Cláudia Pereira
Cláudia Pereira
11 Fev, 2026 - 17:00

Off February: o mês em que se apaga as redes sociais

Cláudia Pereira

Off February convida pessoas a desinstalar redes sociais em fevereiro, promovendo bem-estar, foco e relações livres de notificações constantes.

O movimento global Off February desembarcou em Portugal com força inédita em 2026, transformando-se num dos tópicos mais debatidos sobre tecnologia e bem-estar no país.

A proposta é simples mas desafiante: desinstalar aplicações como Instagram, X, TikTok ou Facebook durante todo o mês de fevereiro. Trata-se de um convite à reflexão sobre como a tecnologia conquistou o nosso tempo e atenção.

A tendência que já estava a crescer

Em Portugal, o Off February não surgiu por acaso. Os números da Marktest revelam uma mudança significativa nos hábitos digitais dos portugueses: entre 2023 e 2025, a proporção de jovens ativos nas redes sociais caiu 22%, enquanto o tempo médio diário nestas plataformas diminuiu 13%.

Ainda assim, 79% dos residentes em Portugal continuam a usar regularmente pelo menos uma rede social. Esta aparente contradição esconde uma verdade importante: não se trata de rejeitar completamente estas plataformas, mas de procurar um equilíbrio mais saudável.

Por que tantos portugueses dizem “sim” ao desafio

As motivações são variadas e profundamente pessoais. Muitos participantes descrevem uma sensação de exaustão digital: a pressão constante das notificações, a urgência de responder instantaneamente, o peso emocional de comparar a própria vida com versões editadas e idealizadas nas redes sociais.

Esta fadiga reflete conclusões de estudos sobre equilíbrio digital, que associam a saturação de estímulos ao aumento de ansiedade e à fragmentação da atenção. De facto, muitos jovens portugueses já praticavam formas de desconexão voluntária antes mesmo do Off February ganhar visibilidade mediática.

As redes sociais continuam indispensáveis para alguns

Apesar do crescente interesse pelo detox digital, as redes sociais mantêm-se profundamente integradas no quotidiano português. Dados recentes mostram que mais de metade dos utilizadores segue marcas e empresas online, com o Instagram a liderar como plataforma preferida para consultar informação comercial, seguido pelo Facebook e YouTube.

Para profissionais de comunicação, marketing e empreendedorismo, estar presente nas redes é uma componente essencial da estratégia de visibilidade e alcance. Esta realidade explica por que nem todos conseguem desligar por completo.

Entre riscos e benefícios: o que dizem os especialistas

O debate em torno do Off February insere-se numa discussão mais ampla sobre o impacto das redes sociais na saúde mental. Investigações recentes sugerem que os efeitos negativos dependem menos do tempo total de utilização e mais da forma como as plataformas são usadas.

Especialistas portugueses em bem-estar digital destacam, porém, os benefícios de pausas estruturadas e temporárias: recuperação da concentração, redução da ansiedade ligada ao uso compulsivo e melhoria do descanso mental. O objetivo não é abandonar as redes para sempre, mas estabelecer limites e cultivar hábitos mais conscientes.

Um laboratório social para repensar o digital

O Off February funciona como um experimento coletivo: um mês para testar uma forma alternativa de coexistir com as redes sociais, sem as rejeitar nem permitir que dominem as nossas vidas.

Independentemente de aderir ao desafio ou apenas refletir sobre os próprios hábitos digitais, a conversa que este movimento está a gerar ultrapassa as fronteiras de fevereiro. Coloca na mesa uma preocupação partilhada por muitos: como gerir melhor a nossa atenção num mundo onde cada clique disputa a nossa presença.

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