Share the post "Portugal é o pior país da Europa em pontualidade de voos: saiba como evitar transtornos"
Portugal terminou 2025 como o país europeu com a maior taxa de perturbações nos voos, afetando 36% dos passageiros que partiram de território nacional. Mais de 11,6 milhões de pessoas viram os seus planos viajarem comprometidos por atrasos ou cancelamentos, segundo dados divulgados pela AirHelp em fevereiro de 2026.
Dos quase 227 mil voos que partiram dos aeroportos portugueses em 2025, cerca de 81 mil sofreram algum tipo de perturbação. A realidade supera a Grécia e a França, países que até recentemente lideravam o ranking negativo europeu. Do outro lado da tabela, a Noruega, a Suédia e a Estónia destacam-se pela eficiência, com taxas de pontualidade acima dos 82%.
Lisboa lidera as perturbações nacionais
O Aeroporto Humberto Delgado processou mais de 16 milhões de passageiros em 2025, mas transformou-se também no campeão nacional das perturbações. 44% dos passageiros que partiram de Lisboa enfrentaram algum tipo de problema, principalmente atrasos superiores a duas horas. A situação contrasta com Faro, que conquistou o título de aeroporto mais pontual do país ao garantir que 79% dos passageiros descolassem conforme previsto.
O Porto registou uma taxa de perturbação de 28%, posicionando-se numa zona intermédia. As cinco rotas com mais atrasos partiram todas de Lisboa: Bissau registou 65% de voos atrasados, Colónia-Bonn 64%, Bristol 62%, Londres-Luton 61% e Incheon 59%.
Quando voar para minimizar riscos
A época do ano determina em grande medida a probabilidade de enfrentar problemas. Os meses de julho e agosto concentraram o maior volume de perturbações em 2025, com o dia 13 de julho (um domingo) a bater recordes ao movimentar 113 mil passageiros nos aeroportos nacionais. Janeiro e fevereiro revelaram-se os meses mais tranquilos, tanto em volume de passageiros como em incidentes.
O dia da semana também pesa na equação. As segundas-feiras apresentam as maiores taxas de cancelamento, reflexo direto do congestionamento dos fins de semana anteriores. O volume elevado de sexta a domingo cria um efeito dominó que se manifesta logo no início da semana seguinte. As terças e quartas-feiras surgem como as opções mais seguras, beneficiando de menor tráfego aéreo.
O horário do voo merece atenção particular. Voar logo pela manhã reduz significativamente o risco de atrasos, já que as perturbações tendem a acumular-se ao longo do dia. Um cancelamento ao fim da tarde elimina praticamente qualquer hipótese de reencaminhamento no mesmo dia, forçando frequentemente a pernoita e o adiamento da viagem para o dia seguinte.
Direitos que muitos desconhecem
O Regulamento CE 261/2004 protege os passageiros desde 2004, mas mais de 434 mil passageiros tornaram-se elegíveis para compensações em 2025 e muitos desconhecem os seus direitos. O regulamento aplica-se a todos os voos que partem da União Europeia, incluindo Islândia, Noruega e Suíça, bem como voos operados por transportadoras comunitárias que partem de países terceiros com destino à UE.
Quando um voo é cancelado, os passageiros têm direito a escolher entre o reembolso total do bilhete ou o reencaminhamento para o destino em condições equivalentes. As companhias devem fornecer refeições, bebidas e, quando necessário, alojamento e transporte gratuitos. A indemnização pode atingir 250€ para voos até 1.500 km, 400€ para voos intracomunitários superiores a 1.500 km ou entre 1.500 e 3.500 km, e 600€ para voos acima de 3.500 km.
Os atrasos superiores a três horas dão direito à mesma compensação, mas a medição conta a partir do momento em que as portas se abrem no destino final, não quando o avião pousa. A companhia pode isentar-se desta obrigação apenas em casos de circunstâncias extraordinárias, como condições meteorológicas adversas ou emergências médicas. Greves ou perturbações causadas pelo pessoal da companhia não entram nesta categoria.
É recomendado guardar toda a documentação: cartões de embarque, comunicações da companhia aérea, recibos de despesas adicionais e anotação precisa da hora de chegada ao destino. A compensação pode ser reclamada até três anos após o voo.
A União Europeia estuda atualmente uma proposta que reduziria drasticamente os direitos dos passageiros. Caso seja aprovada, mais de 60% dos pedidos de indemnização por atraso deixariam de ser elegíveis.
Preparação que faz a diferença
Conhecer o historial de pontualidade do aeroporto de partida e da companhia aérea ajuda a tomar decisões mais informadas. Lisboa não figura entre os melhores, mas esta informação permite ao passageiro antecipar potenciais problemas. Seguir as redes sociais da companhia aérea e do aeroporto nas 48 horas anteriores ao voo pode revelar alertas precoces de perturbações. A escolha da companhia aérea também conta.
As perturbações nos voos portugueses não vão desaparecer da noite para o dia. A escassez de profissionais e as limitações estruturais dos aeroportos persistirão, mas uma abordagem informada reduz substancialmente o risco de ver os planos de viagem descarrilarem. Priorizar voos matinais de terça ou quarta-feira, evitar julho e agosto sempre que possível, optar por voos diretos mesmo que mais caros, e conhecer profundamente os direitos garantidos pelo Regulamento CE 261/2004 são medidas concretas ao alcance de qualquer passageiro. A diferença entre uma viagem tranquila e um pesadelo logístico reside frequentemente nestas escolhas aparentemente simples.