Miguel Pinto
Miguel Pinto
12 Jan, 2026 - 13:30

Silêncio, espaço e inteligência: aí está o novo XPENG P7+

Miguel Pinto

O XPENG P7+ estreia-se na Europa com foco na inteligência, carregamento em 12 minutos e espaço de berlina num fastback elétrico para o futuro.

Xpeng P7+

O XPENG P7+ fez a sua estreia europeia no Salão Automóvel de Bruxelas 2026 e não deixou de impressionar:

Porquê? É que durante anos falou-se de cavalos como se fossem medalhas. Agora fala-se de chips. O P7+ assume isso sem rodeios. No centro de tudo está a nova arquitetura proprietária Turing, capaz de debitar até 750 TOPS de capacidade de computação em IA.

Traduzindo para humanos normais, é um processamento rápido, perceção mais afinada e sistemas de assistência à condução que não entram em pânico quando o trânsito europeu decide ser… europeu.

Mudanças de faixa suaves. Condução assistida em autoestrada. Estacionamento remoto. Atualizações OTA que prometem não deixar o carro “velho” ao fim de dois anos. Tudo isto não como promessa vaga, mas como base estrutural.

Por isso, é importante sublinhar que o P7+ foi pensado para evoluir. Não é um produto fechado.

Xpeng P7+: carregar rápido, muito rápido.

Doze minutos. É este o número que fica na cabeça. Dos 10% aos 80% da bateria em carregamento ultrarrápido 5C, desde que ligado a um posto DC compatível. Até 446 kW nas versões mais potentes.

Números que, há pouco tempo, soariam a ficção científica dita num tom demasiado entusiasmado.

Mesmo assim, a XPENG faz questão de falar de longevidade. Não só velocidade. Uma abordagem menos adolescente, digamos.

Na estrada, a versão RWD Long Range com bateria de 74,9 kWh anuncia até 530 km de autonomia WLTP. Para um fastback com cinco metros de comprimento, não é coisa pouca.

Espaço a sério.

À primeira vista, o P7+ parece mais baixo, mais elegante, quase desportivo. Mas depois abrem-se portas, malas, bancos. E a narrativa muda.

573 litros de bagageira. Até 1.931 litros com bancos rebatidos. Distância entre eixos de três metros certinhos. É daqueles carros que tanto serve para ir trabalhar todos os dias como para atravessar meia Europa com tralha, crianças, bicicletas ou a vida toda atrás.

Lá dentro, o ambiente é deliberadamente calmo. Pele Nappa perfurada. Teto em microfibra velour (uma espécie de caxemira automóvel, se quisermos ser poéticos). Isolamento acústico levado a sério, com dezenas de pontos dedicados à redução de ruído.

Xpeng G9 Performance
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Tecnologia que não precisa de berrar

O posto de comando inclui um ecrã central de 15,6 polegadas, painel de instrumentos de 8,8 e um head-up display que projeta informação essencial sem distrair.

Não há aqui aquela ansiedade de encher o carro de gadgets só porque sim. Está tudo onde faz sentido. Ou, pelo menos, onde parece fazer sentido depois de alguns minutos ao volante.

E depois há a suspensão. Duplo triângulo à frente. Multibraços atrás. Um conjunto afinado para estradas urbanas, secundárias cheias de curvas e autoestradas rápidas.

Um carro que não parece nervoso. Nem mole. Um meio-termo civilizado, como convém ao mercado europeu.

XPENG P7+ é produzido na Europa

traseira do xpeng P7+

A produção piloto do P7+ foi realizada na Magna Steyr, em Graz, Áustria. É o terceiro modelo da marca a ser montado na Europa, depois do G6 e do G9. Isto diz muito sobre a estratégia da XPENG e pouco sobre improviso.

As entregas arrancam a partir de abril em 25 mercados europeus. Portugal está na lista, mas a chegada ao nosso mercado está prevista apenas para o verão de 2026.

Preços? Ainda não. Para já, sabe-se que o valor de referência europeu começa nos 43.990 euros para a versão RWD Standard Range. Cá, logo se verá.

Um sinal dos tempos

Talvez o mais interessante no XPENG P7+ não seja uma especificação isolada. Nem o carregamento rápido. Nem o luxo contido. É o conjunto. A sensação de que estamos a assistir a uma mudança de paradigma feita sem dramatismo.

Sem slogans inflamados. Sem promessas ocas. Só um carro elétrico grande, inteligente, silencioso e preparado para um futuro que já não é assim tão futuro. E isso, goste-se ou não, é bastante revelador.

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