda volta à porta, é fundamental seguir os próximos dias com atenção e espírito crítico. Para não perder nenhuma atualização relevante, subscreva a newsletter do Ekonomista: informação clara e útil no seu e-mail.

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