Ekonomista
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04 Fev, 2026 - 11:00

Primeira Feira Social e de voluntariado em Portugal

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MAR Shopping cria evento pioneiro que junta ONGs, empresas e voluntários. Matosinhos a 6 fev, Algarve a 20 fev. Entrada gratuita, networking e formação para o setor social.

Há coisas que parecem óbvias mas que ninguém faz. Como juntar dezenas de organizações sociais, empresas com vontade de ajudar, voluntários à procura de causas e instituições de ensino num único espaço, durante um dia inteiro, com entrada livre. O MAR Shopping Matosinhos e o MAR Shopping Algarve decidiram fazer exatamente isso em fevereiro de 2026, em parceria com a associação ENTRAJUDA.

A primeira edição da Feira Social e de Voluntariado acontece a 6 de fevereiro em Matosinhos (no Atrium, piso 0, das 11h às 21h) e a 20 de fevereiro no Algarve (Espaço Mango, mesmo horário). A data algarvia não é acidental: coincide com o Dia Mundial da Justiça Social, estabelecido pela ONU para refletir sobre desigualdades, pobreza e exclusão.

“Avançar com esta iniciativa no Dia Mundial da Justiça Social não é coincidência. Queremos mostrar que reduzir desigualdades começa com gestos concretos, tais como abrir espaço, criar ligações e facilitar oportunidades.” – Ana Antunes, diretora do MAR Shopping Algarve

O que falta ao setor social português

Os números explicam porque é que esta feira faz sentido. Segundo o estudo “Diagnóstico das ONG em Portugal 2015-2024”, apenas 52,87% das organizações sociais tinham planos formais de angariação de fundos em 2024. A dependência é pesada: 47,3% vivem de donativos de particulares e 42,53% de financiamento público sem retorno.

O setor precisa de diversificar fontes de receita, profissionalizar equipas e criar redes de apoio. É exatamente aí que a feira entra, oferecendo num formato concentrado o que normalmente levaria meses a construir.

Grande parte das entidades sociais não tem planos de financiamento estruturados. Esta feira é uma resposta prática: num único dia, podem conhecer potenciais mecenas, recrutar voluntários e aprender com outras instituições.” – Sandra Monteiro, diretora-geral do MAR Shopping Matosinhos

Um dia Inteiro de soluções práticas

O evento funciona como um laboratório de conexões. Há exposições onde as organizações apresentam projetos e necessidades, workshops sobre temas como inovação social e empreendedorismo, sessões sobre proteção de dados (RGPD) adaptadas ao setor social, e talks sobre percursos de profissionalização.

A parte mais interessante pode ser o networking estruturado. Empresas, entidades públicas e instituições de ensino circulam pelo espaço, trocam contactos e descobrem oportunidades de parceria. Há ainda uma feira de emprego social dedicada, com divulgação de ofertas de trabalho e estágios no terceiro setor.

Para as organizações que precisam de financiamento, existem sessões individualizadas pré-agendadas com potenciais mecenas. É como o speed dating das causas sociais: apresentações rápidas, focadas, com possibilidade de follow-up posterior.

As instituições de ensino também marcam presença para mostrar cursos e programas de capacitação. Afinal, profissionalizar o setor passa por formar pessoas com as competências certas.

“Ao reunir organizações, empresas, voluntários e cidadãos num espaço acessível e informal, criamos pontes que antes não existiam. Trata-se de construir uma rede de colaboração onde as organizações se fortalecem.” – Marta Vinhas, da direção da ENTRAJUDA

Como participar nesta iniciativa

A entrada é gratuita para todos. Organizações sociais que queiram ter stand ou participar nas sessões com mecenas devem contactar diretamente a organização. O público em geral pode aparecer sem qualquer inscrição prévia.

Para quem procura causas para apoiar, seja como voluntário ou como empresa, é uma oportunidade rara de conhecer dezenas de projetos num único dia. Para estudantes e profissionais que consideram trabalhar no setor social, há contacto direto com organizações que recrutam.

A iniciativa pode tornar-se um modelo replicável noutros territórios. Se funcionar bem, não seria surpreendente ver feiras semelhantes a aparecer em mais centros comerciais portugueses nos próximos anos.

Fica a pergunta: quantas parcerias vão nascer nestes dois dias de fevereiro? E quantos voluntários vão descobrir causas que fazem sentido para eles? Os números aparecem depois, mas a infraestrutura para que isso aconteça já está montada.

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