Cláudia Pereira
Cláudia Pereira
11 Fev, 2026 - 12:00

Kit de emergência para animais: itens que podem salvar o seu patudo

Cláudia Pereira

O seu animal de estimação já tem kit de emergência? Saiba os itens que não podem faltar numa situação de emergência.

Bastou um apagão em abril de 2025 para Portugal perceber o óbvio: não estamos preparados para emergências. Depois vieram as cheias e as tempestades de janeiro e fevereiro de 2026, com as depressões Kristin e Leonardo que, infelizmente, deixaram feridos, mortos e milhares de desalojados. Muitos correram a comprar lanternas e enlatados, mas quase ninguém se lembrou de quem esperava em casa a abanar a cauda ou a ronronar no sofá, alheio ao caos.

Com mais de quatro milhões de animais de companhia registados no SIAC, a grande maioria dos tutores portugueses continua sem qualquer plano de emergência para os seus animais. A Comissão Europeia recomenda desde 2025 que cada cidadão esteja pronto para sobreviver 72 horas sem apoio externo e essa regra aplica-se também aos patudos.

Em fevereiro de 2026, a SOS Animal enviou um documento ao primeiro-ministro e à Assembleia da República com um alerta: Portugal não tem um mecanismo formal para proteger animais em situações de catástrofe. Na realidade, quem salva animais em cheias, incêndios e tempestades são as associações e os voluntários, quase sempre sem apoio do Estado. Por isso, montar um kit de emergência para o animal de estimação é importante!

Porque é que o seu animal precisa de um kit próprio

Quando uma catástrofe bate à porta, seja um sismo, um incêndio florestal ou uma inundação, o tempo para reunir pertences é escasso. A Proteção Civil e a Cruz Vermelha recomendam que cada família tenha dois kits preparados: um completo para ficar em casa e outro mais leve, pronto a agarrar e levar. O animal de estimação merece o mesmo tratamento.

Se o acesso a lojas, veterinários e água potável fica comprometido, o seu cão ou gato depende exclusivamente daquilo que tiver à mão. Ter tudo preparado numa mochila ou caixa resistente, guardado junto à saída, pode fazer a diferença entre uma evacuação organizada e o pânico.

Outro dado que convém não ignorar: segundo a ASPCA, a probabilidade de sobrevivência de um animal numa emergência depende quase inteiramente da preparação do tutor. Deixar o animal para trás coloca em risco o próprio animal, o tutor e os socorristas.

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O que incluir no kit de emergência

Alimentação e água

A recomendação de base passa por guardar ração suficiente para sete a dez dias, água potável e tigelas de metal. A ASPCA recomenda que se faça uma rotação destes artigos a cada seis meses para garantir que nada está fora de prazo.

Medicação e registos médicos

Se o animal toma medicação regular, deve ter-se uma reserva extra num recipiente à prova de água, acompanhada de instruções escritas sobre dosagem e horários. Em caso de evacuação, outra pessoa pode precisar de cuidar do animal, e estas indicações tornam-se fundamentais.

Os registos médicos merecem igual atenção: cópias do boletim de vacinas, número do microchip, registo no SIAC e contacto do veterinário devem estar disponíveis em formato físico (dentro de um saco estanque) e digital.

Kit de primeiros socorros veterinário

Um kit básico deve conter compressas, ligaduras, fita adesiva, tesoura, luvas descartáveis, termómetro digital, antissético e soro fisiológico. Convém falar com o veterinário para adaptar o conteúdo às necessidades específicas do animal: um cão diabético, por exemplo, exige material diferente de um gato sénior.

Identificação e documentação

Coleira com placa de identificação, trela e arnês de reserva são fundamentais. Em Portugal, todos os cães, gatos e furões devem estar identificados com microchip e registados no SIAC; é a lei desde outubro de 2022, e as multas por incumprimento podem ir dos 50 aos 3740 euros para particulares.

A Cruz Vermelha americana recomenda algo que parece simples mas quase ninguém faz: incluir uma fotografia do tutor com o animal. Se houver separação durante uma emergência, esta imagem facilita a identificação e prova de titularidade.

Transporte e conforto

Uma transportadora resistente, em bom estado e etiquetada com o contacto do tutor é essencial. Para cães, uma caixa ou kennel; para gatos, uma transportadora fechada. O ideal é que o animal já esteja habituado a entrar e sair da transportadora sem stress, por isso, treinar isto antes de uma emergência poupa tempo e nervos.

Um cobertor, um brinquedo favorito e uns biscoitos podem parecer supérfluos, mas ajudam a reduzir o stress do animal numa situação fora do comum. Os animais captam a ansiedade dos tutores e reagem em conformidade.

Higiene e saneamento

Sacos higiénicos, toalhitas húmidas, areia e caixa sanitária (para gatos), papel de jornal e sacos do lixo completam o kit. Em cenário de abrigo temporário, manter a higiene é fundamental para a saúde do animal e de quem o rodeia.

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Como manter o kit atualizado

Montar o kit é metade do trabalho, a outra metade é mantê-lo funcional. Os especialistas recomendam uma revisão completa a cada seis meses, verificando datas de validade da ração e dos medicamentos, substituindo água armazenada e confirmando que a transportadora está intacta.

À medida que o animal envelhece, o kit deve ser ajustado. Um cachorro de dois anos não precisa do mesmo que um cão sénior com artrite. Da mesma forma, qualquer mudança de medicação deve refletir-se imediatamente nas reservas de emergência.

Outro pormenor frequentemente esquecido: atualizar os dados no SIAC sempre que houver mudança de morada, número de telefone ou titularidade. Em caso de catástrofe, um microchip com dados desatualizados vale pouco.

Portugal precisa de um plano para os animais

A Europa acordou para o tema em 2025, com uma estratégia de preparação que coloca nos cidadãos parte da responsabilidade. Portugal, por enquanto, ainda não tem um plano oficial que inclua os animais na resposta a emergências. A SOS Animal já entregou propostas ao Governo com fundos de emergência a redes de clínicas veterinárias preparadas para atuar em catástrofe.

Enquanto não existem medidas oficiais, crie o seu próprio plano. Um kit de emergência monta-se numa tarde, custa menos do que uma ida ao veterinário e pode ser a diferença entre uma evacuação tranquila e uma decisão que nenhum tutor quer tomar. O próximo apagão, a próxima cheia ou o próximo incêndio não avisa. O seu patudo conta consigo!

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