Miguel Pinto
Miguel Pinto
11 Fev, 2026 - 15:00

Quase 30% dos carros a rolar em Portugal têm mais de 20 Anos

Miguel Pinto

O parque automóvel em Portugal envelhece a um ritmo preocupante, com a idade média dos carros a ultrapassar os 14 anos.

carros usados em portugal

Conduzir em Portugal significa, na maioria das vezes, sentar ao volante de carros com mais de uma década de vida e o parque automóvel português vai definhando.

Segundo os dados da Associação Automóvel de Portugal (ACAP), a idade média dos ligeiros de passageiros em circulação no país já ultrapassa os 14 anos, o dobro do que era em 2000, quando a média era de apenas sete anos.

Este envelhecimento é um fenómeno gradual, mas com consequências concretas. A comparação histórica é elucidativa e, no início do milénio, apenas 1% dos proprietários possuía um veículo com mais de 20 anos.

Em 2026, esse valor disparou para 27%, tornando-se a faixa etária mais representativa de todo o parque automóvel nacional. Ou seja, mais de 1,6 milhões de veículos com mais de duas décadas de vida continuam a circular nas estradas portuguesas.

A distribuição etária do parque mostra um retrato pouco animador para a modernização da frota.

  • 27% dos veículos têm mais de 20 anos
  • 23% têm entre 5 e 10 anos
  • 17% têm entre 10 e 15 anos
  • Apenas 15% dos condutores possui um carro com menos de cinco anos

Estes números colocam Portugal numa posição desfavorável face à média europeia, onde os ciclos de renovação da frota são tipicamente mais curtos.

Por que razão se conduzem tantos carros velhos?

seguro do carro vai aumentar

O envelhecimento do parque automóvel não é um fenómeno isolado, antes reflecte décadas de poder de compra condicionado, uma forte tradição de compra de automóveis usados e uma relação pragmática com a mobilidade individual.

Para muitas famílias, trocar de carro representa um investimento incompatível com o orçamento disponível, pelo que a manutenção de veículos antigos se torna a única alternativa viável.

A crise económica de 2008-2013 deixou marcas profundas neste mercado. Nesse período, as vendas de automóveis novos colapsaram e milhares de compradores adiaram indefinidamente a renovação dos seus veículos.

A recuperação foi lenta e o impacto na composição etária da frota sentiu-se durante anos.

Além disso, o mercado de usados tem crescido de forma expressiva. Em 2025, Portugal registou um recorde histórico nas vendas de veículos usados, o que confirma que a renovação da frota ocorre predominantemente através de automóveis seminovos, e não de veículos saídos de fábrica.

O paradoxo: frota velha, mercado a electrificar-se

Se o parque automóvel em circulação envelhece, o mercado de automóveis novos conta uma história bem diferente.

Em 2025, as vendas de ligeiros de passageiros em Portugal aumentaram 7,3% face ao ano anterior, totalizando 225.039 unidades matriculadas. Deste total, uma fatia crescente corresponde a veículos electrificados.

Os veículos 100% eléctricos representaram 23,2% das matrículas de ligeiros de passageiros em Portugal em 2025, com um total de 52.256 unidades vendidas, um crescimento de 25,1% face a 2024.

Em Dezembro de 2025, essa quota chegou mesmo aos 26,8%, o que evidencia uma tendência de aceleração.

No primeiro trimestre de 2025, os eléctricos puros corresponderam a 20,8% do mercado, com 12.175 unidades matriculadas, um crescimento de 29,2% face ao período homólogo de 2024.

Segundo dados da ACAP, em Setembro de 2025, pela primeira vez em Portugal, os veículos 100% eléctricos matriculados num único mês ultrapassaram em número os veículos a combustão (gasolina e gasóleo) combinados.

Olhando para o panorama mais alargado das motorizações alternativas em 2025, o cenário confirma que, apesar de tudo, há uma mudança de paradigma.

  • Eléctricos BEV: 23,2% do mercado
  • Híbridos simples (inclui mild-hybrid): 22,3%
  • Híbridos Plug-In (PHEV): 15,2%
  • Gasolina: 24,5%
  • Gasóleo: apenas 5,8%

No total, 69,7% dos carros novos vendidos em Portugal em 2025 utilizavam energias alternativas à gasolina e ao gasóleo convencionais, um marco histórico para o mercado nacional.

comprar um carro elétrico
Veja também Quer comprar um carro elétrico? Vêm aí novos apoios do Estado

Penetração dos carros eléctricos no parque total

Apesar do crescimento expressivo nas vendas de carros novos, a penetração dos veículos eléctricos no total da frota em circulação ainda é modesta.

Um estudo sobre mobilidade eléctrica em Portugal, realizado em início de 2025 pelo ACP, indica que apenas 3,5% dos condutores com carta de condução que conduziram no último mês possuíam um veículo eléctrico à data da pesquisa.

O mesmo estudo confirma que os veículos eléctricos e híbridos plug-in estão mais concentrados em perfis específicos, designadamente homens entre os 25 e os 54 anos, residentes na região de Lisboa e pertencentes às classes socioeconómicas mais elevadas.

Parque automóvel português envelhecido: perguntas frequentes

Qual é a idade média do parque automóvel português em 2026? A idade
média dos ligeiros de passageiros em circulação em Portugal supera
os 14 anos, de acordo com os dados da ACAP divulgados em fevereiro de 2026.

Quantos carros com mais de 20 anos existem em Portugal? Existem
mais de 1,6 milhões de veículos com mais de 20 anos em circulação
em Portugal, representando 27% do total do parque automóvel.

Qual é a quota de mercado dos carros eléctricos em Portugal? Em 2025,
os veículos 100% eléctricos representaram 23,2% das matrículas de ligeiros de passageiros em Portugal, com 52.256 unidades vendidas.

Que percentagem dos condutores portugueses tem um carro eléctrico?
Segundo um estudo do ACP realizado em 2025, apenas 3,5% dos
condutores com carta de condução em Portugal possuíam um veículo 100% eléctrico.

Portugal é um mercado líder nos eléctricos? Sim. Em Setembro de 2025, os eléctricos superaram pela primeira vez os veículos a combustão em matrículas mensais. Portugal posiciona-se como um dos mercados europeus com maior penetração de eléctricos nas vendas de novos.

Incentivos, infra-estrutura e a renovação

comprar carro elétrico usado

O crescimento das vendas de carros eléctricos em Portugal deve-se, em grande parte, a um conjunto de factores favoráveis que se conjugaram ao longo dos últimos anos.

Incentivos fiscais. Os veículos eléctricos beneficiam de isenção de ISV e de IUC reduzido, tornando a diferença de preço face aos veículos convencionais mais suportável.

O Estado tem mantido apoios à aquisição tanto para particulares como para empresas, que podem deduzir integralmente o IVA associado à compra de eléctricos para fins profissionais.

Rede de carregamento. A rede pública Mobi.E expandiu-se consideravelmente, com um aumento da potência dos postos e mais opções de carregamento rápido.

Esta evolução eliminou uma das principais barreiras à adopção, o receio de ficar sem autonomia em viagens longas.

Maior oferta de modelos acessíveis. A chegada de modelos mais económicos — incluindo ofertas de marcas chinesas e das principais construtoras europeias — alargou o espectro de compradores elegíveis.

Apesar destes factores, a ACAP tem apelado ao alargamento dos incentivos a todas as categorias de veículos electrificados, argumentando que uma estratégia integrada é essencial para acelerar a renovação do parque.

Veja também