A Festa do Avante em 2025 será muito mais do que um festival político-cultural, será um grito coletivo de resistência e apoio à luta do povo palestiniano. De 5 a 7 de setembro, na Quinta da Atalaia, o evento organizado pelo PCP volta a destacar-se por unir arte, política e ativismo.
Neste ano, o foco recai sobre a causa palestiniana, expressa em concertos, teatro, exposições e momentos de reflexão. Um programa que reafirma o papel da cultura como instrumento de denúncia e transformação social.
Apoio à Palestina ganha protagonismo na programação cultural
Expressões artísticas enraizadas na solidariedade internacional do PCP
A programação deste ano terá como eixo central a solidariedade com a Palestina. Num momento de intensas tensões no Médio Oriente, o PCP reforça o seu histórico posicionamento em defesa dos povos oprimidos. A tradicional rave de sábado à noite será, pela primeira vez, dedicada à Palestina, numa celebração que funde música eletrónica com mensagens de resistência.
Entre os destaques, está a peça “O Meu Nome é Rachel Corrie”, que dramatiza os diários da jovem ativista norte-americana morta por um bulldozer israelita. O espetáculo é um poderoso tributo à coragem individual e ao compromisso com a justiça global. Outros artistas usarão os seus palcos para manifestar de forma clara o apoio à Palestina, ampliando esta causa no panorama cultural português.
Estreias e concertos evocam causas universais
Um dos momentos mais aguardados será o concerto da Orquestra Sinfonietta de Lisboa, que interpretará em estreia mundial a obra “A Story to Tell“, do compositor palestiniano Mahmoud Abuwarda. Embora impedido de viajar até Portugal por falta de visto, o artista fará ouvir a sua música como símbolo de liberdade e superação de barreiras impostas.
Este concerto insere-se numa programação especial dedicada aos 80 anos da vitória sobre o nazi-fascismo, onde se evocam músicas de resistência compostas sob opressão. A conexão entre o passado de luta antifascista e a atualidade do apoio à Palestina em Portugal reforça a coerência ideológica do evento.
Resistência política e combate à extrema-direita em destaque
Espetáculos provocadores contra o avanço da extrema-direita em Portugal
A cultura não abdica do seu papel como espaço de resistência e confronto ideológico. Em tempos de crescimento da extrema-direita, a Festa do Avante aposta em peças provocadoras, como “O Príncipe de Spandau” da companhia A Barraca. A obra, centrada na figura de Rudolf Hess, dirigente nazi, assume nova dimensão após agressões recentes a membros da companhia por grupos neonazis.
Com estas escolhas, o evento afirma-se como um bastião de luta cultural contra o fascismo, onde arte e memória histórica se unem para sensibilizar e mobilizar consciências.
Quinta da Atalaia como espaço de cultura militante
A Quinta da Atalaia volta a afirmar-se como centro da cultura política comunista, reunindo vozes e sons da resistência. Artistas emblemáticos como Vitorino Salomé, Capicua, Paulo de Carvalho, Gisela João e A Garota Não trazem à Festa do Avante em 2025 um ecletismo musical alinhado com as causas progressistas.
No sábado à noite, o palco será preenchido com os sons de Salma Uamuse, Bárbara Wahnon e Karyna Gomes — artistas oriundas de Moçambique, Guiné-Bissau e Cabo Verde que homenageiam as independências africanas e a sua ligação histórica à luta comunista.
A Festa do Avante não se limita aos palcos: com exposições, lançamentos de livros e conferências políticas, o evento continua a promover a reflexão crítica em torno da paz e dos direitos humanos. A Constituição da República Portuguesa será enaltecida como pilar da democracia, num contexto em que discursos de intolerância ganham espaço.
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