Entre cabos de alta-fidelidade, colunas de som de outro planeta e sistemas que custam mais do que um carro usado, há um elemento que continua a roubar atenções no Hi‑Fi Show 2026. Falamos do velhinho (ou novo?) vinil.
A Feira do Vinil, integrada no evento que decorre no Centro de Congressos do Estoril entre os dias 10 e 12 de abril, promete ser um dos pontos altos para melómanos, colecionadores e curiosos que ainda acreditam que a música deve ser ouvida com tempo, atenção e, já agora, algum ritual.
Aliás, a Feira do Vinil surge quase como um contraponto perfeito no evento. Num espaço dominado pela inovação tecnológica, o disco em vinil reafirma o seu valor como objeto físico, colecionável e profundamente ligado à experiência sensorial da música.
Mais do que uma simples feira, trata-se de um verdadeiro mergulho na cultura musical, onde cada disco tem uma história e cada capa pode ser tão icónica quanto o som que contém.
A febre do vinil continua (e não é só nostalgia)

Se alguém ainda acha que o vinil é uma moda passageira, provavelmente também acha que os CD vão voltar a dominar o mundo. Não vão.
A presença da Feira do Vinil no evento reforça uma tendência clara, com o regresso sustentado do formato analógico, impulsionado tanto por colecionadores experientes como por uma nova geração que redescobre o prazer de ouvir música sem algoritmos a decidir tudo.
Entre os expositores confirmados, encontram-se lojas especializadas e projetos ligados à curadoria musical, trazendo desde edições raras a clássicos indispensáveis e novidades em prensagem.
Aqui, não há playlists infinitas. Há escolhas. E responsabilidade emocional pelas mesmas.
Muito mais do que comprar discos
A experiência da Feira do Vinil vai além da compra. É também um espaço de partilha, descoberta e conversa.
Os visitantes podem explorar diferentes géneros musicais, falar com especialistas, trocar recomendações e até descobrir verdadeiras “pérolas” escondidas em caixas aparentemente caóticas.
E depois há aquele momento clássico de pegar num disco que não procurava, mas que de alguma forma o encontrou. Sim, isso ainda acontece.
Num mundo onde tudo é imediato, a Feira do Vinil no Estoril convida a abrandar. Ouvir um disco implica parar, escolher, colocar a agulha e, idealmente, não saltar de faixa em faixa como quem muda de canal.
É um ritual. E talvez seja isso que explica o seu regresso.
No meio de tanta tecnologia de ponta, o vinil lembra-nos que, por vezes, o melhor som não é o mais perfeito. É o mais humano.
Entrada gratuita, mediante registo

O evento decorre no Centro de Congressos do Estoril e tem entrada gratuita mediante registo, o que elimina uma desculpa bastante comum para não sair de casa.
E lembre-se de que a Feira do Vinil no Hi‑Fi Show 2026 não é apenas para especialistas ou audiófilos exigentes.
É também para curiosos e para todos os que no meio do ruído digital ainda procuram uma ligação mais autêntica à música.